Queda nas Ações da Minerva S.A.
As ações da Minerva S.A. (BOV:BEEF3) apresentaram uma das maiores quedas na bolsa de valores brasileira na sexta-feira, 2 de janeiro de 2026. Essa diminuição é uma resposta negativa do mercado à determinação da China de estabelecer limites para importação de carne bovina, junto com a imposição de uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que superarem essas cotas.
Desempenho das Ações
Às 13h36, horário de Brasília, os papéis da empresa enfrentavam uma queda de 6,25%, com negociação a R$ 5,40. O pregão iniciou com as ações cotadas a R$ 5,62, atingindo uma mínima intradiária de R$ 5,39. O volume financeiro registrado foi elevado, o que indica uma forte pressão vendedora por parte dos investidores.
Impacto das Novas Regras Comerciais
Essas movimentações refletem a sensibilidade das empresas brasileiras do setor de proteínas às alterações nas regulamentações do mercado chinês. Este mercado é o principal destino das exportações de carne bovina do Brasil. A nova política, que foi anunciada pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom), provoca uma mudança estrutural no fluxo global de comércio de carne, gerando incertezas quanto aos volumes, preços e margens ao longo dos próximos anos.
Para a Minerva, o impacto é ainda mais significativo devido à sua maior dependência em relação às vendas para o mercado chinês, em comparação com outras empresas que também estão listadas na bolsa de valores.
Cotas de Importação
Conforme o comunicado oficial, as novas medidas começaram a valer a partir de quinta-feira, 1 de janeiro de 2026, e permanecerão em vigor até 31 de dezembro de 2028. O Brasil, sendo o maior exportador de carne bovina para a China, recebeu a maior cota de importação, que está assim distribuída:
- 2026: 1,106 milhão de toneladas
- 2027: 1,128 milhão de toneladas
- 2028: 1,154 milhão de toneladas
É importante ressaltar que até novembro do ano anterior, o Brasil już havia exportado 1,499 milhão de toneladas para a China, movimentando um total de US$ 8,028 bilhões, o que evidencia o nível de restrição que as novas regras impõem sobre o comércio exterior.
Análises do Setor
O Banco JPMorgan considerou a decisão como uma notícia desfavorável para as empresas Minerva (BEEF3), MBRF (MBRF3) e JBS (JBSS3/JBSS32), destacando que a Minerva é a que apresenta maior exposição proporcional à demanda chinesa. Como opção, os analistas sugerem que Minerva e Marfrig podem buscar operações no Uruguai e na Argentina. Esses países juntos ainda têm aproximadamente 150 mil toneladas de cotas disponíveis, o que pode ajudar a mitigar os efeitos da restrição imposta ao Brasil.
Por outro lado, o Goldman Sachs sugere que o redirecionamento da carne bovina excedente possa criar um excesso de oferta a nível global, pressionando preços e spreads. Para a Minerva, o banco projetou um risco de queda entre 2% e 3% em seu Ebitda para 2026, supondo que as demais variáveis se mantenham constantes.
Reação do Mercado
No pregão do dia 2 de janeiro, os investidores demonstraram uma reação imediata, fazendo com que a ação BEEF3 passasse a ser negociada abaixo do importante nível psicológico de R$ 5,50. Essa movimentação ampliou as perdas que já haviam sido observadas no início do dia. O comportamento do mercado reflete um aumento na aversão ao risco no setor de proteínas, especialmente diante da possibilidade de compressão das margens e reprecificação dos ativos ao longo do ano de 2026.
Perfil da Minerva S.A.
A Minerva S.A. (BEEF3) é uma das maiores exportadoras de carne bovina na América do Sul, possuindo operações em diferentes países como Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia e Paraguai. A empresa tem uma forte presença no mercado internacional, atendendo a mais de 100 países, destacando-se em regiões como China, Oriente Médio e Estados Unidos, e compete diretamente com empresas do setor, como MBRF e JBS (JBSS3).
Em vista das novas regras chinesas, o setor de proteínas inicia 2026 sob um maior escrutínio por parte dos investidores.
Fonte: br.-.com


