Pedido de Recuperação Judicial da Fictor
O panorama atual revela desafios significativos na identificação dos principais credores da Fictor, que protocolou um pedido de recuperação judicial no último domingo, dia 1º de outubro. No documento apresentado na Justiça de São Paulo, a empresa relatou possuir dívidas consideráveis, destacando valores de R$ 893 milhões devidos à American Express e R$ 430 milhões à Sefer Investimentos.
Reação dos Credores
No entanto, ambas as instituições contestaram as alegações feitas pela Fictor. A American Express manifestou seu questionamento na segunda-feira, dia 2 de outubro, através de um comunicado oficial. Logo na terça-feira, dia 3, foi a vez da Sefer Investimentos se posicionar, por meio de uma petição relativa ao processo de recuperação judicial em questão. A Sefer argumenta ser apenas a representante legal de terceiros e não a credora direta da Fictor.
Esclarecimentos da Fictor
Em resposta à indagação feita pela Sefer, a Fictor elucidou que, em 16 de outubro, adquiriu uma fração de um fundo de direitos creditórios (FIDC) conhecido como Krispy, cuja administração, conforme a afirmativa da companhia, está sob responsabilidade da Sefer em nome da Master Holding. De acordo com a Fictor, essa aquisição justifica a dívida no montante de R$ 430 milhões, sendo que alguns pagamentos já foram realizados.
Vale ressaltar que a Master Holding é a holding offshore pertencente ao CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, que reúne suas operações nas Ilhas Cayman, um local comumente designado como paraíso fiscal. Nos registros documentais, a Sefer é mencionada como a despachante da Master Holding no Brasil.
Aquisição do Banco Master
Um mês após ter adquirido parte do fundo, especificamente no dia 17 de novembro, a Fictor manifestou interesse em comprar o Banco Master na totalidade por R$ 3 bilhões. Contudo, na manhã seguinte à proposta, o Banco Central procedeu à liquidação do Banco Master, levando à prisão de Vorcaro.
Informações Adicionais da Fictor
Em relação à aquisição das cotas do fundo de direitos creditórios, a Fictor reafirmou que a transação ocorreu com a Sefer, que atua como representante legal da Master Holding no Brasil. A narrativa oficial da Fictor especifica que o contrato estabelecia a forma de pagamento, com valores a serem quitados em uma única vez e em parcelas subsequentes, conforme acordado entre as partes. A Fictor também destacou que outras instituições financeiras de renome realizaram a aquisição de ativos do Banco Master.
Divergências Documentais
No entanto, documentos oficiais relacionados ao fundo Krispy indicam uma gestão e custódia que não são atribuídas à Sefer, mas sim à Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A gestão do fundo é, de acordo com esses registros, responsabilidade da Reag JUS Gestão, ambas sob a direção de João Carlos Mansur.
Para compreender melhor a situação, cabe mencionar que a Reag foi alvo da operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal em agosto de 2025, devido a supostas relações com o PCC e atividades de crime organizado. O Banco Central decidiu liquidar a instituição após a conclusão da segunda fase da operação Compliance Zero, ocorrida no mês passado.
Mudança na Gestão do Fundo Krispy
Após a Fictor se tornar acionista do fundo Krispy, a estrutura do fundo passou por uma reorganização significativa. No dia 28 de outubro, uma assembleia foi realizada para implementar mudanças estruturais na prestação de serviços do fundo.
As informações mais recentes disponíveis no site da B3 indicam que a custódia e a gestão do fundo Krispy agora estão sendo administradas pela Trustee, companhia de Maurício Quadrado, que foi sócio de Vorcaro no Banco Master. A Trustee é também reconhecida por sua associação com fundos pertencentes ao empresário Nelson Tanure.
Conforme o demonstrativo mais atual, datado de dezembro do ano passado, o fundo Krispy apresenta uma carteira total de aproximadamente R$ 5,43 bilhões, alocada integralmente em direitos creditórios.
Fonte: www.moneytimes.com.br