Críticas de Paul Krugman ao Ataque ao Federal Reserve
O economista norte-americano Paul Krugman declarou que as ações do governo dos Estados Unidos contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, podem trazer consequências adversas. A afirmação foi feita em contexto de uma investigação criminal aberta como parte de uma estratégia que, segundo Krugman, serve para intimidar não apenas Powell, mas todos os membros da autoridade monetária e qualquer indivíduo que se oponha à agenda do presidente Donald Trump. A perspectiva é de que essa intimidação poderá resultar em um aumento das taxas de juros a longo prazo, sem cortes nas taxas no curto prazo.
A Intimidação e Suas Consequências
Krugman, vencedor do Prêmio Nobel em 2008, comentou que a intimidação promovida pelo governo vai além do mero ataque a Powell. Ele acredita que representa um esforço mais amplo contra qualquer pessoa que não esteja alinhada com os objetivos do presidente Trump. Ele também mencionou que figuras proeminentes, incluindo ex-presidentes e integrantes do Fed, têm se posicionado em defesa de Powell, reforçando a ideia de que essa situação envolve uma luta pela integridade da instituição.
A Autoproclamação de Trump
Além disso, Krugman fez referência à recente autoproclamação de Trump como "presidente interino da Venezuela", enfatizando que “definitivamente ele não é”. Essa declaração sublinha o clima conturbado e polêmico que envolve as decisões e a posição de Trump em relação a assuntos econômicos e monetários.
As Três Razões de Krugman para a Possibilidade de Retorno Negativo
Krugman delineou três razões pelas quais ele acredita que a estratégia de Trump poderia ser prejudicial para seus objetivos.
Primeira Razão: Estabilidade das Taxas de Juros
O primeiro ponto destacado por Krugman é a expectativa de que as taxas de juros não irão cair no curto prazo. Ele argumenta que o Fed demonstrará hesitação em reduzir as taxas, mesmo que essa medida possa ser prudente, pois não quer dar a impressão de que a intimidação do presidente está surtindo efeito. Essa relutância pode continuar, independentemente de quem esteja à frente do Fed, já que o mandato de Powell é até maio de 2026. O economista observa que as decisões sobre as taxas são tomadas pelo Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC), e a maioria dos membros desse comitê não é indicada por Trump.
Segunda Razão: Limitações em um Banco Central Politizado
Em segundo lugar, Krugman menciona que até mesmo um banco central influenciado pela política não pode manter as taxas de juros de curto prazo baixas de maneira indefinida. Ele alerta que, com o aumento da inflação, a instituição será obrigada a elevar as taxas acima dos níveis anteriores, citando o exemplo da Turquia, que experimentou uma inflação elevada de 80%.
Terceira Razão: Ameaça à Independência do Banco Central
Por último, Krugman ressalta que um ataque à independência do banco central dos EUA pode resultar no aumento das taxas de juros a longo prazo, que são as taxas que impactam diretamente a economia. Segundo ele, os investidores em títulos entendem que a pressão política sobre o Fed pode resultar em taxas de juros de curto prazo elevadas, o que não é benéfico para o ambiente econômico.
As Reações do Mercado
Após os problemas enfrentados por Powell, Krugman observou que, embora as taxas de longo prazo nos Estados Unidos não tenham mostrado grandes oscilações, houve um leve aumento. Essa leve alta é interpretada como uma resposta a pressão política em torno do Fed.
Críticas à Postura do Governo
Além disso, o economista comentou sobre a postura de integrantes de alto escalão do governo Trump, como o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, Kevin Hassett, que seriam candidatos a suceder Powell. Krugman sugere que, se esses indivíduos possuíssem “alguma integridade”, teriam considerado renunciar em massa, mas essa ação não ocorreu, indicando a falta de um posicionamento firme frente à situação.
Com esta análise, Krugman expõe um cenário tenso e complexo, refletindo sobre as implicações das ações e declarações do governo dos Estados Unidos nas dinâmicas de mercado e na confiança pública em instituições monetárias.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


