Resultados Frustrantes da M. Dias Branco
A M. Dias Branco (MDIA3) registrou resultados decepcionantes no primeiro trimestre de 2026, que não corresponderam às expectativas do mercado. Os números divulgados ficaram abaixo das projeções do BTG Pactual e do Safra. Essa situação ocorre em meio a uma pressão sobre os preços, margens comprimidas e um ambiente desafiador para os setores de biscoitos e massas no Brasil. Por volta das 12h07, as ações da companhia apresentaram uma queda de 11,85%.
Dados Financeiros Importantes
O Ebitda ajustado da empresa ficou entre R$ 180 milhões e R$ 184 milhões, dependendo dos ajustes que cada banco considerou. Esses números estão muito aquém das estimativas feitas previamente. De acordo com o BTG, o indicador apresentou uma redução de 34% em relação à sua previsão, enquanto o Safra identificou um resultado que foi 26% inferior ao esperado e 28% abaixo do consenso do mercado.
A margem Ebitda caiu para aproximadamente 8%, retornando assim a um nível de um dígito. Essa queda levanta questionamentos sobre a capacidade da empresa de recuperar sua rentabilidade ao mesmo tempo em que busca ganhar participação de mercado. O BTG destacou que este foi o terceiro trimestre consecutivo com “miss” relevante no Ebitda.
Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla observaram que a tentativa da M. Dias Branco de recuperar volumes de venda parece estar custando cada vez mais a cada trimestre.
Receita Líquida e Volume de Vendas
A receita líquida da empresa permaneceu praticamente estável em comparação ao ano anterior, alcançando cerca de R$ 2,2 bilhões. Essa estabilidade foi impactada pela queda nos preços médios, mesmo com o aumento nos volumes vendidos. No total, os volumes alcançaram 408 mil toneladas, apresentando uma alta de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que representa o maior volume vendido desde o primeiro trimestre de 2020, segundo informações do BTG. No entanto, os preços médios caíram entre 3% e 5%, dependendo da base de comparação utilizada.
O banco Safra apontou que a principal problemática deste trimestre foi a deterioração dos preços. “O efeito de mix pressionou preços e margem bruta, apesar do custo por quilo ter se mostrado abaixo do esperado”, ressaltou a instituição.
Impactos do Comportamento do Mercado
A companhia atribuiu a queda de preços ao maior peso de categorias como farinha, farelo e gordura vegetal industrial, que foram impulsionadas pelo setor de food service. Apesar dos desafios, o mercado observou um movimento promocional mais agressivo da empresa, especialmente nas categorias de biscoitos e massas.
Conforme dados da Nielsen mencionados nos relatórios, o mercado de biscoitos e crackers no Brasil cresceu 3% em valor no trimestre, embora tenha registrado uma queda de 4% nos volumes. O segmento de massas, por sua vez, também apresentou uma retração de 4% em volume.
Apesar das dificuldades, a M. Dias Branco conseguiu aumentar sua participação de mercado em biscoitos e crackers, com um crescimento que varia entre 1,2 ponto percentual e 1,9 ponto percentual, dependendo da métrica utilizada. A companhia manteve uma fatia de mercado estável no segmento de massas.
Despesas e Questões Estratégicas
Ainda assim, o BTG advertiu que a empresa está tentando crescer em categorias que parecem ser estruturalmente mais fracas. “O elemento mais preocupante é que os segmentos mais relevantes para a M. Dias Branco parecem estar encolhendo”, destacou o banco. Nesse contexto, as despesas comerciais também aumentaram de forma significativa. As despesas com vendas atingiram 20,5% da receita, o maior nível registrado em cinco anos, enquanto as despesas totais de SG&A alcançaram o patamar mais alto da história por tonelada vendida.
Os analistas começam a questionar a viabilidade das metas anteriores de margem Ebitda, que eram estimadas entre 15% e 20%.
Expectativas para o Futuro e Desafios
Para o BTG, o cenário competitivo, as transformações na cadeia de distribuição de alimentos e os novos hábitos de consumo tornaram cada vez mais distante a possibilidade de atingir os objetivos de margem. Adicionalmente, as perspectivas de custos também podem piorar. Após um período de alívio relacionado ao fortalecimento do real e à queda dos preços das commodities, tanto o trigo quanto o óleo de palma estão começando a subir novamente, o que pode exerçer uma pressão adicional sobre as margens da empresa.
“Nossa estimativa de margem Ebitda de 12% para 2026 agora parece excessivamente otimista”, destacou o BTG, indicando que haverá revisões nas projeções.
Apesar dessas pressões operacionais, o balanço da companhia ainda se apresenta saudável. Ao final do trimestre, a organização reportou uma posição de caixa líquida de R$ 688 milhões e uma alavancagem negativa de 0,6 vez Ebitda, segundo informações do Safra.
Entretanto, o fluxo de caixa livre caiu 66% em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 63 milhões. Tanto o BTG quanto o Safra mantiveram uma recomendação neutra para as ações da empresa. O BTG definiu um preço-alvo de R$ 25 para a MDIA3, enquanto o Safra ajustou sua estimativa para R$ 29.
Fonte: www.moneytimes.com.br


