Braskem informa venda de controle acionário
A Braskem (BRKM5) divulgou ao mercado nesta segunda-feira, dia 20, que a Novonor, anteriormente conhecida como Odebrecht, juntamente com a NSP Investimentos, firmaram um contrato para a venda do controle da petroquímica ao fundo de investimento Shine I (Shine I FIP), que é assessorado pela IG4.
Detalhes do contrato de venda
O contrato estabelece os termos e condições referentes à venda judicial das ações ordinárias e preferenciais de classe “A” emitidas pela Braskem. Essas ações correspondem a cerca de 50,1% do total de ações ordinárias e aproximadamente 34,3% do capital social total da empresa.
De acordo com o documento divulgado, o contrato também impõe a obrigação ao FIP de solicitar e protocolar, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), um pedido de registro de oferta pública para a aquisição de até a totalidade das ações ordinárias e preferenciais que estão atualmente em circulação da Braskem.
A concretização da venda está condicionada a autorizações judiciais e à concorrência, além de depender da não utilização, por parte da Petrobras (PETR4), de direitos de preferência e tag along que estão previstos no acordo de acionistas. As autoridades antitruste do Brasil, do México, da União Europeia e dos Estados Unidos já teriam concedido as aprovações necessárias, mas ainda está pendente a autorização da Comissão Europeia em relação ao Regulamento de Subsídios Estrangeiros (Foreign Subsidies Regulation – FSR).
“Com a conclusão da operação, um novo acordo de acionistas da Braskem será implementado entre o comprador e a Petrobras, com o intuito de regular o exercício do controle compartilhado da companhia entre ambas as partes”, afirma o documento.
Desafios enfrentados pela Braskem
O desempenho operacional da Braskem está sendo afetado por um cenário global adverso para o setor petroquímico, caracterizado por margens mais estreitas e uma demanda reduzida em mercados estratégicos.
Adicionalmente, essa situação é complexificada por questões internas, incluindo as consequências do desastre ambiental ocorrido em Maceió, que está relacionado à exploração de sal-gema. Esses fatores continuam a gerar custos elevados e incertezas jurídicas significativas.
Resultados do quarto trimestre de 2025
No resultado financeiro do quarto trimestre de 2025, a Braskem registrou um prejuízo de R$ 10,3 bilhões, valor que supera mais que o dobro da perda apresentada no ano anterior. Essa situação está pressionando sua capacidade de cumprir compromissos financeiros e ampliando a necessidade de manter a liquidez da empresa.
O balanço financeiro foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG, embora os auditores tenham destacado “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia”.
Os auditores ressaltaram que a controladora apresentou um prejuízo de R$ 9,880 bilhões, enquanto o resultado consolidado foi de R$ 10,961 bilhões. Ademais, constataram que o passivo circulante é superior ao ativo, com uma diferença de R$ 3,090 bilhões na controladora e R$ 9,770 bilhões no consolidado. O patrimônio líquido foi reportado como negativo em R$ 16,147 milhões e R$ 16,502 milhões, respectivamente.
Segundo a Braskem, o desempenho no trimestre foi negativamente afetado por incertezas externas, que incluem conflitos geopolíticos e uma guerra tarifária. Esses fatores, aliados à sazonalidade, têm pressionado os spreads químicos e petroquímicos no cenário internacional.
*Com informações da Reuters
Fonte: www.moneytimes.com.br