Colapso da Naskar e Novas Mudanças no Controle
Um mês após o colapso que deixou aproximadamente três mil investidores sem acesso aos seus recursos, totalizando cerca de R$ 1 bilhão, a Naskar teve sua segunda mudança de controle em menos de três semanas. Desde o dia 4 de junho, a ficha cadastral emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo registra Célia de Fátima Ferreira como única sócia e administradora da fintech. Célia, uma aposentada rural de 77 anos, reside em um apartamento popular em Uberlândia e não possui histórico no mercado financeiro. No entanto, ela aparece em sociedade com Douglas Oliveira Azara, o comprador, em outras empresas e protestos.
Ação Judicial e Situação Atual
Entre os processos associados a Célia, destaca-se uma ação em andamento contra o INSS que solicita pensão por morte e recurso de aposentadoria rural. O aplicativo da Naskar continua fora do ar, e, de acordo com uma das vítimas, "Nunca mais voltou". Até o momento, nenhum dos envolvidos teve o passaporte apreendido, e não houve comunicação de prazos para os investidores.
Mudanças no Controle da Naskar
A primeira troca de controle ocorreu em 20 de maio de 2026, quando Douglas Silva de Oliveira Azara, de 25 anos, foi registrado como único sócio-administrador na Receita Federal. Os três fundadores da Naskar – Rogério Vieira, Marcelo Liranço Arantes e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu – saíram do quadro societário sem apresentar contrato de compra e venda, nem revelar o valor da transação, além de não fornecer explicações públicas sobre o destino dos investimentos.
Na véspera dessa mudança, os três fundadores haviam se reunido em um escritório de advocacia na Avenida Paulista, especializado em reestruturação empresarial e recuperação judicial. A venda foi anunciada conjuntamente pela Naskar e pela Azara Capital, o que é incomum, já que, em aquisições convencionais, o comprador normalmente faz o anúncio. Agora, menos de três semanas depois, Douglas também deixou a empresa, sendo substituído por Célia.
A Identidade do Novo Sócio
Douglas Silva de Oliveira Azara, apresentado como representante da Azara Capital, alegou que os recursos para a compra da Naskar, da 7Trust Finance e da Next Holding Financeira, totalizando R$ 1,2 bilhão, provinham de herança familiar e de operações com criptomoedas. Embora sua renda declarada seja de R$ 1.700 mensais, ele afirmou morar em Miami, enquanto sua declaração à Receita Federal aponta residência em Uberlândia.
Investigações conduzidas pelo Times Brasil revelaram uma estrutura de pelo menos 12 empresas registradas em nome de Douglas ou associadas a ele, com capital declarado de R$ 2,4 bilhões. Entre essas empresas está a Jabuti Capital, que operava sob o nome fantasia "Banco Phoenix" sem autorização do Banco Central. A Azara Capital LLC, citada como compradora da Naskar, não foi encontrada em registros regulatórios dos Estados Unidos, tanto na SEC quanto na FINRA.
Processos Judiciais Envolvendo Douglas de Oliveira Azara
Douglas enfrenta um processo cível na 22ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, junto à TRX Investimentos S.A. e a própria Célia de Fátima Ferreira. Este processo tramita em segredo de justiça. A TRX é registrada com 96 protestos ativos, totalizando R$ 870 mil, e tem Célia listada como presidente nos registros federais.
A Nova Administradora da Naskar
Célia de Fátima Ferreira, com 77 anos, possui CPF regular na Receita Federal e seu dossiê não apresenta protestos ou condenações criminais. Existem 14 endereços residenciais e 44 comerciais registrados em seu nome. Além disso, Célia é presidente da TRX Investimentos S.A. e aparece como corré em pelo menos dois processos recentes, um deles envolvendo um valor de R$ 310 mil no Tribunal de Justiça de Goiás.
A sequência societária da Naskar nos registros da Junta Comercial é clara: Douglas ingressou como sócio em 13 de maio de 2026, com participação de R$ 1,5 milhão, enquanto os três sócios anteriores se retiraram. Em 28 de maio, Douglas transferiu o controle integral para Célia pelo mesmo valor, e a consolidação foi homologada em 2 de junho, dois dias antes do prazo para o juiz da 22ª Vara Cível de Curitiba expedir cartas precatórias para citá-los em Uberlândia.
Situação dos Sócios e Investigações em Andamento
De acordo com relatos de investidores que perderam recursos na Naskar, a sequência de trocas na administração sem respostas concretas alimenta o receio de que o dinheiro não será recuperado. Um investidor mencionou que a empresa era apresentada como totalmente regular e sólida, o que não condizia com a realidade, tornando difícil para pessoas leigas avaliarem a confiabilidade do negócio.
Rogério Vieira, acusado de ser o principal operador do esquema original, também não teve o passaporte apreendido. Advogados das vítimas indicaram que, em maio, planejavam solicitar um mandado de segurança para restringir sua saída do país. As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal, e todos os sócios mencionados foram procurados pelo Times Brasil, mas não responderam até o fechamento da reportagem.
O Times Brasil também tentou entrar em contato pelos telefones disponibilizados por Célia e Douglas, mas as ligações não foram completadas.
Fonte: timesbrasil.com.br