Em 2011, decidi deixar uma carreira de advogado que rendia seis dígitos e me aposentei aos 41 anos. Acreditava que estava preparado financeiramente. Mas, emocionalmente? Não tanto.
Após décadas de trabalho, eu estava acostumado com o senso de propósito que minha carreira me proporcionava e assumi que precisaria abrir mão disso assim que parasse de trabalhar. Meu maior temor se manifestou na forma de uma grande incerteza: o que eu faria com todo aquele tempo não estruturado?
Avançando 14 anos, meus dias estão tudo menos ociosos. Minha esposa e eu agora moramos em Portugal, o país que lidera a lista de locais para onde os americanos desejam se mudar. Passo meu tempo livre desfrutando da culinária local com amigos e caminhando por trilhas costeiras repletas de flores silvestres. Aposentar-me precocemente foi uma das melhores decisões que já tomei, mas lembro-me de como foi avassalador no início.
A seguir, compartilho o que aprendi até agora na aposentadoria antecipada e porque não me arrependo dessa escolha.
1. A incerteza é uma oportunidade, não um obstáculo
Segui um caminho previsível durante a maior parte da minha vida adulta: faculdade de direito, estágios de verão e, eventualmente, uma carreira jurídica estável. Então veio a crise financeira de 2008. O escritório em que trabalhava faliu — e, com isso, minha sensação de direção. Não conseguia me imaginar fazendo outra coisa além de atuar como advogado.
Poderia ter permanecido na indústria. Mas, ao invés disso, optei pela incerteza. A maioria das pessoas pensa que a aposentadoria precoce significa não trabalhar mais. Porém, trata-se de redefinir sua identidade sem um mapa a seguir. Isso exigiu uma mudança de mentalidade: tive que me tornar um explorador.
Essa mentalidade nos levou a Portugal, um país onde não falávamos a língua, não conhecíamos ninguém e não tinha ideia do que esperar no dia a dia. No início, foi desorientador. Mas a incerteza se tornou nossa motivação para crescer, aprender e construir uma vida gratificante do zero.
Se você está adiando a aposentadoria por não saber o que vem a seguir, essa pode ser exatamente a razão pela qual vale a pena seguir em frente. A incerteza poderia ser sua oportunidade de explorar caminhos que nunca imaginou.
2. É possível ainda prosperar financeiramente, mesmo sem um salário
Quando nos aposentamos pela primeira vez, minha esposa e eu presumi que iríamos gradualmente reduzir nossas economias ao longo do tempo e esperávamos que durassem. No entanto, algo surpreendente aconteceu: nosso patrimônio líquido continuou crescendo.
Uma das principais razões para isso é que viver em Portugal reduziu drasticamente nossas despesas. Veja os valores que economizamos anualmente em comparação com nossa antiga vida em Washington, D.C.:
- US$ 15.000 em impostos estaduais sobre a renda
- US$ 25.000 em seguro saúde e franquias
- US$ 14.000 em impostos sobre propriedade
- US$ 20.000 em alimentação, entretenimento e custos diários
No total, estimamos que economizamos cerca de US$ 5.000 por mês apenas por viver no exterior.
Continuamos a seguir a mesma estratégia financeira que utilizávamos enquanto trabalhávamos: viver abaixo das nossas posses, reinvestir a diferença e deixar o rendimento composto fazer seu trabalho. A única diferença é que agora, ao invés de salários, nossa renda provém de investimentos.
A aposentadoria não precisa ser o fim da construção de riqueza. Pode até mesmo ser o começo de uma versão mais sustentável e intencional dela.
3. Encontrar propósito na aposentadoria é tão importante quanto encontrá-lo na carreira
Esteja você trabalhando ou não, a maioria de nós busca a mesma coisa: sentir que somos importantes e que estamos fazendo uma contribuição.
Quando nos aposentamos pela primeira vez, tínhamos um senso de propósito embutido como pais de uma criança pequena. Participamos de atividades escolares, estudamos a língua local e construímos uma nova vida em Lisboa.
Porém, quando nossa filha foi para a faculdade, voltamos ao ponto de partida. Nossos horários se esvaziaram e enfrentamos a mesma pergunta que fizemos em 2011: o que fazemos com todo esse tempo?
Antes de nos lançarmos em hobbies ou compromissos, elaboramos um plano. Identificamos seis prioridades centrais que trazem significado para nossas vidas:
- Construir e fortalecer amizades
- Cuidado pessoal e saúde física
- Tempo de qualidade como casal
- Viagens
- Trabalho voluntário e retribuição à comunidade
- Aprender novas habilidades
Uma vez estabelecidas essas prioridades, tornou-se mais fácil construir uma rotina que se sentisse gratificante.
Atualmente, minha esposa faz trabalho voluntário em nosso clube de tênis, participa de aulas de cerâmica e de holandês, e pratica esportes. Eu estou focado em escrever, em coaching de aposentadoria como freelancer e em ajudar uma organização sem fins lucrativos local como consultor. Organizamos jantares, exploramos novas receitas e fazemos pequenas viagens pela Europa.
Com a mentalidade certa, a aposentadoria antecipada pode ser o ponto de partida perfeito para uma nova fase. É necessário estar disposto a abraçá-la.
Alex Trias é um advogado aposentado. Ele e sua esposa vivem em Portugal desde 2015. Ele escreve sobre planejamento tributário, investimentos, aposentadoria precoce e a vida de expatriado em Substack.
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Fonte: www.cnbc.com

