O crescimento do setor imobiliário, no entanto, não apresentou uma evolução homogênea. Os dados disponíveis revelam uma concentração significativa da atividade em um número restrito de incorporadoras de grande porte, que possuem uma estrutura financeira mais sólida e uma capacidade de execução superior, especialmente em um cenário macroeconômico desafiador. Na prática, o avanço observado no setor refletiu uma mudança na demanda, que se deslocou para projetos de maior valor agregado, o que reforça a posição dos imóveis de padrão elevado como uma reserva de valor.
Concentração de mercado marca o desempenho do ano
Entre as empresas que tiveram o maior volume de lançamentos no último ano, a Cyrela (CYRE3) destacou-se como a líder nacional, seguida pela Moura Dubeux (MDNE3), que registrou um valor geral de vendas (VGV) de R$ 4,6 bilhões ao longo do ano. Em seguida, está o Grupo Plaenge, com R$ 3,1 bilhões, o que evidencia a relevância das operações regionais e de companhias de capital fechado dentro do segmento de maior renda.
A participação da Plaenge entre os maiores do país atraiu atenção durante o ano de 2025. Reconhecida como a maior construtora de capital fechado do Brasil, conforme o ranking Valor 1000, o grupo apresentou o maior índice de velocidade de vendas (VSO) entre as empresas líderes. Dos R$ 3,1 bilhões lançados, R$ 2,8 bilhões foram convertidos em vendas líquidas, o que corresponde a uma impressionante taxa de 90,3%. Esse desempenho sugere uma significativa aderência dos produtos ao perfil da demanda no segmento de médio e alto padrão.
Custos elevados reforçam barreiras de entrada
Apesar do crescimento significativo do VGV, o setor ainda enfrenta desafios estruturais. Informações divulgadas na Sondagem da Indústria da Construção, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), indicam que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) permanece em níveis elevados. Isso pressiona as margens e torna difíceis a realização de novos projetos.
Esse ambiente atual tende a aumentar as barreiras de entrada para incorporadoras de menor porte, favorecendo um cenário de consolidação, onde as empresas que conseguem manter lançamentos, mesmo diante de custos mais altos e crédito restrito, terão uma participação maior no mercado.
A perspectiva para os próximos trimestres é de continuidade da demanda por imóveis, que atuam como instrumento de preservação de patrimônio, principalmente no segmento de maior renda. Com taxas de juros ainda elevadas e opções de investimento apresentando uma volatilidade maior, o mercado imobiliário de médio e alto padrão continua se firmando como um ativo defensivo, em um setor que se torna cada vez mais concentrado e profissionalizado.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br

