Liquidez, Basileia, classificação de risco e sinais de alerta – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

Liquidez, Basileia, classificação de risco e sinais de alerta – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

by Rafael Martins
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Mudança de Foco na Análise de Investimentos

Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero, o primeiro passo para a transição dos grandes bancos envolve uma mudança no foco da análise. O investidor que decide optar pelos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de bancos menores deve atentar para aspectos que vão além da taxa percentual do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O foco principal deve recair sobre a segurança operacional, a qualidade do emissor, a liquidez real e o respeito aos limites do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Avaliação das Instituições

Com os recentes episódios envolvendo o Banco Master e o Will Bank, ficou evidente que o filtro inicial para investidores deve ser a capacidade do banco em honrar seus compromissos a longo prazo. Para isso, é imprescindível observar os ratings de crédito atribuídos por agências como S&P (Standard & Poor’s), Moody’s e Fitch, além de analisar o nível de capitalização da instituição.

Entretanto, a avaliação não deve se restringir apenas a números. Araújo destaca a importância de compreender o modelo de negócio dos bancos de menor porte, que muitas vezes não é simples para o investidor individual entender. Instituições que se concentram em nichos mais arriscados podem demonstrar maior volatilidade em períodos de estresse, mesmo quando oferecem taxas de rendimento mais altas. Nesses casos, o FGC serve como uma camada adicional de proteção, mas não deve ser visto como uma justificativa para assumir riscos excessivos.

“O FGC é um pilar de segurança, mas não um salvo-conduto para concentrar tudo em um banco frágil”, alerta o consultor. Ele enfatiza a necessidade de respeitar o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, bem como a importância de diversificar os recursos entre diferentes emissores.

CDBs como Reserva de Emergência

Em relação ao uso de CDBs de bancos médios e pequenos como uma reserva de emergência, a proteção do FGC tem pouca relevância na escolha do ativo. Patrícia Palomo, planejadora financeira certificada pela Planejar, afirma que, quando uma aplicação depende do acionamento do FGC para ser considerada segura, ela já falha em seu propósito como reserva de emergência. Isso se deve ao fato de que, diante de um evento de crédito, o ativo frequentemente perde liquidez e pode ficar indisponível por um período indeterminado.

Outro aspecto comumente subestimado é a liquidez prática. Não é suficiente que o CDB declare "liquidez diária" no contrato, uma vez que o acesso ao capital pode se mostrar difícil. Araújo recomenda que os investidores priorizem produtos com resgates contratuais em D+0 ou, no máximo, em D+1, e que analisem a infraestrutura e a qualidade do atendimento do banco em momentos de estresse.

Patrick Santos, doutor em Economia e gerente de planejamento na Multimarca Consórcios, ressalta que os rendimentos mais altos de bancos de menor porte são, muitas vezes, um prêmio pelo risco que esses investimentos apresentam. “Taxas de rendimento elevadas geralmente refletem um prêmio pelo risco de liquidez e de crédito”, explica Santos.

Como Escolher o CDB para a Carteira de Investimentos

Santos orienta que a análise para a escolha dos CDBs a serem incluídos na carteira de investimentos deve começar com a confirmação de que a instituição emissora do ativo está sob a regulação do Banco Central (BC) e que o produto oferece a garantia do FGC. Isso sempre deve ser feito levando em conta o limite de R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro, garantindo uma margem para a incidência de juros ao longo da aplicação.

Após essa etapa inicial, entram em cena os indicadores técnicos. O Índice de Basileia é destacado por Santos como uma das métricas mais importantes, pois ele reflete a relação entre o capital próprio do banco e o risco associado aos seus ativos. A ocorrência de lucros recorrentes e a qualidade da carteira de crédito da instituição, com níveis controlados de inadimplência, também contribuem para formar uma visão mais clara sobre a saúde financeira do banco.

Além disso, é fundamental entender como a instituição gera receita. Organizações que dependem excessivamente de um único segmento, como crédito consignado, agronegócio ou pequenas e médias empresas (PMEs), tendem a ser mais vulneráveis a choques que afetem esses setores.

Relação entre Prazo e Retorno

Outro ponto a ser considerado é a relação entre o prazo e o retorno dos investimentos. Em bancos menores, a rentabilidade geralmente superior costuma estar associada a prazos mais longos ou a uma menor liquidez. Portanto, o investidor precisa fazer uma avaliação criteriosa para determinar se essa troca de rentabilidade faz sentido dentro de seu planejamento, uma vez que o resgate antecipado no mercado secundário pode impactar significativamente o ganho esperado. Nesse estágio da análise, a governança do banco se torna um fator decisivo.

Aspectos como a transparência, a realização de auditorias independentes e um histórico de boa gestão são fatores que ajudam a reduzir o risco de surpresas negativas. Santos recomenda verificar se a instituição possui auditorias independentes e, sempre que possível, consultar as notas de agências de rating, que classificam o risco de crédito dos bancos.

Investir em CDBs de bancos menores de forma segura exige uma análise de risco mais detalhada e consciente. A taxa percentual do CDI, considerada isoladamente, não oferece uma visão completa do que realmente é importante. O que deve ser priorizado é o retorno ajustado ao risco, fundamentado em uma solidez financeira comprovada, um modelo de negócio equilibrado, uma governança clara e uma liquidez que esteja alinhada aos objetivos do investimento. A regra fundamental permanece a diversificação, evitando concentrar todo o capital de renda fixa em uma única instituição de pequeno ou médio porte, mesmo que os valores estejam abaixo do teto estabelecido pelo FGC.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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