Cenário Eleitoral de Lula em 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia a corrida eleitoral de 2026 com uma ligeira vantagem, conforme avalia Christopher Garman, diretor executivo para as Américas da Eurasia. Garman destaca, em entrevista ao programa Capital Insights, que o pleito se apresentará como "bem competitivo".
Popularidade como Indicador
De acordo com Garman, os governantes com uma taxa de aprovação popular em torno de 49% têm uma taxa de vitória entre 80% e 90% nas eleições. "Então, se alguém observar a eleição no Brasil e considerar o índice de popularidade do presidente Lula, que está em 49%, pode concluir que ele é um claro favorito", afirma o diretor.
Interação com o Programa
O programa Capital Insights é uma parceria entre a CNN Money e a Broadcast, onde são realizadas entrevistas semanais com especialistas do mercado financeiro para discutir o cenário econômico do Brasil e global. O programa é transmitido todas as quintas-feiras, às 19h, na CNN Money.
Desafios nas Eleições
Garman menciona que "vai ser difícil antecipar o resultado" das eleições, ressaltando que, em geral, o candidato mais forte nos temas que mais preocupam o eleitorado tende a triunfar.
Preocupações do Eleitorado
Os principais fatores de preocupação para o eleitor são segurança e corrupção, áreas em que Lula possui pouca credibilidade. Garman observa que "esse é um ponto fraco significativo". Contudo, o eleitoral tende a partilhar a responsabilidade sobre a violência entre União, Estados e municípios, o que pode atenuar a pressão sobre o governo federal.
Fatores de Popularidade
Quatro meses de deflação nos preços dos alimentos, juntamente com iniciativas como a tarifa social de energia, explicam a recente recuperação do índice de popularidade de Lula, conforme Garman. Ele faz referência ao primeiro semestre deste ano, quando os preços do café e da carne dispararam, o que resultou em uma queda na aprovação do governo.
Impacto na Popularidade
Garman argumenta que a recuperação da popularidade do presidente está menos relacionada à comunicação política e mais à situação financeira da população. Ele descreve a eleição como "difícil de calibrar", afirmando que, embora as preocupações eleitorais estejam mais ligadas a uma candidatura de oposição, o dado de aprovação de Lula sugere que ele permanece como favorito nessa disputa. Ele classifica a eleição como "estruturalmente competitiva".
Variáveis em Jogo
Garman lista algumas variáveis que podem impactar o humor dos eleitores nos próximos meses, um período crucial para o surgimento de tendências. Entre essas variáveis estão: uma nova boa safra, que pode manter os preços dos alimentos em níveis "razoavelmente comportados"; a trajetória do câmbio, que influencia diretamente os preços de produtos; e o comprometimento da renda devido ao custo do crédito.
Questões Financeiras
"O quanto a renda está sendo comprometida com o pagamento de juros influencia negativamente na aprovação do governo", destaca Garman.
Cenário de Violência e Fiscal
Embora o recente episódio de violência no Rio e a aproximação de Washington, após a política tarifária do governo Trump, possam ser relevantes, Garman acredita que esses fatores não devem ser os únicos determinantes na eleição. O cenário fiscal apresenta desafios tanto para investidores nacionais quanto estrangeiros, embora os investidores internacionais tendam a ser menos pessimistas em relação a um possível ajuste promovido por Lula.
Considerações sobre a Política Externa
Garman também discute os partidos Democrata e Republicano nos Estados Unidos, além de abordar a política americana em relação à América Latina, o crime organizado e a redução da globalização, que ele define como recessão geopolítica.
Avaliação dos Ativos Brasileiros
Ele conclui dizendo que o Brasil possui ativos que podem se tornar mais valiosos no novo cenário global, mas enfatiza que um aumento no protecionismo não será benéfico para o país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br