Danos Severos em Ativos de Energia no Oriente Médio
O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, declarou na última segunda-feira que, desde o início da guerra no Irã, ao menos 40 ativos de energia em nove países do Oriente Médio sofreram danos “severos ou muito severos”, levantando preocupações sobre interrupções prolongadas no fornecimento de energia.
Em um pronunciamento feito no National Press Club, localizado na capital da Austrália, Birol comentou que os danos a campos de petróleo e gás, refinarias e oleodutos na região levarão tempo para serem reparados.
Esses comentários surgem em um momento em que os participantes do mercado estão atentos às ameaças entre os Estados Unidos e o Irã em relação às instalações de energia, à medida que o crescente conflito regional entra em sua quarta semana.
Impacto no Comércio de Energia
A guerra no Irã causou uma séria interrupção nos fluxos de comércio de energia pelo estreito estratégico de Ormuz, criando, segundo a AIE, a maior interrupção no fornecimento na história do mercado global de petróleo. O fornecimento global de gás natural liquefeito (GNL) também foi reduzido em aproximadamente 20% desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Birol enfatizou que as consequências decorrentes da guerra no Irã são equivalentes às duas grandes crises do petróleo da década de 1970 e à crise de gás de 2022 “juntas”.
Ele acrescentou: “E, se me permitem, não se trata apenas de petróleo e gás. Algumas das artérias vitais da economia global, como petroquímicos, fertilizantes, enxofre e hélio, estão com o comércio interrompido, o que terá sérias consequências para a economia global.”
Ameaças entre os EUA e o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, no último sábado, “obliterar” as usinas de energia do Irã caso Teerã não reabra completamente o estreito de Ormuz dentro de 48 horas.
Esse estreito é um corredor marítimo crucial que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, pelo qual cerca de 20% do petróleo e do gás globais normalmente trafegam.
O porta-voz do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, respondeu afirmando que a infraestrutura crítica e as instalações de energia na região do Golfo poderiam ser “irreversivelmente destruídas” caso as usinas iranianas fossem atacadas.
Reabertura do Estreito de Ormuz
Considerando que a navegação no estreito de Ormuz praticamente parou desde o início do conflito, Birol, da AIE, afirmou que a reabertura dessa via hídrica representa a “solução mais importante” para a crise global de energia.
Ele destacou a Ásia como a região mais afetada pelo choque energético causado pela guerra no Irã e mencionou que a AIE está preparada para lidar com a histórica liberação de 400 milhões de barris de petróleo no mercado, ocorrida em 11 de março.
“Se for necessário, claro, nós faremos isso”, afirmou Birol.
A CNN Brasil contribuiu para este relatório.
Fonte: www.cnbc.com