Cenário de Risco em Créditos Privados
Um cenário que alguns profissionais do mercado já haviam alertado sobre os riscos do crédito privado está começando a se concretizar.
Alerta dos Analistas
No verão passado, analistas da Moody’s Investors Service haviam alertado que a participação de investidores de varejo em mercados privados poderia trazer riscos. Entre suas preocupações estava a percepção de que investidores de varejo, acostumados à liquidez diária de ETFs e ações, poderiam ser pegos de surpresa pela dificuldade de negociar ativos privados de maneira fácil. "Uma das preocupações mais prementes para os investidores da ‘Main Street’ é a liquidez e a falta inerente dela nos mercados privados. Investidores de varejo frequentemente necessitam de acesso mais rápido ao seu capital e possuem menor flexibilidade de investimento a longo prazo", afirmou a empresa na época.
Crescente Demanda por Resgates
Avançando para o presente, os fundos voltados para investidores de varejo de grandes empresas, como Blackstone e Blue Owl, estão registrando um aumento significativo de pedidos de resgate. A Blue Owl foi um dos primeiros grandes grupos de capital privado a suscitar inquietação sobre retiradas, quando foi noticiado no mês passado que a empresa interromperia permanentemente os resgates de seu fundo Capital Corp II, um fundo de dívida privada que havia sido aberto para investidores de varejo.
Os investidores, em vez de poder solicitar um resgate trimestralmente, agora têm como opção receber pagamentos incrementais da empresa à medida que ela vende ativos ao longo do tempo, segundo informações da Blue Owl.
Resgates Recordes na Blackstone
A Blackstone, que também é uma presença significativa no setor de crédito privado, enfrentou um recorde de pedidos de resgate, totalizando US$ 3,8 bilhões. O volume de solicitações foi tão elevado que a empresa contou com a ajuda de mais de 25 executivos, que mobilizaram US$ 150 milhões de seus próprios fundos para atender aos pedidos de resgate.
Em entrevista à CNBC nesta semana, Jon Gray, presidente da Blackstone, afirmou que os clientes institucionais da empresa continuavam a investir "quantias significativas" em crédito privado, sugerindo que a vontade de retirar dinheiro era alimentada pela apreensão de outros tipos de investidores. "Há um ciclo constante de notícias", comentou ele sobre os eventos recentes no setor, incluindo os colapsos de alto perfil do ano passado envolvendo a First Brands e a Tricolor Holdings. "Quando isso acontece, não é surpresa que os investidores fiquem nervosos."
Incertezas Persistentes no Setor
Embora o crédito privado não pareça estar à beira de um colapso iminente, surgem cada vez mais preocupações no meio de uma série de manchetes que alimentam o pânico. No quarto trimestre, a BlackRock reduziu o valor de um empréstimo de US$ 25 milhões para a Infinite Commerce Holdings para zero, após previamente avaliá-lo em 100 centavos de dólar, conforme um despacho que foi inicialmente identificado pela Bloomberg.
Em fevereiro, o Business Insider reportou que a Blue Owl não conseguiu garantir um empréstimo para o centro de dados de US$ 4 bilhões da Coreweave, devido à hesitação de outros credores e investidores no setor. Em dezembro, o Financial Times noticiou que as negociações entre a Blue Owl e a Oracle para construir um centro de dados de US$ 10 bilhões haviam parado, embora a Oracle tenha negado os detalhes do relatório.
Fonte: www.businessinsider.com


