Magazine Luiza (MGLU3) descarta competição com Mercado Livre e afirma: 'Não acreditamos nesse modelo', revela CEO.

Magazine Luiza (MGLU3) descarta competição com Mercado Livre e afirma: ‘Não acreditamos nesse modelo’, revela CEO.

by Ricardo Almeida
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Magazine Luiza não irá brigar por produtos de baixo custo

O Magazine Luiza (MGLU3) decidiu não entrar de forma agressiva na competitividade por produtos de baixo custo, especialmente no que diz respeito à oferta de frete gratuito e outros subsídios, como tem sido feito por empresas como Mercado Livre e Shopee. O direcionamento estratégico da companhia está fundamentado na busca por rentabilidade.

Teleconferência de Resultados

Durante a teleconferência que apresentou os resultados do trimestre, realizada na última sexta-feira (7), o CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, enfatizou que a presença na atual competição no e-commerce não faz parte dos planos da empresa. A prioridade neste momento reside em assegurar margens e rentabilidade adequadas.

Trajano salientou que é essencial operar com uma margem de contribuição positiva, afirmando que a companhia nunca priorizou o crescimento em detrimento de prejuízos. Ele lembrou um episódio de “guerra no 1P” (estoque próprio), que foi considerado irracional pela empresa, que preferiu não participar dessa disputa.

“Perseveramos e atingimos um tamanho respeitável no 1P. Mesmo naquele período, ao abrirmos mão de crescimento e até registrarmos uma queda em alguns trimestres, percebemos que a guerra naquele momento era irracional”, ponderou o CEO, acrescentando que a atual competição no e-commerce resulta em margens de contribuição negativas.

“Não acreditamos nesse modelo e nunca acreditamos. Ademais, nosso resultado é gerado aqui no Brasil. O custo de capital da empresa está aqui. Se apresentarmos resultados muito negativos, não contamos com uma matriz que possa nos enviar recursos para honrar nossos compromissos no final do ano. Precisamos operar com nossa própria capacidade”, afirmou.

Ecossistema como Pilar Estratégico

O executivo reforçou uma mensagem que a companhia tem transmitido ao mercado ao longo de vários trimestres: o ecossistema desenvolvido pela empresa é um pilar fundamental para sustentar suas operações em um cenário de juros elevados, que atualmente se encontram em 15% com a Selic.

É importante destacar que o Magazine Luiza possui subsidiárias como Época, Netshoes e KaBuM, além de divisões que abrangem logística, finanças e soluções de cloud. Essas unidades operam dentro de um ecossistema que visa reduzir a dependência do varejo tradicional.

Integração do Online e Offline

Neste universo, a companhia mantém um foco na combinação de operações online e offline. Em breve, a varejista deve divulgar a inauguração de uma nova unidade no Conjunto Nacional, chamada Galeria Magalu. Essa loja será um espaço que integrará o Magazine Luiza e suas três subsidiárias.

Além disso, o Magazine Luiza anunciou recentemente o “WhatsApp da Lu”, uma ferramenta que permitirá aos consumidores realizarem compras diretamente pelo WhatsApp. Este recurso oferece a possibilidade de buscar e comparar produtos, além de efetuar a compra através da plataforma de mensageria.

A ferramenta foi disponibilizada inicialmente para um milhão de clientes recorrentes do Magazine Luiza, aqueles que apresentam um histórico de compra de, ao menos, 10 produtos por ano. Até o final de 2025, a empresa planeja expandir este serviço para sua base total, que conta com mais de 30 milhões de consumidores ativos.

Desafios do Mercado e Cenário Atual

Frederico Trajano menciona que os níveis de juros atuais contribuem para o que ele define como uma “tempestade perfeita”. De um lado, existe a forte competição no setor, especialmente em relação aos produtos de custo inferior, que atualmente não são a prioridade do Magazine Luiza. Por outro lado, o contexto econômico dificulta a obtenção das melhores condições de compra para produtos de maior ticket.

A mensagem do CEO reflete um claro compromisso com a multicanalidade e a implementação do AI Commerce como fundamentos para um novo ciclo de crescimento para a empresa.

O executivo acredita que a redução das taxas de juros deve ser iniciada no próximo ano, e que esses ciclos costumam criar condições favoráveis para a categoria do Magazine Luiza. Além disso, existe um otimismo em relação a 2026, por ser um ano de Copa do Mundo, um fator que historicamente benficiou o varejo.

Resultados do 3T25

No terceiro trimestre de 2025 (3T25), o Magazine Luiza registrou um lucro líquido ajustado de R$ 21,2 milhões. Essa quantia representa uma redução de 69,8% em comparação aos R$ 70,2 milhões reportados no mesmo período do ano anterior.

Apesar dessa queda, o resultado da companhia foi superior às expectativas do mercado, que previa um lucro líquido de R$ 4 milhões para o período, conforme apontaram projeções da Bloomberg.

No relatório de resultados publicado nesta quinta-feira (6), a companhia destacou que, levando em consideração receitas não recorrentes, o lucro líquido totaliza R$ 84,6 milhões no trimestre.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que reflete o desempenho operacional, atingiu R$ 711,4 milhões, apresentando um leve recuo de 0,09% em comparação ao terceiro trimestre de 2024. Esse montante superou a estimativa de consenso de R$ 707 milhões.

Já a margem Ebitda ajustada apresentou uma redução de 0,1 ponto percentual, fixando-se em 7,9% no terceiro trimestre deste ano, mantendo-se estável em relação ao ano anterior.

Um dos fatores que impactaram negativamente o lucro do Magazine Luiza foram as despesas financeiras, que aumentaram 35,6% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 488,1 milhões. A varejista atribui essa piora ao aumento das taxas de juros.

No 3T25, as vendas totais, englobando lojas físicas, e-commerce com estoque próprio (1P) e marketplace (3P), totalizaram R$ 15,1 bilhões.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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