Venezuela afirma à China que preços do petróleo não serão definidos pelos EUA após captura de Maduro

Garantia da Venezuela sobre Preços do Petróleo

A Venezuela garantiu a Pequim que os preços de seu petróleo não serão determinados pelos Estados Unidos e que o investimento chinês no país da América do Sul permanece seguro, conforme noticiado pela mídia estatal.

Declarações do Embaixador

Em uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira, Remigio Ceballos, embaixador da Venezuela na China, desconsiderou relatos que sugeriam que Washington poderia influenciar o preço que a China paga pelo petróleo bruto venezuelano. Ceballos afirmou que Caracas não aceitaria os arranjos dos Estados Unidos.

O Wall Street Journal informou no mês passado que o presidente dos EUA, Donald Trump, estava considerando exercer controle sobre a empresa estatal de petróleo da Venezuela, a Petróleos de Venezuela SA, ou PDVSA, incluindo uma possível redução de preços para US$ 50 por barril.

Independência nas Decisões de Preços

"Em relação à precificação do petróleo, a Venezuela não obedecerá aos arranjos dos Estados Unidos ou de outros países. Temos o direito de tomar decisões independentes, e os preços do petróleo serão determinados com base nos preços do mercado internacional", disse Ceballos.

As declarações foram proferidas cerca de um mês após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar surpresa, quando os EUA buscaram afirmar influência sobre o setor petrolífero venezuelano por meio de sanções e vendas de petróleo negociadas.

Reação da China

A China, que tem absorvido grande parte das exportações de petróleo da Venezuela com descontos significativos devido às sanções dos EUA, condenou o ataque militar americano à Venezuela e pediu a libertação de Maduro.

Ceballos descreveu a captura de Maduro como um "aviso para o mundo todo", mas buscou minimizar o impacto nas relações entre a Venezuela e a China. "A China e a Venezuela são parceiros confiáveis", afirmou, acrescentando que a relação foi construída sobre a confiança mútua e não poderia ser influenciada por qualquer terceiro.

Segurança dos Investimentos Chineses

O embaixador também enfatizou que o investimento chinês na Venezuela será seguro. "As empresas chinesas que operam na Venezuela e os investimentos de outras nações continuaram a progredir normalmente. Não apenas para o setor de petróleo, mas todas as áreas de cooperação não serão afetadas", ressaltou.

A captura de Maduro aumentou as preocupações sobre o futuro dos investimentos chineses na Venezuela, especialmente considerando que Pequim tem sido um dos poucos players estrangeiros ativos no país sul-americano — um espaço que preencheu após as sanções dos EUA limitarem a participação americana.

Projetos Conjuntos

A China National Petroleum Corporation, gigante estatal do petróleo, possui joint ventures com a PDVSA, enquanto a China Concord Resources Corp., uma empresa privada, anunciou em agosto planos de investir mais de US$ 1 bilhão em um projeto de petróleo na Venezuela, com uma meta de produção de 60.000 barris por dia até o final de 2026, segundo informações da Reuters.

Reservas e Produção de Petróleo

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, no entanto, sua produção de petróleo permanece baixa após décadas de má administração, subinvestimento e sanções dos EUA.

Reformas e Estabilização

A administração Trump tem promovido reformas na indústria lideradas pelos EUA, visando aumentar a produção de petróleo e gás e atrair investimentos estrangeiros, apresentando essas medidas como benéficas para a Venezuela e seu povo. Um aumento na produção de petróleo e a redução dos preços também ajudariam a diminuir os custos de energia para os consumidores americanos.

Envolvimento do Governo dos EUA

Durante um testemunho no Capitólio, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que a participação do governo dos EUA na venda de petróleo venezuelano era um plano de curto prazo, destinado a estabilizar o país e manter o governo atual em funcionamento.

Washington devolveu todos os US$ 500 milhões da venda inicial de petróleo ao governo venezuelano, conforme informações de um oficial americano, segundo reportado pela Reuters.

O governo dos EUA também se moveu para emitir uma licença geral que permitiria às empresas negociar, transportar e refinar petróleo bruto venezuelano, como parte dos esforços para aliviar sanções e revitalizar a indústria de energia em dificuldades.

Demandas de Cortes Econômicos

Após a operação militar realizada em 3 de janeiro, a Casa Branca supostamente exigiu que a Venezuela cortasse laços econômicos com a China, Rússia, Irã e Cuba, conforme reportado pela ABC News.

Mudança de Tom por Parte de Trump

No entanto, durante o final de semana, Trump pareceu suavizar seu tom, afirmando que investimentos chineses e indianos seriam bem-vindos. "A China é bem-vinda para entrar e fará um ótimo negócio com o petróleo", disse ele durante um voo para Mar-a-Lago a bordo do Air Force One no sábado.

Visita do Presidente Chinês

O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ao seu homólogo uruguaio, Yamandu Orsi, na terça-feira, que Pequim trabalharia com o Uruguai na construção de um "mundo multipolar igual e ordenado". Orsi foi o primeiro líder sul-americano a visitar a China desde a captura de Maduro.

Valorização das Relações com a América Latina

Xi acrescentou que a China sempre valorizou suas relações com países da América Latina e do Caribe, expressando apoio à soberania, segurança e metas de desenvolvimento dessas nações.

Fonte: www.cnbc.com

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