Mensagens e Apoio Financeiro
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelam que o Banco Master recorreu a aportes do Banco de Brasília pelo menos desde agosto de 2024, em um esforço para lidar com uma crise de liquidez que se intensificava a cada mês. O anúncio oficial da compra do Banco Master pelo BRB ocorreria apenas em março de 2025.
Os diálogos, obtidos de forma exclusiva pelo jornal Estadão e apresentados de acordo com o noticiário do veículo, sugerem que o banco estatal do Distrito Federal já estava atuando como suporte financeiro ao Banco Master muito antes de qualquer operação formal ser concretizada.
Uso de Depósito Compulsório
No dia 2 de setembro de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, indicando que ele utilizaria o depósito compulsório da instituição caso o BRB não transferisse os recursos prometidos para aquela data. O depósito compulsório é uma reserva obrigatória estipulada pelo Banco Central, que visa garantir a liquidez das instituições financeiras e a segurança do sistema financeiro nacional. Acionar essa medida indicaria uma situação de severa pressão nos fluxos de caixa da entidade.
No dia seguinte, Vorcaro reiterou a necessidade de uma resposta sobre a Cédula de Crédito Bancário que estava sendo negociada. Ele mencionou que a operação estava paralisada há 15 dias e solicitou uma definição imediata. Lima respondeu que a parte contrária havia assegurado que liquidaria o montante até a quinta-feira seguinte.
Aprofundamento da Crise
A partir de julho de 2024, o Banco Master começou a transferir carteiras de crédito consignado ao BRB como uma maneira de facilitar os aportes. Até o final de 2024, essas carteiras continham lastro real. Entretanto, conforme as investigações indicam, foi nesse período que a instituição começou a criar carteiras falsas como um meio de sustentar o fluxo de recursos.
No mês de agosto daquele ano, Vorcaro expressou preocupação ao receber a informação de que o BRB poderia não realizar um dos repasses prometidos. Em troca de mensagens com Lima, o ex-sócio alegou ter informações divergentes, afirmando que os R$ 400 milhões seriam transferidos conforme planejado.
Em dezembro, a pressão sobre o Banco Master havia se intensificado. Vorcaro informou a Lima que a instituição precisava de aproximadamente R$ 600 milhões em caixa para regularizar suas pendências financeiras. Lima respondeu que esse valor seria disponibilizado naquela mesma semana.
Recusas e Criação de Estruturas de Fraude
Em janeiro de 2025, o Banco de Brasília começou a analisar as carteiras recebidas do Banco Master e rejeitou uma parte delas. Vorcaro requereu celeridade na situação, e Lima explicou que o banco público estava demandando carteiras de perfil mais rigorosamente selecionado.
Durante esse período, o Banco Master começou a repassar carteiras da Tirreno, uma empresa que os investigadores identificaram como uma estrutura criada por Vorcaro para fraudar operações de injeção de recursos, em colaboração com o banco estatal.
Antes do anúncio oficial da aquisição, o Banco Master já havia transferido R$ 4,6 bilhões ao BRB através de 20 contratos: seis contratos em janeiro, totalizando R$ 1,66 bilhão; seis contratos em fevereiro, com um montante de R$ 1,82 bilhão; e oito contratos em março, somando R$ 1,12 bilhão.
Prisão e Liquidação do Banco Master
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso na quinta-feira (16) durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, sob suspeitas de envolvimento em corrupção e irregularidades na aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras que as autoridades consideram fraudulentas.
Vorcaro encontra-se detido desde 4 de março e está em negociações para uma delação premiada. As defesas de Vorcaro e de Paulo Henrique Costa não se manifestaram sobre os conteúdos das conversas publicadas pelo Estadão.
A proposta de compra de uma participação no Banco Master pelo BRB, avaliada em R$ 2 bilhões, foi rejeitada pelo Banco Central em setembro de 2025. O Banco Master foi liquidado em novembro do mesmo ano. Conforme as investigações, a instituição estava envolvida em fraudes que somavam bilhões de reais e desviava recursos para seus controladores através de uma rede de fundos de investimento.
Fonte: timesbrasil.com.br