Juros ganham destaque e ameaçam o euro em relação ao dólar, segundo análise do ING.

Juros ganham destaque e ameaçam o euro em relação ao dólar, segundo análise do ING.

by Ricardo Almeida
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Tensão Geopolítica e Impacto no Câmbio

A escalada das tensões geopolíticas, juntamente com o aumento nos preços de energia, tem atraído a atenção dos investidores nas últimas semanas. No entanto, o ING destaca que um outro fator, relacionado aos juros reais na Europa e nos Estados Unidos, também merece atenção.

Postura dos Bancos Centrais

Chris Turner, chefe de estratégia global de mercados do ING, enfatiza que a maneira como os Bancos Centrais reagirão a um novo choque inflacionário será mais crucial do que nunca na definição dos preços no mercado cambial. Desde o início do conflito no Oriente Médio, o euro (EUR) apresentou uma queda de 3% em relação ao dólar norte-americano (USD), fechando a US$ 1,14 na segunda-feira, dia 30. Para o estrategista, a nova avaliação do mercado sobre uma política monetária mais rígida do Banco Central Europeu (BCE) em comparação com o Federal Reserve (Fed) em termos de taxas de juros nominais pode ter proporcionado algum suporte ao par EUR/USD.

Diferenciais de Juros na Europa e EUA

Atualmente, os juros na zona do euro estão em 2% ao ano, correspondendo à taxa de depósitos, enquanto nos Estados Unidos esses valores variam entre 3,50% e 3,75% ao ano. Apesar de os diferenciais de juros nominais estarem se movendo em direção ao euro em comparação ao dólar neste mês, a análise revela que, ao ajustar as taxas de juros pelas expectativas de inflação embutidas no mercado, a vantagem ainda se mantém para os Estados Unidos.

Turner adverte que a principal tese para o ano é que os bancos centrais não estão tão "atrasados na curva" como estavam no início de 2022. Ele acredita que não devemos prever, especialmente por parte do Fed, um ajuste agressivo que levaria a um fortalecimento significativo do dólar.

Expectativas Futuras do Euro

O cenário-base do ING projeta que o euro possa alcançar aproximadamente US$ 1,15 nos próximos meses, uma expectativa sustentada pela recuperação dos fluxos de energia do Golfo. Porém, a continuidade dos preços elevados de energia, ou até mesmo um aumento adicional, somada a uma postura “relutante” do BCE em aumentar as taxas de juros, pode resultar em um enfraquecimento do euro, que poderia ser cotado a US$ 1,12 até o final deste ano.

Comparações com 2022

A situação atual traz à tona paralelos com 2022, ano em que começou a guerra na Ucrânia. Naquela ocasião, a alta dependência da Europa em relação a combustíveis fósseis importados causou um choque significativo nas condições comerciais da região, impactando adversamente o euro. Contrapõe-se a isso a maior independência energética dos Estados Unidos, que favoreceu o dólar.

Turner menciona que, ao usar as expectativas de inflação derivadas dos swaps de inflação zero-cupom tanto para o dólar quanto para o euro, é possível ajustar as taxas nominais de swap para obter um diferencial de juros reais. Esse exercício evidencia que, em 2022, não foi apenas a mudança nas condições comerciais que pressionou o EUR/USD, mas também a configuração relativa dos juros reais.

Durante aquele período de choque inflacionário, o fortalecimento do dólar ocorreu devido à elevação dos juros reais nos Estados Unidos, com o Fed adotando uma postura agressiva para conter a inflação. Essa movimentação foi consideravelmente mais intensa do que qualquer ajuste observado na política monetária europeia, resultando em um aumento do diferencial e, consequentemente, no fortalecimento do dólar em relação ao euro.

Conclusão

A análise dos movimentos cambiais atuais em relação aos juros reais e às políticas dos Bancos Centrais revela um cenário complexo, onde fatores geopolíticos e econômicos interagem de forma significativa.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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