Acordo de Acionistas da Natura
A Natura (NATU3) fez um anúncio relevante relacionado a um novo acordo de acionistas com duração de dez anos, no qual os fundadores da companhia migrarão para um conselho consultivo. Além disso, a Advent International, uma das maiores e mais reconhecidas gestoras globais de private equity, se comprometeu a adquirir entre 8% e 10% das ações no mercado, com um preço-alvo médio de R$ 9,75, a ser realizado em até seis meses.
Detalhes do Investimento da Advent
O investimento implementado pela Advent ocorrerá no mercado secundário, representando uma quantidade mínima de 109,964 milhões de ações (8%) e uma quantidade máxima de 137,456 milhões (10%).
Se essa operação for finalizada com sucesso, o fundo terá a possibilidade de indicar dois conselheiros e participar de alguns comitês, ainda que não assegure direito de veto nas decisões da companhia, nem obrigações de voto conjunto com outros blocos acionistas, exceto em questões relacionadas à composição da administração.
O acordo estabelece também cláusulas de liquidez e restrições à venda das ações por um período de 12 meses após a formalização do entendimento.
Novo Acordo de Acionistas
Em paralelo a isso, os principais acionistas firmaram um acordo com validade de 10 anos, comprometendo-se a manter suas participações na empresa.
Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos apresentam renúncia ao conselho de administração para migrar para um novo conselho consultivo, que não terá poderes executivos, mas será responsável por preservar os valores e o legado da empresa. Essa mudança está sujeita à aprovação na Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE) marcada para 2026.
Fábio Barbosa, que tem histórico como CEO da Natura, também fará parte desse conselho consultivo, caso seja eleito.
Proposta de Recomposição do Conselho de Administração
A administração da Natura está propondo a recomposição do Conselho de Administração para um mandato de dois anos. A chapa indicada irá preservar nomes como Duda Kertész, o atual CEO João Paulo Ferreira, e Alessandro Carlucci, que deverá assumir a presidência do conselho. Além disso, novos membros também farão parte da chapa, incluindo Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto. Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixarão o conselho, sendo que Mifano continuará atuando como líder do comitê de auditoria e finanças até a transição.
Aprovações Necessárias
Esta operação está condicionada a aprovações necessárias. Além da formalização do acordo com a Advent, será preciso realizar uma Assembleia Geral Extraordinária para aprovar a dispensa da obrigação que a Advent teria de realizar uma oferta pública (OPA) em caso de alcançar uma participação relevante. Também será requerida outra assembleia para aumentar o número total de vagas do conselho, visando acomodar essas indicações futuras, podendo chegar a até 10 integrantes.
É importante ressaltar que o compromisso da Advent poderá ser rescindido se o preço médio das ações ultrapassar R$ 9,75 dentro do prazo de três meses ou se o investidor não atingir a participação mínima acordada em até seis meses.
Novo Momento da Natura?
A Natura parece estar atravessando um novo capítulo, após enfrentar uma série de dificuldades. No decorrer deste ano, as ações da empresa apresentaram uma valorização de 28%. Segundo o CEO João Paulo Ferreira, a Natura demonstra uma alta capacidade de gerar lucro.
O balanço financeiro mostrou que a companhia alcançou um lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões no quarto trimestre de 2025. Este resultado é significativo, especialmente considerando que a empresa havia registrado um prejuízo de R$ 227 milhões no mesmo período de 2024, mesmo em um trimestre que foi marcado por queda nas receitas e impactos contábeis relacionados à simplificação do grupo.
João Paulo Ferreira reconheceu que a Natura enfrentou um ambiente desafiador, tendo tomado decisões que não resultaram no retorno esperado, o que levou à necessidade de reavaliar a trajetória da empresa.
“Todos os investidores enxergam na Natura, na América Latina, uma potência. Contudo, tivemos que lidar com aquisições que não proporcionaram o retorno desejado. Em 2022, decidimos retornar à essência da empresa. Foram três anos até conseguirmos a venda da Aesop e da The Body Shop, possibilitando o retorno à nossa fortaleza na América Latina”, declarou João Paulo Ferreira.
De acordo com o executivo, os investidores esperavam que este momento chegasse para que eles pudessem voltar a considerar as ações da Natura como atraentes, o que de fato parece estar se concretizando.
Fonte: www.moneytimes.com.br

