Novo Desenrola pode impulsionar consumo e complicar atuação do Banco Central, afirmam especialistas

Novo Desenrola: Impactos no Consumo e na Inflação

Postura Conservadora dos Bancos

Em um cenário de inadimplência recorde, os bancos têm adotado uma postura mais cautelosa em relação à concessão de crédito. Essa abordagem tem contribuído para um descompasso entre o crescimento da renda e o aumento do consumo.

Avaliações de Especialistas

Especialistas consultados pelo Broadcast indicam que o programa denominado Novo Desenrola pode, potencialmente, restabelecer a relação entre a redução das despesas das famílias e um aumento na procura por bens e serviços. Essa mudança pode gerar pressão sobre a inflação no curto prazo, exigindo, assim, uma revisão da atenção por parte do Banco Central (BC).

O programa atua na redução do comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas, ampliando sua capacidade financeira e aumentando a renda disponível. De acordo com Alexandre Albuquerque, vice-presidente e analista sênior da Moodys Ratings, essa situação pode se refletir em um aumento no consumo ou na contratação de novos empréstimos, dependendo da postura conservadora dos bancos.

Cautela das Instituições Financeiras

Albuquerque observa que, ao analisar o comportamento dos últimos 18 a 24 meses, a tendência é que as instituições financeiras continuem a agir com precaução, especialmente em relação a linhas de crédito de maior risco, como o crédito pessoal.

Ele ressalta ainda que, embora os tomadores que antes estavam negativados não sejam mais considerados nessa situação, as dívidas permanecem. Elas diminuem, mas não desaparecem completamente.

Crescimento da Renda e Perspectivas Inflacionárias

Por outro lado, Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, aponta que o crescimento da renda já indica um aumento na demanda do consumo. Leal considera o programa Novo Desenrola prejudicial ao Banco Central. “Acredito que o Desenrola seja negativo para o Banco Central, pois ele tem um impacto direto na inflação”, sintetiza.

Antes do lançamento do Novo Desenrola, a renda disponível bruta das famílias — que inclui a renda do trabalho somada a transferências fiscais e benefícios, já descontados os impostos — apresentou um crescimento de 11,1% em março, após uma alta de 9,5% em fevereiro, conforme dados do Goldman Sachs.

Relatório sobre a Atividade Econômica

Em um relatório, Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs, atribui esse desempenho a uma postura fiscal e creditícia “altamente ativista”, que manteria o hiato do produto em território positivo. Essa situação, segundo ele, pressionaria a inflação, especialmente a inflação de serviços, e reduziria a eficácia das políticas monetárias atuais.

Na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), foi ressaltado que um dos riscos de alta é uma maior resiliência da inflação de serviços do que o projetado anteriormente, em função de um hiato do produto que se mantêm positive.

Conflito de Objetivos

Para Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, apesar de o programa ainda não estar funcionando plenamente, os possíveis efeitos inflacionários permanecem, por ora, teóricos. Padovani observa que existe um conflito de objetivos. O governo busca estimular a economia através de instrumentos fiscais e parafiscais, ao passo que o Banco Central está empenhado na contenção da inflação e das expectativas inflacionárias. “No final das contas, acredito que teremos taxas de juros elevadas por um período mais longo, o que vai em contramão ao propósito do Novo Desenrola”, afirma.

Fatores Externos e Expectativas do Mercado

Ainda de acordo com Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, a curto prazo, fatores como o conflito no Irã, a oscilação na taxa de câmbio, e os preços das commodities — especialmente de alimentos e petróleo — devem influenciar mais significativa e diretamente a condução da política monetária em comparação ao próprio programa.

Salles conclui que “o Banco Central irá monitorar e avaliar os impactos desse programa, mas acreditamos que a influência será, de fato, bastante reduzida”.

Cenário de Inadimplência

A inadimplência no Brasil tem alcançado recordes desde janeiro de 2025. O número de pessoas com o CPF registrado em cadastros de inadimplência atingiu a cifra de 82,8 milhões em março, segundo os dados apresentados pela Serasa Experian.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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