Lucros da BP no Primeiro Trimestre Aumentam Mais do Que o Dobro
A BP, empresa britânica de energia, reportou na terça-feira que seus lucros no primeiro trimestre mais que dobraram em relação ao ano anterior, impulsionados por um aumento significativo nos preços do petróleo e do gás, decorrente do conflito no Oriente Médio.
A gigante do petróleo divulgou um lucro ajustado pelo custo de reposição, utilizado como uma referência para o lucro líquido, de US$ 3,2 bilhões nos primeiros três meses do ano. Este resultado superou confortavelmente as expectativas de analistas, que previam um lucro de US$ 2,63 bilhões, de acordo com um consenso compilado pela LSEG.
A empresa indicou que os resultados do primeiro trimestre refletem contribuições “excepcionais” do comércio de petróleo e uma performance mais robusta nas operações midstream. O lucro líquido da BP foi de US$ 1,38 bilhão no mesmo período do ano anterior e de US$ 1,54 bilhão nos últimos três meses de 2025.
“No geral, nosso negócio continua operando bem. Este foi mais um trimestre de forte entrega operacional e financeira, e avançamos ainda mais em direção às nossas metas de 2027″, afirmou a CEO da BP, Meg O’Neill, em um comunicado.
Impacto do Conflito no Oriente Médio
Os ganhos da BP acontecem em um cenário em que empresas de petróleo e gás estão experimentando um aumento significativo em suas ações, à medida que os preços dos combustíveis fósseis dispararam desde que a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro.
A contínua e severa interrupção no estratégico Estreito de Ormuz resultou no que a Agência Internacional da Energia descreveu como a maior ameaça à segurança energética na história.
As ações da BP subiram 2,5% durante as negociações matinais. O papel listado em Londres valorizou-se mais de 32% neste ano, colocando a BP na segunda posição entre os cinco maiores “supermajors” do petróleo, atrás apenas da TotalEnergies, da França.
Estratégia de Redução de Dívidas
Analistas do Citi afirmaram que as primeiras declarações do novo CEO da BP demonstram uma clara ênfase na redução financeira das dívidas e na diminuição dos custos de endividamento da empresa.
A dívida líquida da BP foi de US$ 25,3 bilhões no final do primeiro trimestre, um aumento em relação aos US$ 22,18 bilhões registrados no final do ano passado. A empresa tem como objetivo reduzir sua dívida líquida para um intervalo entre US$ 14 bilhões e US$ 18 bilhões até o final do próximo ano.
Em relação ao futuro, a BP indicou que espera uma produção upstream reportada inferior se comparada aos primeiros três meses do ano, citando manutenções sazonais e interrupções no Oriente Médio.
A companhia reafirmou sua orientação de despesas de capital para 2026, prevista entre US$ 13 bilhões e US$ 13,5 bilhões, e espera que os resultados de desinvestimentos e outras receitas sejam entre US$ 9 bilhões e US$ 10 bilhões ao longo do ano.
“Mesmo após preparar o mercado para um bom trimestre, a BP apresentou resultados que foram tanto positivos quanto melhores do que esperado”, disse Maurizio Carulli, analista global de energia da Quilter Cheviot, em uma nota de pesquisa.
“Os preços elevados do petróleo tendem a beneficiar todo o setor de energia, mas sendo um jogador integrado no mercado, a BP verá um fluxo de caixa ampliado à medida que os preços do petróleo permanecerem altos, e, enquanto as negociações entre os EUA e o Irã permanecerem improdutivas, esses resultados positivos provavelmente serão prolongados”, acrescentou.
Revolta dos Investidores
O conselho da BP enfrentou uma revolta de acionistas em sua reunião geral anual realizada na semana passada, após um confronto tenso com investidores sobre governança corporativa e transparência climática.
A empresa não conseguiu obter a aprovação da maioria dos acionistas em duas moções muito esperadas, que permitiriam reuniões exclusivamente online e aposentariam duas obrigações específicas de divulgação climática da empresa.
Essa situação fez parte de uma revolta mais ampla dos investidores na assembleia, resultando em um apoio mais fraco do que o habitual ao presidente da BP, Albert Manifold, e um apoio robusto a uma moção que solicitava à gigante da energia que justificasse sua disciplina de capital em investimentos em petróleo e gás.
Fonte: www.cnbc.com