Anúncio do Novo Navio de Guerra "Trump-class"
Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou planos para a criação de um novo navio de guerra denominado "Trump-class", afirmando que seria "o mais rápido, o maior e, de longe, 100 vezes mais poderoso do que qualquer navio de guerra já construído".
Características dos Navios
Trump descreveu as embarcações como "alguns dos navios de guerra de superfície mais letais", prometendo que ajudariam a "manter a supremacia militar americana e inspirar medo nos inimigos da América em todo o mundo". No entanto, existe um problema evidente: os navios de guerra enfrentam obsolescência há décadas. O último foi construído há mais de 80 anos, e a Marinha dos EUA aposentou os últimos navios da classe Iowa há quase 30 anos.
A Evolução da Guerra Naval
Antigamente, um símbolo de poder naval com seus enormes canhões, os navios de guerra foram superados por porta-aviões e destróieres modernos armados com mísseis de longo alcance. Apesar de rotular os novos navios de combate de "navios de guerra" poder ser um erro de nomenclatura, especialistas em defesa indicam que existem várias lacunas entre a visão de Trump e a guerra naval moderna.
Opiniões de Especialistas
Mark Cancian, conselheiro sênior no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, rejeitou a ideia, escrevendo em um comentário datado de 23 de dezembro que "não há necessidade de discutir isso porque este navio nunca navegará". Ele argumentou que o programa levaria muito tempo para ser projetado, teria custos excessivos e contradiz a atual estratégia da Marinha, que se baseia em poder de fogo distribuído. "Uma futura administração cancelará o programa antes que o primeiro navio entre em operação", afirmou Cancian.
Uma Proposta Controversial
Bernard Loo, pesquisador sênior na Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, descreveu a proposta como "um projeto de prestígio mais do que qualquer outra coisa". Ele comparou a iniciativa aos super-navios de guerra Yamato e Musashi do Japão durante a Segunda Guerra Mundial – os maiores já construídos – que foram afundados por aeronaves de porta-aviões antes de desempenharem um papel significativo em combate.
Dimensões e Vulnerabilidades
"Historicamente, consideramos os navios de guerra e quanto maiores, melhor… [e] em uma perspectiva bem simples de estratégia, o tamanho importa", mencionou Loo. Ele acrescentou que o tamanho do proposto navio de guerra – deslocando mais de 35.000 toneladas e medindo mais de 840 pés, correspondendo a pouco mais de dois campos de futebol – o tornaria um "ímã para bombas".
A Força Simbólica dos Navios de Guerra
Bryan Clark, pesquisador sênior no Hudson Institute, sugeriu que Trump pode estar atraído pelo poder simbólico dos navios de guerra, que foram os ícones mais visíveis do poder marítimo ao longo do século 20. O USS Missouri, completado em 1944 e o último navio de guerra construído pelos EUA, foi famoso por sediar a rendição do Japão em 1945.
Retrospectiva da Utilização
Clark observou que a Marinha dos EUA reativou quatro navios de guerra da Segunda Guerra Mundial na década de 1980 como parte de sua estratégia de expansão da frota de 600 navios durante a Guerra Fria, para contrabalançar a União Soviética. "Esta pode ser uma era em que o presidente acredita que os EUA tiveram a última supremacia naval", enfatizou. Os navios de guerra foram utilizados em combate pela última vez em 1991, quando os Iowa, modernizados, forneceram apoio de fogo para as forças da coalizão na primeira Guerra do Golfo.
Classificação e Arsenal
Clark destacou que a classificação é menos importante do que as armas que um navio transporta. De acordo com a Marinha dos EUA, o navio de guerra "Trump-class", que fará parte de uma nova "frota dourada" de embarcações, será equipado com armamentos como canhões convencionais e mísseis, além de armas magnéticas e baseadas em laser. Ele também será capaz de transportar mísseis nucleares e hipersônicos.
Modelo de Operações da Marinha
Tal embarcação funcionaria essencialmente como um grande destróier, independentemente do nome. Contudo, Cancian da CSIS contestou que tal design contraria o modelo de operações distribuídas da Marinha, que busca reduzir a vulnerabilidade ao espalhar o poder de fogo por muitos ativos. "Esta proposta iria na direção oposta, construindo um pequeno número de ativos grandes, caros e potencialmente vulneráveis", escreveu ele.
Desafios Financeiros
Mesmo que o "Trump-class" seja tecnicamente viável, analistas afirmam que o custo será o principal obstáculo. Loo comentou que programas de armamento nos EUA geralmente superam os prazos e orçamentos estabelecidos. Os destróieres da classe Zumwalt – os maiores combatentes de superfície atualmente com 15.000 toneladas – foram reduzidos de 32 para 3 navios devido aos custos crescentes. Mais recentemente, a classe de fragatas Constellation foi cancelada devido a desafios de design e disponibilidade de mão de obra.
Custos Envolvidos
Clark estimou que o custo do "Trump-class" poderia ser duas a três vezes maior do que o dos destróieres atuais. Com os destróieres Arleigh-Burke custando cerca de US$ 2,7 bilhões cada, isso implicaria que um único navio de guerra poderia custar mais de US$ 8 bilhões. O custo de tripulação e manutenção desses navios também colocaria mais pressão sobre um orçamento da Marinha já sobrecarregado.
Loo foi ainda mais crítico em sua avaliação, chamando a decisão de um erro estratégico e afirmando: "Pelo menos, a meu ver, é uma presunção estratégica".
Fonte: www.cnbc.com


