Goldman Sachs e a Perspectiva sobre a Microsoft
Fatores de Preocupação e Oportunidade
O Goldman Sachs acredita que os temores relacionados à disrupção causada pela inteligência artificial e o crescimento mais lento do Azure do que o esperado estão exagerados. O banco considera que a recente queda nos preços das ações representa uma oportunidade de compra para os papéis da Microsoft. A instituição mantém sua classificação de compra para a ação pertencente ao grupo chamado de "Magnificent Seven" e estabelece um preço-alvo de 12 meses de $600. As previsões do Goldman sugerem que a gigante da tecnologia pode apresentar uma valorização superior a 49%.
Desempenho das Ações
Desde o início de 2026, as ações da Microsoft caíram 17%, refletindo um recuo mais amplo nas ações de tecnologia, uma tendência ligada ao aumento dos temores em relação à disrupção trazida pela inteligência artificial. Após a divulgação dos resultados mais recentes, as ações da empresa sofreram uma queda de 10%, com os investidores demonstrando insatisfação em relação ao crescimento de 39% na receita do Azure e de outros serviços na nuvem. Este ritmo de crescimento foi inferior ao 40% registrado no primeiro trimestre fiscal e ligeiramente abaixo da previsão média de 39,4% dos analistas de mercado.
Revisões e Expectativas
A analista do Goldman Sachs, Gabriela Borges, destacou que a Microsoft já havia visto uma queda total de 15% desde o relatório de lucros, em parte devido às revisões para cima em suas orientações de gastos de capital, sem ajustes correspondentes nas previsões para o Azure. Isso, conforme relatado, trouxe à tona questionamentos sobre o retorno dos investimentos da Microsoft e a posição competitiva do Azure em relação a seus concorrentes.
Dinâmica do Crescimento do Azure
Borges explicou que o crescimento do Azure em um determinado trimestre é amplamente influenciado pela quantidade de nova capacidade computacional que entra em operação e por como a Microsoft aloca essa capacidade entre casos de uso internos e clientes externos. No momento, a Microsoft enfrenta restrições de oferta, e a capacidade adicional está sendo gradualmente direcionada para usuários internos, como o Copilot e a pesquisa e desenvolvimento, em vez de cargas de trabalho externas que geram receita.
Perspectivas de Monetização
Como resultado, a analista observou que parte dos investimentos em computação da Microsoft ainda não está se refletindo na receita reportada do Azure, gerando preocupações de curto prazo em relação à monetização. Para tranquilizar os investidores, Borges afirmou que a ausência de revisões para cima nas projeções do Azure é simplesmente um subproduto da escolha da Microsoft em priorizar suas iniciativas internas, que são menos visíveis.
Analogias e Comparações
Ela utilizou a analogia de um iceberg para ilustrar sua perspectiva: existe uma parte do capital gasto em computação que está "acima da superfície", ou seja, que é monetizada diretamente e visível nos números do Azure e no Office 365 a cada trimestre. A parte restante é "abaixo da superfície", ou seja, não é monetizada diretamente hoje, mas pode ser no futuro e é altamente estratégica para as prioridades mais amplas da Microsoft.
Borges ressaltou que se a Microsoft tivesse alocado a capacidade incrementada para o Azure, o crescimento do serviço no segundo trimestre fiscal teria superado 40%, em comparação a 38% observado em câmbio constante, sendo que ela estima que o crescimento estaria na faixa baixa dos 40%.
Fonte: www.cnbc.com


