Kuwait Alerta sobre Bloqueio Econômico
HOUSTON — Na última terça-feira, o governo do Kuwait afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz por parte do Irã representa um bloqueio econômico para os produtores de petróleo árabes do Golfo, alertando que as consequências são além de catastróficas e provocarão um efeito dominó em todo o mundo.
Declarações do CEO da KPC
"Estamos indignados com este ataque contra nós", declarou Shaikh Nawaf Al-Sabah, CEO da Kuwait Petroleum Corporation (KPC), durante a conferência de energia CERAWeek da S&P Global em Houston. "Este é um ataque não apenas contra o Golfo, mas é um ataque que mantém a economia mundial como refém", acrescentou Al-Sabah, que fez suas observações por meio de videoconferência do Kuwait, após cancelar sua participação presencial em Houston devido à guerra.
Situação da Produção de Petróleo no Kuwait
O Kuwait declarou força maior em seus contratos de entrega e reduziu sua produção de petróleo, pois não consegue exportar para o mercado global. Al-Sabah informou que a KPC está atualmente produzindo petróleo apenas para consumo interno. O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, também havia alertado no início deste mês que a guerra no Irã teria "consequências catastróficas" para a economia mundial. Al-Sabah criticou a visão subestimada do impacto do fechamento do Estreito por Nasser.
"É um efeito dominó", observou Al-Sabah. "Os custos desta guerra não se limitam a linhas geográficas nesta região, mas se estendem por toda a cadeia de suprimentos."
Impacto da Produção Reduzida
Segundo Al-Sabah, levará meses para que a produção de petróleo no Golfo atinja a capacidade total, pois o Kuwait e seus vizinhos fecharam poços de petróleo. Antes da guerra, o Kuwait estava produzindo cerca de 2,6 milhões de barris por dia, tornando-se o quinto maior produtor da OPEP.
"Temos reservatórios resilientes que podem fornecer uma quantidade significativa de produção rapidamente — em poucos dias", comentou Al-Sabah. "A maior parte virá dentro de algumas semanas, e a produção total será restabelecida em três a quatro meses."
Liberação de Estoques de Emergência
A liberação de petróleo de emergência por mais de 30 nações na Agência Internacional de Energia, incluindo os Estados Unidos, terá pouco efeito sobre a escassez de suprimentos, segundo o CEO. Os 3 milhões de barris diários em estoques emergenciais não compensam as limitações no Iraque, muito menos aquelas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, afirmou Al-Sabah.
"Não há substituto para o Estreito", enfatizou.
Consequências Além do Petróleo
Al-Sabah destacou que o impacto da guerra vai muito além do setor de petróleo e gás. Ele alertou que a produção de petroquímicos, que são essenciais para a fabricação de plásticos utilizados no empacotamento de alimentos, estará em falta, dificultando o transporte de alimentos ao redor do mundo.
O fertilizante proveniente do Golfo também não poderá chegar aos mercados globais, justo quando a temporada de plantio está prestes a começar em diversas partes do mundo, informou Al-Sabah. Alguns países em desenvolvimento podem enfrentar uma redução de 50% nas suas colheitas em comparação com anos anteriores.
Tráfego Marítimo Atingido
O tráfego de petroleiros e cargueiros através do Estreito, que conecta o Golfo Pérsico ao mercado global, despencou devido aos ataques do Irã a embarcações comerciais. Antes do início da guerra, cerca de 20% da oferta mundial de petróleo transitava por essa via.
O Irã lançou uma série de ataques com mísseis e drones contra países árabes do Golfo, após uma onda maciça de ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra instalações iranianas, iniciada em 28 de fevereiro.
Ameaça à Segurança no Kuwait
Al-Sabah relatou que sirenes de alerta foram acionadas várias vezes na manhã de terça-feira no Kuwait, enquanto o Irã realizava ataques com mísseis balísticos contra infraestruturas civis. O país teve refinarias atacadas, mesmo sendo de propriedade total do reino, acrescentou Al-Sabah. Recentemente, a administração de seguridade social do país também foi alvo de ataque.
"Isso desmente o que o Irã vem alegando — que está limitando seus ataques apenas à infraestrutura americana na região", afirmou Al-Sabah.
Fonte: www.cnbc.com