Críticas ao Embaixador dos EUA em Israel
No último sábado, países árabes e muçulmanos condenaram de forma contundente as declarações feitas pelo embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee. Huckabee afirmou que Israel tem direito a muito do Oriente Médio, o que gerou reações adversas na região.
Declarações de Huckabee
As declarações de Huckabee foram feitas durante uma entrevista com o comentarista conservador Tucker Carlson, que foi transmitida na sexta-feira. Carlson afirmou, com base na Bíblia, que os descendentes de Abraão teriam o direito à terra que atualmente compõe praticamente todo o Oriente Médio e questionou Huckabee sobre se Israel teria direito a essa terra.
Huckabee respondeu afirmando: "Seria aceitável se eles tomassem tudo." No entanto, ele também acrescentou que Israel não busca expandir seu território e que possui o direito à segurança nas terras que legitimamente ocupa.
Essas declarações provocaram imediata reação de países vizinhos como Egito e Jordânia, além de organizações como a Organização da Cooperação Islâmica e a Liga dos Estados Árabes, que, em declarações separadas, as consideraram extremistas, provocativas e contrárias à posição dos Estados Unidos.
Reação do Egito e da Liga dos Estados Árabes
O Ministério das Relações Exteriores do Egito classificou os comentários de Huckabee como uma "violação flagrante" do direito internacional, enfatizando que "Israel não possui soberania sobre o território palestino ocupado nem sobre outras terras árabes."
A Liga dos Estados Árabes comentou: "Declarações dessa natureza — extremistas e desprovidas de qualquer base sólida — apenas servem para inflamar sentimentos e agitar emoções religiosas e nacionais."
Situação Atual de Israel
Atualmente, não há fronteiras totalmente reconhecidas para Israel desde sua criação em 1948. As fronteiras com os países árabes mudaram ao longo do tempo, em decorrência de guerras, anexações, cessar-fogos e acordos de paz.
Durante a guerra do Oriente Médio em 1967, Israel ocupou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental da Jordânia, Gaza e a Península do Sinai do Egito, além das Colinas de Golã da Síria. Israel se retirou da Península do Sinai como parte de um acordo de paz com o Egito após a guerra de 1973. Em 2005, a retirada unilateral de Israel da Gaza ocorreu, gerando impactos significativos na região.
Ações Recentes em Relação à Cisjordânia
Nos últimos meses, Israel tem buscado ampliar seu controle sobre a Cisjordânia ocupada. O país aumentou consideravelmente a construção em assentamentos judaicos, legalizou postos avançados e fez mudanças burocráticas em suas políticas na região. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que não permitirá a anexação da Cisjordânia e garantiu que impediria qualquer movimento nesse sentido.
Os palestinos, por sua vez, vêm há décadas reivindicando a criação de um estado independente na Cisjordânia e em Gaza, com Jerusalém Oriental como capital, uma reivindicação respaldada por grande parte da comunidade internacional.
Postura de Huckabee em Relação à Solução de Dois Estados
Mike Huckabee é um crítico da ideia de uma solução de dois estados para Israel e o povo palestino. Em uma entrevista no ano passado, ele afirmou que não acredita que os árabes descendentes dos habitantes que viveram na Palestina sob controle britânico devem ser chamados de "palestinos."
Interpretação de Versos Bíblicos
Durante a entrevista mais recente, Carlson questionou Huckabee sobre sua interpretação de versículos bíblicos no livro de Gênesis, onde ele mencionou que Deus prometeu a Abraão e seus descendentes uma terra que iria do Nilo ao Eufrates.
Carlson comentou: "Isso incluiria o Levante, abrangendo Israel, Jordânia, Síria, Líbano, além de grandes partes da Arábia Saudita e do Iraque."
Huckabee respondeu que não teriam certeza se iriam tão longe, afirmando: "Quero dizer, seria uma grande extensão de terra."
Conflito Recente com o Hamas
Desde o início do conflito com o Hamas em Gaza, Israel tem avançado sobre mais terras. Atualmente, sob um cessar-fogo, as tropas israelenses foram reposicionadas para uma zona tampão, mas ainda controlam mais da metade do território. As forças israelenses devem se retirar ainda mais, embora o acordo de cessar-fogo não tenha estabelecido um cronograma.
Após a saída do presidente sírio Bashar Assad no final de 2024, as forças armadas israelenses tomaram o controle de uma zona tampão desmilitarizada na Síria, criada como parte de um cessar-fogo de 1974 entre os dois países. Israel alegou que o movimento era temporário e visava proteger sua fronteira.
Ainda assim, Israel mantém a ocupação de cinco postos elevados em território libanês, resultado de uma breve guerra com o Hezbollah em 2024.
Fonte: www.cnbc.com