Necessidade de Transformação na Política Agrícola do Brasil
O atual modelo de política agrícola brasileiro é considerado antiquado e requer uma reforma significativa, conforme avaliação do professor do Insper, Marcos Jank.
Problemas Estruturais
Jank descreve a situação da política agrícola como se fosse um “edifício” infestado por “cupins no porão”. Segundo ele, todo o modelo do Plano Safra, que inclui o crédito rural, a segmentação dos agricultores em categorias como Pronaf e Pronamp, e o investimento insuficiente em seguros rurais estão ultrapassados.
“Precisamos rever os instrumentos, o uso dos recursos e as prioridades. O seguro rural se tornou muito mais importante porque o risco aumentou. Também é necessário expandir a irrigação e desenvolver variedades mais resistentes, mas tudo ainda está preso a um modelo do passado”, conclui Jank.
Redefinição de Bens Públicos
De acordo com o professor, é essencial redefinir quais bens públicos a política agrícola deve garantir. Entre esses bens estão a pesquisa, a inovação, o acesso a mercados e a gestão de riscos. Ele ressalta que o redesenho deve abranger todo o Ministério da Agricultura, especialmente num ano de eleições presidenciais.
Direcionamento do Crédito Rural
Jank também destaca que o crédito rural oficial é predominantemente direcionado aos pequenos produtores, que, segundo ele, representam uma parte relativamente pequena da produção total. “Os grandes produtores rurais têm buscado cada vez mais utilizar instrumentos de mercado. Essa conexão entre o agro e a Faria Lima deve gerar uma reflexão profunda sobre Fiagros, CRAs e LCAs. A CPR desempenhou um papel fundamental. Precisamos olhar para o futuro e nos inspirar em práticas mais modernas adotadas por outros países em suas políticas agrícolas”, enfatiza.
Expectativas para o Agronegócio em 2026
A perspectiva do professor Jank para o cenário macroeconômico de 2026 é pessimista. Ele não antecipa mudanças substanciais nas ações já implementadas pelo Ministério da Agricultura, especialmente considerando a expectativa de uma restrição ainda maior de recursos.
Desafios Macroeconômicos
Segundo Jank, “As políticas macroeconômicas serão desfavoráveis. O seguro rural não contará com um programa de blindagem de recursos. O crédito rural enfrenta enormes dificuldades, com juros bastante altos, e o dólar ainda é cercado de incertezas. Observa-se um grande desequilíbrio nas políticas fiscais”.
Impactos no Curto Prazo
No curto prazo, o professor não vê outras alternativas a não ser a ocorrência de eventos climáticos extremos. “Quando ocorrem problemas climáticos, sempre existem ganhadores e perdedores, mesmo que isso tenha um impacto negativo no longo prazo. É muito difícil prever a rentabilidade. Acredito que será um ano complicado, tanto por ser eleitoral quanto por causa das questões geopolíticas que se tornam cada vez mais complexas”, conclui Jank.
Fonte: www.moneytimes.com.br


