Fusão entre Marfrig e BRF resulta na criação da MBRF
A Marfrig Global Foods (BOV:MRFG3) e a BRF S.A. (BOV:BRFS3) anunciaram a conclusão da fusão de suas operações, resultando na formação da nova companhia, chamada MBRF (BOV:MBRF3). O lançamento oficial ocorreu na bolsa de valores brasileira nesta terça-feira, 23 de setembro. A nova empresa apresenta uma receita líquida anual aproximada de R$160 bilhões e possui uma presença consolidada em 117 países, posicionando-se como uma das maiores empresas do setor alimentício global.
Detalhes da fusão
A operação que culminou na fusão foi anunciada em maio e enfrentou diversos obstáculos ao longo do processo. A votação em assembleia geral extraordinária (AGE) teve que ser adiada em razão de intervenções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também devido a uma ação popular pela Previ, um fundo de pensão vinculado ao Banco do Brasil (BOV:BBAS3). Apesar das dificuldades, a incorporação foi aprovada pelos acionistas em agosto. Em setembro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou a fusão de forma unânime e sem restrições.
O comando executivo da nova companhia ficará sob responsabilidade de Miguel Gularte, que é o atual CEO da BRF, enquanto reportará ao chairman Marcos Molina, controlador da Marfrig. O comitê executivo da MBRF será composto por oito vice-presidências, abrangendo áreas como finanças, mercado halal, bovinos e operações industriais.
Na véspera de sua estreia, as ações da Marfrig (MRFG3) encerraram as negociações a R$12,60, enquanto as da BRF (BRFS3) estavam cotadas a R$17,31, refletindo os preços de referência para a migração à MBRF3. Com a listagem confirmada, analistas manifestaram expectativa de que a estreia da MBRF atraia a atenção significativa dos investidores, que estarão atentos aos próximos balanços financeiros da nova empresa e às sinergias a serem capturadas entre as duas companhias.
Visão do mercado após a fusão
As ações da MBRF (MBRF3) começaram sua trajetória na B3 apresentando volatilidade, conforme observado no primeiro pregão da empresa combinada, nesta terça-feira. No início das negociações, os papéis chegaram a registrar uma alta de 2,37%, alcançando R$21,62, mas esse movimento foi invertido ao longo da manhã. Por volta das 10h50, as ações apresentavam uma queda de 1,52%, cotadas a R$20,80.
Valorização e recomendações do mercado
Em análise do Bradesco BBI, a fusão simplifica a estrutura societária e cria uma plataforma mais diversificada e robusta do que a existência isolada da Marfrig e BRF. O banco iniciou a cobertura da nova companhia com recomendação neutra e um preço-alvo projetado de R$24 por ação para o ano de 2026. Essas projeções levam em consideração múltiplos de 6,7 vezes EV/EBITDA e 11,8 vezes EV/EBIT durante o período.
Desafios e potencial futuro
Apesar da análise positiva sobre o potencial da MBRF, o BBI ressalta que o cenário de curto prazo ainda apresenta desafios. Especificamente, as margens da carne bovina nos Estados Unidos devem permanecer sob pressão, enquanto o setor de carne bovina no Brasil parece capaz de alcançar resultados sólidos, mesmo em meio ao ciclo de reversão. No que diz respeito ao mercado de aves, as expectativas são de que as margens comecem a se normalizar assim que a oferta se reequilibrar.
O banco prevê um EBITDA ajustado de meio ciclo em aproximadamente R$15,8 bilhões, reforçando a perspectiva de longo prazo da MBRF. Contudo, a estimativa para 2026 é de R$12,5 bilhões, refletindo os impactos adversos dos ciclos de proteína menos favoráveis em um horizonte mais imediato.
Para o Bradesco BBI, a união entre Marfrig e BRF resulta em uma plataforma sólida com grande potencial de geração de valor no futuro. Todavia, aspectos como avaliações relativas e um crescimento lento dos lucros em momentos recentes podem limitar os estímulos para uma valorização das ações no curto prazo.
Fonte: br.-.com

