Larry Fink não está muito preocupado com a questão da desvalorização do dólar.
O CEO da BlackRock afirmou que continua confiante de que os ativos dos Estados Unidos são os melhores locais para os investidores alocarem seus recursos nos próximos 18 meses.
Essa afirmação é feita mesmo diante das inquietações em relação ao movimento de desvalorização, uma ideia que sugere que investidores estão se afastando de ativos denominados em dólares devido a receios de que o valor do dólar está em queda e que o aumento dos níveis de endividamento e dos gastos deficitários pode prejudicar amplamente as moedas fiduciárias.
“O dinheiro vai circular o tempo todo. Mas eu diria que a maioria dos investidores globais tem uma exposição muito grande aos Estados Unidos e eu acho que esse será o melhor lugar para ter essa exposição nos próximos 18 meses”, comentou Fink durante uma discussão em painel na Arábia Saudita na terça-feira.
Razões para o Otimismo de Fink
Existem alguns motivos pelos quais Fink acredita que o foco dos investidores deve permanecer nos mercados dos Estados Unidos.
Venda de Ativos Revertida
Em primeiro lugar, a venda de ativos nos Estados Unidos no início deste ano foi, em grande parte, revertida.
Os investidores abandonaram as ações e outros ativos em dólares no início de 2025, à medida que as preocupações aumentaram em torno de tarifas, da classificação de crédito da América e do crescimento do saldo da dívida do país.
No entanto, segundo Fink, esse movimento foi amplamente revertido nos últimos meses. A demanda estrangeira por ativos dos EUA teve uma forte recuperação em maio e junho, apesar das vendas líquidas em abril, segundo uma análise da Apollo Global Management.
Alternativas ao Investimento em Ativos dos EUA
Por outro lado, outras opções consideradas seguras, como o ouro, estão recuando após um grande rali, que alguns observadores acreditam ter sido impulsionado em grande parte por um sentimento de medo de perder oportunidades (FOMO), em vez de preocupações fundamentais sobre a estabilidade financeira.
Confiança no Investimento nos EUA
Em segundo lugar, há uma enorme confiança nos investimentos que estão sendo feitos nos Estados Unidos, conforme mencionado por Fink. Ele destacou em particular os gastos em capital relacionados à inteligência artificial, tecnologia, infraestrutura energética e centros de dados.
Empresas como Amazon, Meta, Microsoft e Google — quatro das maiores companhias no centro do boom da inteligência artificial — podem estar a caminho de investir cerca de 320 bilhões de dólares em gastos de capital este ano, segundo uma análise do Business Insider com base nas demonstrações financeiras dessas empresas.
“Você está vendo tudo isso acontecer mais nos Estados Unidos do que na maioria dos outros lugares do mundo hoje”, disse Fink, atribuindo a grande quantidade de investimentos ao motivo pelo qual o PIB dos EUA superou o das nações europeias.
Dúvidas sobre a Teoria da Desvalorização
Outros profissionais do mercado expressaram dúvidas sobre a teoria da desvalorização. Instituições como JPMorgan, Morgan Stanley e Apollo estão entre os principais analistas de Wall Street que têm sido céticos quanto à narrativa de “vender a América” neste ano, principalmente devido ao entusiasmo com as oportunidades de investimento nos EUA.
Estabilidade do Dólar
Além disso, o dólar americano permaneceu estável em relação a outras moedas nos últimos meses, conforme indicou a Capital Economics em uma nota enviada a seus clientes na segunda-feira. Os títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos também tiveram uma valorização, acrescentou a consultoria, sinalizando que os investidores não perderam a confiança nesses ativos.
Fonte: www.businessinsider.com