Mercado vê Chevron como a grande vencedora na Venezuela, mas gigantes do petróleo enfrentam um longo caminho pela frente.

Mercado vê Chevron como a grande vencedora na Venezuela, mas gigantes do petróleo enfrentam um longo caminho pela frente.

by Patrícia Moreira
0 comentários

Situação da Indústria de Petróleo na Venezuela

Uma gasolinera Chevron em São Francisco, em 28 de outubro de 2025.

Contexto Atual

O apelo do presidente Donald Trump para que as empresas petrolíferas dos Estados Unidos reestruturem o setor de energia da Venezuela, após a derrubada do presidente Nicolás Maduro, é mais fácil de ser feito do que concretizado. Segundo analistas de Wall Street, a Chevron possui uma vantagem nesse cenário, sendo a única grande empresa petrolífera americana atualmente operando na Venezuela. ExxonMobil e ConocoPhillips deixaram o país após a nacionalização da indústria e a apreensão de seus ativos em 2007, durante o governo do ex-presidente Hugo Chávez.

Reservas de Petróleo

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, totalizando 303 bilhões de barris, conforme informações da Administração de Informação de Energia dos EUA. No entanto, um longo e dispendioso caminho se desenha para que as grandes empresas petrolíferas dos EUA consigam restaurar a produção da Venezuela, que atingiu 3,5 milhões de barris por dia na década de 1990.

"É uma área de alto risco para as empresas de petróleo investirem", afirmou Arne Lohmann Rasmussen, analista chefe e responsável pela pesquisa na Global Risk Management.

Investimentos Necessários

Para apenas manter o nível de produção de petróleo bruto em 1,1 milhão de barris por dia nos próximos 15 anos, seria necessário um investimento em torno de 53 bilhões de dólares, segundo estimativas da consultoria Rystad Energy. Os gastos de capital necessários para alcançar 3 milhões de barris por dia até 2040 mais que triplicariam, totalizando 183 bilhões de dólares, de acordo com a mesma fonte.

Certainty and Stability

As grandes petrolíferas dos EUA buscam garantir quem está no comando em Caracas e a estabilidade do governo, conforme comentou Bob McNally, fundador da Rapidan Energy.

Elas precisam saber se o regime legal e fiscal será duradouro, pois investimentos em energia são projetos de longa duração, geralmente de 30 anos, destacou David Goldwyn, que atuou como enviado especial do Departamento de Estado para assuntos energéticos internacionais de 2009 a 2011.

Atualmente, a situação em Caracas é tudo menos certa. No último sábado, Trump afirmou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela após a derrubada de Maduro. O Secretário de Estado Marco Rubio parece ter recuado em sua declaração, informando à NBC News em uma entrevista que os EUA usarão sua influência para pressionar Caracas a atender às demandas americanas.

A vice-presidente Delcy Rodriguez assumiu o poder na Venezuela, prometendo no final de semana que o governo defenderia os recursos do país, mas depois afirmou que Caracas busca cooperar com os Estados Unidos.

Uma grande questão que surge é se a Venezuela poderá retornar a um regime semelhante ao de Maduro no futuro e nacionalizar os ativos petrolíferos novamente, comentou Rasmussen, da Global Risk Management.

Excesso de Reservas

As grandes petrolíferas dos Estados Unidos enfrentarão o dilema de saber se faz sentido financeiro investir dezenas de bilhões de dólares na Venezuela, quando já há uma abundância de petróleo no mundo, conforme destacou McNally, exassessor de energia da Casa Branca durante o governo George W. Bush.

"Existem muitas razões para pensar que este será um caminho longo e tortuoso, ao invés de uma solução rápida", acrescentou McNally.

A Chevron mantém joint ventures com a Petrolífera Estatal da Venezuela (Petróleos de Venezuela), através de uma licença especial emitida pelo governo dos EUA. Essas parcerias são responsáveis por aproximadamente 23% da produção da Venezuela, de acordo com a JPMorgan.

"A empresa estaria em uma posição vantajosa para potencialmente aumentar a produção futura, pois possui recursos petrolíferos significativos através de suas joint ventures e foi um desenvolvedor chave da infraestrutura energética do país", afirmou o analista da JPMorgan, Arun Jayaram, em uma nota aos clientes na última segunda-feira.

As ações da Chevron subiram mais de 5% na segunda-feira.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy