Novos votantes do Fed podem complicar a estratégia de Trump por juros mais baixos

Possível Nomeação para o Federal Reserve

O presidente Donald Trump poderá anunciar sua escolha para a presidência do Federal Reserve (Fed) já nesta semana. Indícios sugerem que o indicado deverá apoiar cortes substanciais nas taxas de juros. Contudo, quem quer que seja escolhido enfrentará um novo comitê de política monetária, que pode ser mais resistente a esses cortes.

Membros do Comitê de Política Monetária

Anualmente, quatro dos doze presidentes regionais do Fed assumem funções com direito a voto no influente comitê responsável pela definição das taxas de juros, em um sistema de rodízio durante as oito reuniões de política monetária subsequentes. Neste ano, os presidentes em exercício são: Lorie Logan, de Dallas; Beth Hammack, de Cleveland; Anna Paulson, da Filadélfia; e Neel Kashkari, de Minneapolis. A liderança do Fed de Nova York e todos os sete membros do Conselho de Governadores do Fed, incluindo o presidente, possuem voto permanente.

Preocupações com a Inflação

Em seus comentários mais recentes, Logan e Hammack manifestaram preocupação pelo fato de a inflação ter permanecido acima da meta de 2% do Fed por cinco anos consecutivos. Essa situação torna improvável que votem a favor de cortes nas taxas de juros em um futuro próximo, uma vez que essa ação poderia estimular gastos e aumentar a pressão sobre os preços.

Falcões e Pombas da Política Monetária

Investidores e economistas categorizam os banqueiros centrais que defendem políticas rigorosas de combate à inflação como "falcões", enquanto aqueles que priorizam o mercado de trabalho são chamados de "pombas". É importante ressaltar que os falcões são menos propensos a apoiar cortes nas taxas de juros, ao passo que as pombas têm uma postura oposta dentro do comitê.

O Congresso incumbiu o Fed da tarefa de estabilizar os preços e promover o pleno emprego, criando um desejável equilíbrio entre esses objetivos. No entanto, essa harmonia se tornou desafiadora após a ampla agenda econômica lançada por Trump no ano passado, que colocou em risco tanto a estabilidade dos preços quanto a manutenção do emprego.

Embora um mercado de trabalho mais fraco tenha levado o Fed a cortar as taxas de juros em três ocasiões no ano anterior, as tarifas implementadas por Trump e a possibilidade de impostos adicionais podem continuar a pressionar a inflação. Dessa forma, torna-se difícil argumentar que o Fed deva reduzir as taxas mais de uma vez neste ano.

Hammack pode atuar como a voz mais conservadora do comitê este ano. Em uma entrevista ao Wall Street Journal, em 21 de dezembro, ela afirmou que as taxas de juros “podem permanecer aqui por algum tempo até que tenhamos evidências mais claras de que a inflação está voltando à meta ou que o lado do emprego está se enfraquecendo de forma mais significativa”. Ela enfatizou a importância de fazer com que a inflação retorne à meta, considerando isso um de seus principais objetivos.

Logan também é identificada como uma defensora de políticas monetárias conservadoras. Em uma recente declaração, ela indicou que teria votado contra a redução da taxa básica de juros pelo Fed em dezembro, a terceira consecutiva de 0,25 ponto percentual. Ela argumentou que "manter as taxas estáveis por um período permitiria ao comitê de política monetária avaliar melhor" os impactos dos cortes anteriores sobre a economia.

Em dezembro, o presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, e o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, manifestaram discordância em relação à redução das taxas de juros, preferindo que essas se mantivessem inalteradas. Historicamente, os presidentes regionais do Fed, que estão mais distantes das pressões políticas e que monitoram mais de perto as condições econômicas locais, costumam discordar mais frequentemente das decisões da maioria em comparação aos membros do Conselho de Governadores do Fed, localizados em Washington.

Perspectiva Moderada

Anna Paulson, por sua vez, pode ser considerada a voz mais moderada do comitê neste ano, mostrando-se mais aberta a possíveis cortes nas taxas de juros. Em um discurso realizado em 14 de janeiro, Paulson expressou estar "cautelosamente otimista em relação à inflação", ressaltando que considera os efeitos das tarifas como limitados e aguardando uma "boa chance" de encerrar o ano próximo da meta de 2% estabelecida pelo Fed.

Ela também sugere que não se deve esperar um colapso abrupto do mercado de trabalho neste ano, mas isso não deve impedir o Fed de considerar cortes nas taxas de juros, no mínimo uma vez em 2026. Paulson prevê uma moderação da inflação, a estabilização do mercado de trabalho e crescimento em torno de 2% para o ano atual.

As opiniões de Paulson são mais alinhadas aos membros do Conselho de Governadores do Fed, Christopher Waller e Michelle Bowman, mas suas visões são menos extremas do que as de Stephen Miran, outro membro do Conselho, que continua afirmando que a economia corre riscos de recessão caso o Fed não realize cortes significativos nas taxas de juros.

Kashkari traz uma posição mais intermediária, destacando a persistente ameaça ao mandato duplo do Fed. Ele observou que o risco de inflação continua significativo, já que os efeitos das tarifas demoram a se disseminar pelo sistema, ao mesmo tempo em que acredita que o desemprego pode aumentar de maneira acentuada.

O presidente Trump expressou de forma clara o que espera da nova liderança do Fed. Embora o presidente possa conquistar um líder influente que compartilhe seu desejo por taxas de juros mais baixas, o novo chefe do Fed continuará a ser apenas um voto em um comitê de doze membros, que tomará decisões sobre as taxas de juros guiadas pela realidade econômica.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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