Juros futuros sobem em toda a curva enquanto aguardam decisão do Fed.

Juros futuros sobem em toda a curva enquanto aguardam decisão do Fed.

by Ricardo Almeida
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Tendências nas Taxas de Juros Futuros

As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram a sessão desta terça-feira (28) com o mercado ajustando suas posições no Brasil. Isso ocorreu após os recentes recuos da curva, em um momento que antecede a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) sobre a política de juros.

As taxas de juros futuros de longo prazo terminaram o dia apresentando leves quedas, enquanto os contratos de curto prazo mostraram-se praticamente estáveis.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,13%, apresentando um aumento de 5 pontos-base em comparação ao ajuste anterior de 13,083%. Por outro lado, a taxa para janeiro de 2035 marcava 13,54%, evidenciando um aumento de 7 pontos-base frente ao ajuste anterior de 13,47%.

No cenário internacional, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, também apresentaram quedas durante a sessão, em função da expectativa de um novo corte nas taxas de juros norte-americanas.

Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava uma probabilidade de 99,9% para um corte de 25 pontos-base nos juros pelo Federal Reserve (Fed) nesta quarta-feira (29). Atualmente, a taxa de referência nos Estados Unidos varia entre 4,00% e 4,25%.

Às 16h42, diante da expectativa que antecede a decisão do Fed, o rendimento do Treasury de dois anos, que reflete as apostas sobre a direção das taxas de juros de curto prazo, apresentava uma queda de 1 ponto-base, atingindo 3,488%. O retorno do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, caiu 2 pontos-base, situando-se em 3,98%.

Fatores que Influenciaram os DIs

Nos últimos sete dias, as taxas futuras de juros registraram quedas em cinco oportunidades. Essa tendência foi influenciada pela divulgação de dados de inflação que ficaram abaixo do esperado, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Outros fatores que contribuíram para essa situação incluem a redução dos preços da gasolina no Brasil e a queda do dólar em relação ao real.

Consequentemente, conforme profissionais consultados pela Reuters, as taxas passaram por um ajuste de alta nesta terça-feira (28), buscando encontrar novos níveis de acomodação. No início do dia, às 9h19, durante a primeira meia hora do pregão, a taxa do DI para janeiro de 2028 — que apresenta maior liquidez — atingiu a máxima de 13,150%, subindo 7 pontos-base em referência ao ajuste anterior.

Apesar do ajuste de alta observado no Brasil, as taxas futuras operaram em margens relativamente estreitas, em virtude das expectativas dos investidores quanto à decisão da política monetária do Fed, agendada para a tarde de quarta-feira (29).

Na prática, é amplamente esperado que ocorram mais dois cortes de 25 pontos-base nas taxas de juros pelo Fed ainda neste ano, embora a situação em janeiro permaneça incerta.

Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, afirmou: “A mediana do Fed apontava para três cortes este ano. Já houve um corte em setembro, outro ocorrerá amanhã e um seguinte está programado para dezembro.” Ele ainda destacou que o cenário para janeiro não é tão claro.

De acordo com Olivares, o Fed tem se apoiado nas preocupações relacionadas ao mercado de trabalho para justificar os cortes, enquanto a atividade econômica nos EUA demonstra resiliência. Isso sugere que os membros do Fed, que estavam divididos anteriormente, podem se mostrar mais resistentes à continuação dos cortes nas taxas de juros.

Expectativas para a Selic no Brasil

No contexto brasileiro, a postura do Fed será crucial para as expectativas referentes à trajetória da taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano.

Nos últimos dias, a curva de juros brasileira passou a considerar a possibilidade de que o Banco Central inicie o ciclo de cortes da Selic já em janeiro, em vez de março. No entanto, membros do BC continuam defendendo uma taxa de juros estável por um período prolongado, como forma de conduzir a inflação até a meta de 3%.

“É razoável pensar que o corte da Selic pode ocorrer antes do previsto. Esse é o grande teste para o BC, para ver o quanto ele será sensível à pressão do governo e do mercado em prol da redução das taxas de juros”, avaliou Olivares, que prevê um aumento da pressão sobre o BC, especialmente se o Fed proceder com mais um corte em janeiro.

“Entretanto, com a condução atual do BC, nada indica que eles implementarão a redução da Selic antes de se sentirem totalmente convencidos sobre essa decisão”, acrescentou Olivares.

Próximo ao fechamento da sessão, a curva precificava 97% de probabilidade que a Selic seja mantida em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, programada para o início de novembro.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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