Impacto da Taxa de Juros na Geração de Empregos
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, declarou, em uma coletiva realizada nesta quinta-feira (29), que a alta da taxa básica de juros, atualmente estabelecida em 15% ao ano, teve um impacto mais significativo sobre a geração de empregos em 2025 do que as tarifas elevadas impostas pela administração de Donald Trump. Essas afirmações foram feitas durante a apresentação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que indicaram a criação de 1,28 milhão de novas vagas formais no acumulado do ano, resultado considerado o pior desde 2020, ano marcado pela pandemia.
Comparação dos Efeitos Econômicos
O ministro ressaltou que, embora a política tarifária americana tenha causado efeitos, a desvalorização advinda do aumento das taxas de juros teve um impacto mais prejudicial do que o das tarifas. "O tarifaço impactou, claro, mas acho que o impacto dos juros foi maior que o do tarifaço. Do ponto de vista global da indústria, o efeito dos juros é mais danoso", afirmou Marinho.
Ele também comentou que os efeitos da sobretaxa americana foram mais pronunciados em setores específicos da economia brasileira. Marinho acrescentou que as medidas de abertura de mercados, juntamente com as iniciativas de apoio aos empresários afetados, ajudaram a mitigar um pouco os impactos negativos sobre o mercado de trabalho.
Dados do CAGED
De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o Brasil criou 1,28 milhão de novas vagas formais de trabalho em 2025. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Esse número é o resultado de 26,6 milhões de contratações realizadas ao longo do ano, enquanto 25,3 milhões de demissões foram registradas. Em comparação a 2024, houve uma queda de 23% na criação de empregos formais. No ano passado, aproximadamente 1,67 milhão de novos postos de trabalho com carteira assinada haviam sido criados.
Resultados Históricos e Sazonalidade
Os dados de 2025 representam o pior desempenho para um ano consolidado desde 2020, quando foi observado um saldo negativo de 189 mil vagas. Para dezembro de 2025, foi verificado um saldo negativo de 618 mil, refletindo uma tendência sazonal típica na conclusão deste mês.
Tradicionalmente, o CAGED costuma fechar o mês de dezembro com um saldo negativo devido a fatores sazonais. O principal deles é a finalização dos contratos temporários no comércio e nos serviços, que geralmente são abertos para atender à demanda do final de ano. Adicionalmente, muitas empresas tendem a ajustar seus custos e encerrar projetos no fechamento do ano.
Composição dos Novos Empregos
Dos postos de trabalho criados ao longo de 2025, 78,4% foram classificados como empregos típicos, enquanto 21,6% foram considerados não típicos. Em relação aos setores de atividade, todos os cinco principais grupos de trabalho registraram saldo positivo.
O setor de serviços foi o principal responsável pela criação de empregos, com 758,8 mil novas vagas, seguido pelo comércio, que gerou 247,1 mil empregos, a indústria com 144,3 mil, a construção civil com 87,8 mil e a agropecuária com 41,8 mil novas oportunidades.
Desempenho por Unidades da Federação
Em 2025, todas as 27 unidades da federação do Brasil apresentaram um saldo positivo na criação de empregos. São Paulo se destacou com a criação de 311 mil postos de trabalho, seguido pelo Rio de Janeiro, que gerou 100,9 mil novas vagas, e pela Bahia, que registrou 94 mil.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br