A Transformação da Motorola
Nos últimos anos, a Motorola passou por uma transformação significativa. Após um período em que a marca parecia ter perdido relevância na mente dos consumidores, a empresa revisou e reformulou sua estratégia global, conseguindo reencontrar o caminho do crescimento. No Brasil, essa mudança foi especialmente notável, resultando na triplicação de sua participação de mercado. A companhia agora se prepara para retornar ao segmento ultraprêmio, onde enfrenta a concorrência de gigantes como Apple e Samsung. O CEO da Motorola no Brasil, Rodrigo Vidigal, explicou os bastidores dessa transformação e os objetivos da marca em um dos mercados mais competitivos do mundo.
Retorno ao Segmento Ultrapremium
A Motorola havia se afastado do segmento ultraprêmio e agora está voltando com força. Vidigal destaca que a empresa sempre teve uma forte presença na faixa de preços intermediária e que, há três anos, começou a operar no segmento de smartphones dobráveis, liderando esse mercado. No entanto, a empresa reconhecia que faltava atuar na categoria ultraprêmio. A experiência anterior da Motorola demonstra que ela tem condições de competir nesse setor. Para o CEO, a introdução de um produto em formato barra, que é o mais vendido, com uma proposta de valor competitiva e forte em qualidade e diferenciação, é essencial. "Somos uma opção de boa qualidade — até superior à da concorrência — a um preço mais competitivo", afirma.
Novos Lançamentos e Estratégias
Os próximos passos da empresa no Brasil incluem o lançamento do Motorola Signature, ocorrido em março, além do Razr Fold, que foi apresentado em Barcelona. O novo modelo Fold é destacado por ter a melhor câmera do mundo nesse formato. Vidigal observa que atualmente os consumidores que utilizam produtos dobráveis estão insatisfeitos com a câmera e a bateria.
Desafios de Preços no Brasil
Quando questionado sobre como a Motorola consegue equilibrar preços no Brasil diante da alta carga tributária e questões logísticas, Vidigal menciona que a produção ocorre em Jaguariúna e Manaus. O mesmo produto fabricado no Brasil pode custar entre 15% e 20% mais caro do que na China. Apesar disso, o Brasil se mantém como o quarto maior mercado de smartphones do mundo, o que faz com que a empresa tenha um foco em atender este mercado de forma competitiva.
Exportação de Produtos
Em relação à possibilidade de exportação a partir do Brasil, Vidigal admite que há dificuldades nesse aspecto. Os produtos fabricados no Brasil enfrentam concorrência com aqueles fabricados na China, que muitas vezes chegam a mercados como Chile, Argentina e México a preços mais baixos. Isso se deve à carga tributária, aos custos trabalhistas e à ineficiência logística do país. Contudo, a Motorola é capaz de exportar tecnologia, contando com mais de 1.200 engenheiros e tendo investido cerca de 3 bilhões de reais em pesquisa e desenvolvimento nos últimos 10 anos. O que é desenvolvido no Brasil é utilizado globalmente.
Pressão de Custos Globais
Sobre como a Motorola enfrenta a pressão dos custos globais de produção, incluindo semicondutores e memória RAM, Vidigal afirma que esse é um desafio comum entre os fabricantes de eletrônicos. Entretanto, devido à sua pertença ao grupo Lenovo, a Motorola possui escala global e, assim, consegue mitigar parte desses custos. A capacidade de fabricar não apenas smartphones, mas também computadores, servidores e vários acessórios oferece à empresa poder de negociação e eficiência. No Brasil, a empresa tem conseguido manter os preços estáveis desde a Black Friday, sem repassar aumentos aos consumidores. Ele atribui esse fato a um planejamento eficaz, compras antecipadas e ajustes internos para aumentar a eficiência operacional.
Expectativas no Segmento Ultrapremium
Quanto às expectativas da Motorola no segmento ultraprêmio, Vidigal explica que o objetivo é oferecer mais uma alternativa aos consumidores. A estratégia da empresa é focar em Lifestyle Tech, que combina tecnologia de ponta com moda, design e estilo. A fabricante já fez colaborações com marcas como Swarovski e FIFA, que foram bem recebidas pelo público. A estética, resistência e exclusividade são, segundo ele, diferenciais que os consumidores valorizam. O brasileiro, em particular, tem expectativas elevadas e busca produtos que expressem sua personalidade.
Futuro dos Smartphones Dobráveis
Sobre o futuro dos smartphones, Vidigal acredita que ele está nas tecnologias dobráveis. Ele menciona que todos os fabricantes estão avançando nessa direção e a Motorola tem se destacado por dominar essa tecnologia. Os dispositivos dobráveis possuem telas que são resistentes e duráveis, podendo ser dobradas centenas de vezes ao dia por vários anos sem perder qualidade. Essa inovação não se limita apenas a celulares, mas também se estende a notebooks e dispositivos vestíveis. A Motorola já apresentou protótipos de notebooks com telas totalmente flexíveis, criando a possibilidade de dispositivos versáteis.
O Que Busca o Consumidor Brasileiro
Por fim, ao analisar o que o consumidor brasileiro está buscando atualmente, Vidigal aponta que no segmento ultraprêmio, as expectativas são altas: design, leveza, durabilidade, câmeras de qualidade superior, alto desempenho e estilo estão entre os principais desejos. O brasileiro tende a valorizar tanto a tecnologia quanto a estética, buscando produtos que transmitam exclusividade e um sentido de status. Para atender a essa demanda, a Motorola está investindo em acabamentos diferenciados, como couro vegano, seda e madeira, além de colaborações exclusivas. O objetivo final é oferecer um conjunto completo que una desempenho e estética, persuadindo o consumidor a se sentir orgulhoso por escolher um produto Motorola.
Fonte: veja.abril.com.br


