Depois de meses de tensão comercial e muita expectativa, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, finalmente se encontraram em um encontro decisivo que poderá influenciar o futuro do tarifaço imposto pelo governo norte-americano às exportações brasileiras, medida que está em vigor desde 6 de agosto. A reunião teve início por volta das 15h30 (horário local) — 4h30 da madrugada no horário de Brasília — no Kuala Lumpur City Centre (KLCC), em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Ambos os líderes estão na cidade para participar da cúpula da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
Do bastidor à mesa de negociação
O tão aguardado encontro começou a ser formatado após uma breve conversa entre Lula e Trump nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU, realizada no final de setembro, seguida por um telefonema no último dia 6. De acordo com o correspondente do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Diego Mezzogiorno, que acompanha a cúpula na capital malaia, “todos os sinais indicam disposição de Donald Trump em negociar com o Brasil”.
Pressões internas e pragmatismo diplomático
O economista e professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, destaca que o momento é favorável:
“Trump chega pressionado por resistências internas ao tarifaço — não apenas do setor agrário, mas também de empresários americanos com cadeias de produção interligadas ao Brasil. São seis mil empresas que dependem dessa relação bilateral.”
Por sua vez, Lula chega com uma vantagem diplomática.
“O Brasil não retaliou e manteve o diálogo aberto. O chanceler Mauro Vieira desempenhou um papel central em reuniões com Marco Rubio, secretário de Estado americano, esclarecendo que o país pertence ao Ocidente e mantém equilíbrio nas relações com a China. Essa postura abriu portas”, afirma Trevisan.
Mercado atento e impacto econômico
O analista do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Rodrigo Loureiro, enfatiza que o encontro deve influenciar diretamente os mercados.
“Qualquer que seja o resultado, a reunião tem potencial para faz preço na segunda-feira. Pode selar a paz comercial ou aprofundar o conflito tarifário”, explica.
Além de ministros e assessores, Lula viajou acompanhado por mais de 100 empresários, em um esforço conjunto para buscar um acordo comercial mais equilibrado.
Loureiro ressalta que o tarifaço já provocou queda de 22% nas exportações brasileiras em agosto e uma retração de até 50% em setembro em alguns estados. O setor madeireiro foi particularmente atingido, resultando em 10 mil empregos afetados e 4 mil demissões.
“É uma relação que importa para ambos os lados, mas que impacta mais severamente a economia brasileira. Caso não haja uma reversão, a situação poderá se tornar uma bola de neve econômica”, alerta.
Para os Estados Unidos, a implementação das tarifas também traz suas consequências. As taxas sobre café, suco de laranja e madeira elevaram os custos de insumos e pressionaram o abastecimento industrial.
“Trump tem motivações eleitorais para resolver essa questão — ele não deseja ser visto como o ‘presidente do aumento de preços’ nas proximidades das eleições de meio de mandato”, observa Loureiro.
Linha do tempo — O tarifaço EUA x Brasil (abril a outubro de 2025)
2 de abril de 2025 — Trump assina a Executive Order 14257, criando o pacote de tarifas “Dia da Libertação”, com tarifa-base de 10% sobre importações de praticamente todos os países.
10 de julho de 2025 — Lula ameaça aplicar tarifas de 50% em resposta, caso os Estados Unidos ampliem as cobranças sobre produtos brasileiros.
21 de julho de 2025 — O governo brasileiro reconhece que não há acordo imediato com os EUA e que as negociações para evitar o aumento tarifário não avançaram.
25 de julho de 2025 — A CNI anuncia uma missão empresarial a Washington, com foco em dialogar com o Departamento de Comércio dos EUA e avaliar o impacto das tarifas na indústria nacional.
30 de julho de 2025 — Trump impõe uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50%. No mesmo dia, o governo americano divulga exceções para suco de laranja, aeronaves civis e peças, ferro líquido, celulose, castanhas-do-Brasil e energia.
6 de agosto de 2025 — As tarifas de 50% entram em vigor, afetando café, carne bovina, madeira processada, móveis e manufaturados.
13 de agosto de 2025 — O governo brasileiro lança o plano “Brasil Soberano”, que inclui R$ 30 bilhões em crédito, garantias de exportação, extensão de prazos fiscais e incentivos diplomáticos para mitigar os efeitos do tarifaço.
3 de setembro de 2025 — As entidades CNI e CNA realizam uma missão conjunta a Washington, reunindo mais de 30 setores para tratar das tarifas e propor soluções comerciais.
9 de setembro de 2025 — Técnicos da Fazenda e do Itamaraty entregam ao Planalto uma proposta de retaliação setorial, mas Lula opta por adiar qualquer resposta, priorizando o diálogo.
20 de setembro de 2025 — A CNA apresenta um relatório apontando queda de 30% nas exportações agrícolas e 10 mil empregos perdidos no setor madeireiro.
24 de setembro de 2025 — A Fiesp e o Itamaraty se reúnem com o embaixador americano no Brasil e solicitam uma revisão parcial das tarifas industriais.
27 de setembro de 2025 — Lula e Trump se cumprimentam brevemente na ONU, em Nova York, como sinal de distensão.
6 de outubro de 2025 — Os dois líderes realizam uma videoconferência de 30 minutos; Lula pede o fim das tarifas, e Trump admite possibilidade de revisar as condições “sob as circunstâncias certas”.
9 de outubro de 2025 — Mauro Vieira e Marco Rubio acertam uma reunião técnica em Washington para discutir comércio e tarifas.
15 de outubro de 2025 — Lula confirma que as negociações comerciais continuam e que o encontro com Trump ocorrerá em breve.
16 de outubro de 2025 — Brasil e EUA anunciam reunião presencial entre Lula e Trump durante a cúpula da ASEAN, na Malásia.
Fonte: timesbrasil.com.br

