Temporada de balanços do quarto trimestre de 2025
A temporada de balanços referente ao quarto trimestre de 2025 apresentou resultados robustos para as empresas que compõem o Ibovespa, superando as expectativas em várias métricas fundamentais. De acordo com uma análise realizada pela equipe de pesquisa do Itaú BBA, ao excluir o setor de commodities, o lucro líquido agregado das empresas ficou 6,6% acima das previsões.
Em comparação com o quarto trimestre de 2024, as empresas demonstraram um crescimento anual de 3,7% em receitas, 8,3% no Ebitda e 1,7% no lucro líquido. Ao todo, 38,6% das empresas analisadas reportaram lucros superiores ao esperado, enquanto 32,9% ficaram aquém das expectativas do mercado.
Setores em destaque: vencedores e vencidos
O desempenho das empresas apresentou variações significativas entre os diferentes setores da economia.
- Destaques Positivos: O setor de construção civil se destacou, registrando crescimento de dois dígitos em todas as suas linhas financeiras. O setor de transportes também obteve resultados surpreendentes, com um aumento de 62% no lucro líquido e 14% no Ebitda. Além disso, os setores de energia, saneamento e papel e celulose foram responsáveis por boas surpresas financeiras.
- Destaques Negativos: Por outro lado, o segmento de consumo e varejo apresentou um lucro líquido que ficou 8% abaixo das projeções, apesar de um crescimento de 40% em comparação anual. O setor de saúde também não atingiu as expectativas, com um Ebitda 6,7% menor do que o estimado.
As “top picks” e a alavancagem
O relatório do Itaú BBA aponta cinco ações que se mostraram protagonistas durante o período analisado: Axia (AXIA3), Copel (CPLE3), Orizon (ORVR3), Petrobras (PETR4) e Tenda (TEND3).
Adicionalmente, observa-se um aumento na alavancagem corporativa, que subiu para 1,9 vez (Dívida Líquida/Ebitda) no quarto trimestre de 2025, em comparação com 1,8 vez nos trimestres anteriores. O crescimento na alavancagem foi especialmente notável nos setores de educação e saúde. Contudo, esse nível ainda se encontra abaixo da média histórica dos últimos 10 anos, estabelecida em 2,4 vezes.
Perspectivas: O que esperar para 2026 e 2027?
Com a olhar voltado para o futuro, os analistas do Itaú BBA projetam que os lucros das empresas do Ibovespa apresentem um crescimento médio anual composto (CAGR) de 18% entre 2024 e 2027. A expectativa é que as empresas domésticas usufruam da trajetória de queda nas taxas de juros, embora o início de 2026 tenha mostrado um ritmo de afrouxamento monetário mais lento do que o esperado.
O Banco Central deu início ao ciclo de cortes na Selic com uma redução de 0,25 ponto percentual em março. No entanto, o cenário permanece cauteloso devido aos altos preços do petróleo, que aumentam as preocupações em relação à inflação global e podem prolongar a manutenção das taxas de juros em níveis restritivos. Essa situação pode impactar tanto a atividade econômica quanto a estrutura de custos das empresas no Brasil.
Fonte: www.moneytimes.com.br

