M. Dias Branco (MDIA3) frustra BTG e Safra no 1T26; margens em queda e pressão competitiva geram preocupação entre analistas.

M. Dias Branco (MDIA3) frustra BTG e Safra no 1T26; margens em queda e pressão competitiva geram preocupação entre analistas.

by Ricardo Almeida
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Resultados Frustrantes da M. Dias Branco

A M. Dias Branco (MDIA3) registrou resultados decepcionantes no primeiro trimestre de 2026, que não corresponderam às expectativas do mercado. Os números divulgados ficaram abaixo das projeções do BTG Pactual e do Safra. Essa situação ocorre em meio a uma pressão sobre os preços, margens comprimidas e um ambiente desafiador para os setores de biscoitos e massas no Brasil. Por volta das 12h07, as ações da companhia apresentaram uma queda de 11,85%.

Dados Financeiros Importantes

O Ebitda ajustado da empresa ficou entre R$ 180 milhões e R$ 184 milhões, dependendo dos ajustes que cada banco considerou. Esses números estão muito aquém das estimativas feitas previamente. De acordo com o BTG, o indicador apresentou uma redução de 34% em relação à sua previsão, enquanto o Safra identificou um resultado que foi 26% inferior ao esperado e 28% abaixo do consenso do mercado.

A margem Ebitda caiu para aproximadamente 8%, retornando assim a um nível de um dígito. Essa queda levanta questionamentos sobre a capacidade da empresa de recuperar sua rentabilidade ao mesmo tempo em que busca ganhar participação de mercado. O BTG destacou que este foi o terceiro trimestre consecutivo com “miss” relevante no Ebitda.

Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla observaram que a tentativa da M. Dias Branco de recuperar volumes de venda parece estar custando cada vez mais a cada trimestre.

Receita Líquida e Volume de Vendas

A receita líquida da empresa permaneceu praticamente estável em comparação ao ano anterior, alcançando cerca de R$ 2,2 bilhões. Essa estabilidade foi impactada pela queda nos preços médios, mesmo com o aumento nos volumes vendidos. No total, os volumes alcançaram 408 mil toneladas, apresentando uma alta de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que representa o maior volume vendido desde o primeiro trimestre de 2020, segundo informações do BTG. No entanto, os preços médios caíram entre 3% e 5%, dependendo da base de comparação utilizada.

O banco Safra apontou que a principal problemática deste trimestre foi a deterioração dos preços. “O efeito de mix pressionou preços e margem bruta, apesar do custo por quilo ter se mostrado abaixo do esperado”, ressaltou a instituição.

Impactos do Comportamento do Mercado

A companhia atribuiu a queda de preços ao maior peso de categorias como farinha, farelo e gordura vegetal industrial, que foram impulsionadas pelo setor de food service. Apesar dos desafios, o mercado observou um movimento promocional mais agressivo da empresa, especialmente nas categorias de biscoitos e massas.

Conforme dados da Nielsen mencionados nos relatórios, o mercado de biscoitos e crackers no Brasil cresceu 3% em valor no trimestre, embora tenha registrado uma queda de 4% nos volumes. O segmento de massas, por sua vez, também apresentou uma retração de 4% em volume.

Apesar das dificuldades, a M. Dias Branco conseguiu aumentar sua participação de mercado em biscoitos e crackers, com um crescimento que varia entre 1,2 ponto percentual e 1,9 ponto percentual, dependendo da métrica utilizada. A companhia manteve uma fatia de mercado estável no segmento de massas.

Despesas e Questões Estratégicas

Ainda assim, o BTG advertiu que a empresa está tentando crescer em categorias que parecem ser estruturalmente mais fracas. “O elemento mais preocupante é que os segmentos mais relevantes para a M. Dias Branco parecem estar encolhendo”, destacou o banco. Nesse contexto, as despesas comerciais também aumentaram de forma significativa. As despesas com vendas atingiram 20,5% da receita, o maior nível registrado em cinco anos, enquanto as despesas totais de SG&A alcançaram o patamar mais alto da história por tonelada vendida.

Os analistas começam a questionar a viabilidade das metas anteriores de margem Ebitda, que eram estimadas entre 15% e 20%.

Expectativas para o Futuro e Desafios

Para o BTG, o cenário competitivo, as transformações na cadeia de distribuição de alimentos e os novos hábitos de consumo tornaram cada vez mais distante a possibilidade de atingir os objetivos de margem. Adicionalmente, as perspectivas de custos também podem piorar. Após um período de alívio relacionado ao fortalecimento do real e à queda dos preços das commodities, tanto o trigo quanto o óleo de palma estão começando a subir novamente, o que pode exerçer uma pressão adicional sobre as margens da empresa.

“Nossa estimativa de margem Ebitda de 12% para 2026 agora parece excessivamente otimista”, destacou o BTG, indicando que haverá revisões nas projeções.

Apesar dessas pressões operacionais, o balanço da companhia ainda se apresenta saudável. Ao final do trimestre, a organização reportou uma posição de caixa líquida de R$ 688 milhões e uma alavancagem negativa de 0,6 vez Ebitda, segundo informações do Safra.

Entretanto, o fluxo de caixa livre caiu 66% em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 63 milhões. Tanto o BTG quanto o Safra mantiveram uma recomendação neutra para as ações da empresa. O BTG definiu um preço-alvo de R$ 25 para a MDIA3, enquanto o Safra ajustou sua estimativa para R$ 29.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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