O Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira, dia 18, a liquidação do Banco Pleno, que é controlado por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. De acordo com as informações divulgadas pelo BC, a decisão de liquidação foi motivada pela deterioração da situação econômico-financeira da instituição, que levantou questões de liquidez e descumprimento das normas regulatórias do setor bancário. Em uma análise realizada por Fernando Nakagawa, no programa CNN 360°, a liquidação do Banco Pleno gera especulações em relação a outras instituições do sistema financeiro que podem ser afetadas pela situação.
O BC esclareceu que o Banco Pleno pertence a um grupo de pequena escala, detendo apenas 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional. Além disso, a autoridade afirmou que tomará todas as medidas necessárias para investigar as responsabilidades da instituição, o que pode resultar em futuras sanções.
Augusto Ferreira Lima, conhecido popularmente como Guga Lima, foi preso em novembro do ano anterior durante a Operação Compliance Zero, que investigou a emissão de títulos de crédito fraudulentos pelo Banco Master. O Banco Pleno foi uma unidade do Banco Master até aproximadamente dois anos atrás, quando se tornou uma entidade independente sob a direção de Lima.
Efeito dominó na crise bancária
De acordo com Nakagawa, a liquidação do Banco Pleno representa mais um elemento na cadeia de crises iniciadas pelo caso do Banco Master. Até o momento, os problemas que começaram com o Banco Master, se estenderam ao Will Bank e agora alcançam o Banco Pleno, totalizam um rombo estimado em R$ 52 bilhões, que precisa ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para assegurar o pagamento aos investidores.
O Banco Master é responsável por R$ 41 bilhões desse total, enquanto o Will Bank contribui com R$ 6 bilhões e o Banco Pleno possui uma responsabilidade de quase R$ 5 bilhões, afetando cerca de 160 mil CPFs relacionados à instituição. Nakagawa menciona que o Banco Pleno possui raízes que remontam à década de 1960, quando foi estabelecido como Banco Indusval, uma entidade tradicional dentro do mercado financeiro em São Paulo.
Expectativa sobre outras instituições
A crise decorrente do caso do Banco Master parece estar posicionada para impactar outras instituições financeiras. Há preocupações em relação ao Banco de Brasília (BRB), que já indicou a necessidade de uma injeção de capital de pelo menos R$ 4 bilhões. Existe também uma vigilância em relação à Credcesta, uma instituição localizada na Bahia, que efetuou negócios com o Banco Master e atualmente está sendo investigada pelo Ministério Público.
Além disso, o analista observa que o FGC terá que reconstituir os R$ 52 bilhões utilizados para cobrir os prejuízos causados pelas falências. O caso do Banco Pleno exemplifica o impacto negativo que a perda de confiança dos investidores, especialmente em decorrência do envolvimento de seu controlador em investigações, pode ter sobre a liquidez da instituição, resultando em muitos compromissos a serem honrados e a ausência de recursos novos, o que levou à intervenção do Banco Central.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br