O juro que potencializa o capital do investidor e o alerta de Mansueto sobre o Brasil

Riscos e Desafios Econômicos no Brasil

Apesar de um cenário externo mais favorável para o mercado acionário brasileiro, mesmo com a persistência de conflitos como a guerra, o principal risco continua a ser o ambiente doméstico. Este risco central se concentra, em grande parte, no controle das contas públicas. O alerta foi emitido por Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, que destacou a importância desse fator em meio a um nível de juros que, apesar de atraente para investidores, demonstra um desequilíbrio significativo na economia.

Taxas de Juros e Sustentabilidade

“Com um juro real de 7%, você duplica seu patrimônio em 10 anos. Isso não é sustentável”, afirmou Almeida, referindo-se ao atual patamar das taxas de juros no país. Ele fez esta declaração durante sua participação no evento BTG Pactual Asset Management, realizado na terça-feira (31). Segundo o economista, a distorção observada reflete o aumento acelerado das despesas públicas no Brasil.

Almeida projetou que o país encerrará o ciclo de 2023 a 2026 com uma expansão real de cerca de 20% nas despesas do governo federal, um ritmo elevado que se torna especialmente preocupante em um contexto de mercado de trabalho aquecido. “Isso é excessivo para qualquer país, ainda mais para um país em situação de pleno emprego”, comentou.

Soluções e Desafios Fiscais

Na visão de Mansueto, o diagnóstico econômico é mais simples do que aparenta, assim como a solução. Ao contrário de crises anteriores, não seria necessário implementar cortes bruscos nos gastos, mas sim frear a trajetória de crescimento das despesas. “O desafio do Brasil não é cortar gastos, é controlar o crescimento dos gastos”, declarou.

A experiência recente reforça essa perspectiva. A adoção do teto de gastos em 2016 permitiu um controle que ajudou a diminuir as expectativas de inflação e criou espaço para um ciclo consistente de redução das taxas de juros. Atualmente, a situação é oposta, onde o aumento das despesas eleva os preços e força o Banco Central a manter uma política monetária restritiva.

Em um cenário como esse, uma modificação na trajetória fiscal poderia gerar efeitos quase imediatos, segundo o economista. “Se segurarmos a expansão das despesas públicas, o mercado irá reduzir as expectativas de inflação e permitirá um corte rápido nas taxas de juros”, completou.

Pressões Estruturais e Despesas Obrigatórias

Além do elevado nível das taxas de juros, Mansueto destacou a existência de pressões estruturais, especialmente relacionadas à previdência. A política de valorização do salário-mínimo, que assegura ganhos reais também para os aposentados, contribui significantemente para o aumento das despesas obrigatórias.

“O Brasil é um dos poucos países onde aposentados recebem aumentos reais constantes. Isso gera um custo muito elevado”, afirmou.

Expectativa Positiva Apesar dos Desafios

Mesmo assim, a análise que os economistas fazem a respeito do governo atual não é inteiramente negativa. “Quando avaliamos o panorama geral, a situação não está tão complicada,” resumiu. Reformas recentes, como a da previdência, a tributária e a independência do Banco Central, ajudaram a criar uma fundamentação mais robusta, diminuindo a necessidade de ações mais severas.

Essa avaliação é apoiada por André Esteves, chairman do BTG Pactual, que considera que o desafio é mais uma questão de execução do que de técnica. “A ideia de que não é possível realizar um ajuste fiscal não é correta”, asseverou.

Para Esteves, o histórico recente demonstra que mudanças estruturais podem avançar, mesmo em contextos políticos adversos. Ele menciona o volume recorde de concessões em infraestrutura durante o governo atual como um exemplo significativo.

“Trata-se de um governo mais à esquerda, mas que deverá estabelecer recordes em concessões. Portanto, é um momento para ‘esquecer um pouco o que se fala e observar o que se faz’,” indicou.

Distorções Microeconômicas e Riscos Estruturais

Em um enfoque mais amplo, Esteves também destacou distorções microeconômicas que contribuem para explicar algumas das instabilidades. Entre essas distorções, ele citou o aumento da informalidade em setores relevantes, como o setor de combustíveis, que afetaria mais de 20% desse mercado.

Adicionalmente, ele criticou as fragilidades presentes no sistema financeiro, mencionando o risco de que instituições menores possam gerar impactos desproporcionais, referindo-se ao caso do Banco Master, que ocasionou um rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e evidenciou questões que precisam ser melhoradas no mercado financeiro atual.

A análise feita pelos economistas propõe que o caminho para a solução não passa por medidas complexas, mas sim pela previsibilidade e pelo cumprimento rigoroso das regulamentações. “É preciso obedecer à legislação, garantir que ela seja aplicada de maneira uniforme a todos, sem excessos e sem estrelismos,” afirmou Esteves.

Apesar das incertezas que permeiam o cenário econômico, os executivos do BTG visualizam um avanço institucional relevante no horizonte, especialmente após os episódios recentes envolvendo o sistema financeiro. “Esperamos sair deste ciclo com um Banco Central bastante fortalecido,” finalizou.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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