Mercados Europeus Caem com Crise no Oriente Médio; Preço do Petróleo Sobe e Aumenta Temores de Inflação

Mercados Europeus Caem com Crise no Oriente Médio; Preço do Petróleo Sobe e Aumenta Temores de Inflação

by Ricardo Almeida
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Queda nas Bolsas da Europa

No dia 2 de março, as principais bolsas da Europa registraram quedas acentuadas, refletindo um aumento da aversão ao risco em resposta à escalada do conflito no Oriente Médio. Ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã elevaram as tensões geopolíticas, resultando em um aumento significativo nos preços do petróleo e reacendendo preocupações a respeito da inflação e do crescimento econômico global.

Desempenho das Bolsas

O movimento de queda foi generalizado entre as principais bolsas. O FTSE 100 apresentou uma diminuição de 1,20%, fechando em 10.780,11 pontos. O DAX caiu 2,42%, atingindo 24.672,40 pontos. O CAC 40 teve uma perda de 2,17%, fechando em 8.394,32 pontos. O FTSE MIB cedeu 1,97%, com finalização em 46.280,40 pontos. O IBEX 35 registrou uma queda de 2,65%, encerrando em 17.875,00 pontos. Por outro lado, o PSI 20 praticamente se manteve estável, apresentando uma leve baixa de 0,04%, com fechamento em 9.272,47 pontos.

Setores Impactados pelas Flutuações do Petróleo

A valorização acentuada do petróleo despertou novamente o receio de pressões inflacionárias e uma possível desaceleração econômica, afetando negativamente setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como turismo, varejo e bancos. Em contrapartida, empresas ligadas à energia e ao setor de defesa conseguiram atenuar as perdas mais intensas nas suas ações.

Indicadores Macroeconômicos

No âmbito macroeconômico, houve uma revisão que confirmou que o PMI industrial da zona do euro voltou a apresentar crescimento, enquanto o indicador do Reino Unido apresentou uma queda, frustrando as expectativas iniciais. De acordo com análises do Commerzbank, um conflito prolongado pode aumentar a inflação na região em até 1 ponto percentual e reduzir o crescimento em alguns décimos, com o risco de que o preço do petróleo se aproxime de US$ 100, cerca de R$ 519 na cotação atual. O RBC Capital Markets alertou sobre um possível impacto negativo no varejo europeu, enquanto o Vontobel identificou pressão adicional sobre o segmento de luxo.

Destaques do Mercado

Entre os setores com desempenho positivo, as empresas petrolíferas lideraram os ganhos. Var Energi e Equinor registraram altas em torno de 6% e 8%, respectivamente, devido ao aumento nos preços do petróleo. No setor de defesa, a BAE Systems avançou cerca de 5,3%, acompanhada pela Leonardo, que também teve um aumento superior a 2,5%.

No entanto, o turismo e o transporte sofreram quedas expressivas. TUI e Carnival se destacaram entre as baixas, com quedas de aproximadamente 10% e 8%, respectivamente. Companhias aéreas, como IAG e Lufthansa, experimentaram uma retração próxima de 5% cada, refletindo interrupções no tráfego aéreo e o temor de um enfraquecimento na demanda. O setor bancário também enfrentou pressão, registrando uma baixa próxima de 3% diante do risco de inflação mais persistente.

Impactos do Fechamento do Estreito de Ormuz

O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz pode causar um impacto significativo na economia global, afetando diretamente a inflação, o crescimento econômico e a estabilidadade financeira. Essa avaliação foi realizada pelo economista Robson Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Gonçalves apontou que cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa pelo Estreito, que conecta o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia. “Qualquer interrupção significativa nessa rota provocaria um choque imediato nos preços do petróleo”, afirmou.

O primeiro efeito de tal interrupção seria um aumento acentuado no preço do barril no mercado internacional. Isso traria pressão para as cadeias produtivas, pois o petróleo exerce um impacto direto sobre o transporte, a indústria e a produção de alimentos.

O economista explicou que o aumento do preço do petróleo rapidamente se transformaria em uma inflação global, pois o custo do frete aumentaria, os insumos ficariam mais caros e o custo final chegaria ao consumidor.

Flávio Gualter Inácio Inocêncio, diretor da Helios Advisory, afirmou que é possível que os preços do barril alcancem US$ 100 nas próximas semanas. “Mesmo que a Arábia Saudita e outros Estados do Golfo aumentem a oferta, não há como exportar sem o desbloqueio do Estreito de Ormuz”, concluiu ao veículo CNN Money.

Os países que importam energia seriam os mais afetados, especialmente os da Ásia e da Europa, regiões que são altamente dependentes do petróleo que passa por Ormuz.

Expectativas para os Mercados

O aumento dos preços do petróleo tende a pressionar ainda mais os mercados acionários europeus, especialmente se o conflito se prolongar. Setores que são intensivos em energia e sensíveis ao consumo podem continuar enfrentando dificuldades, enquanto as empresas de petróleo, gás e defesa podem manter um desempenho relativo superior. No mercado de câmbio, a busca por proteção resultou na valorização do dólar em relação ao euro e à libra, refletindo um maior nível de cautela global. No âmbito da renda fixa, a preocupação com a inflação mais elevada pode resultar em um aumento dos prêmios de risco e uma pressão sobre os yields dos títulos soberanos.

Ao final do dia, o euro caiu em relação ao dólar, com a paridade Euro vs Dólar apresentando uma baixa de 0,54%, estabelecendo-se em 1,1696. A libra, por sua vez, também perdeu força diante da moeda norte-americana, com um recuo de 0,04%, estabelecendo-se em 1,3401, evidenciando o movimento defensivo dos investidores.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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