Troca de CEO na Americanas
A Americanas (AMER3) terá Fernando Soares como novo CEO a partir de outubro de 2025, substituindo Leonardo Coelho, que liderou a empresa nos últimos dois anos durante o processo de recuperação judicial, após a descoberta de uma fraude bilionária. A notícia foi bem recebida pelo mercado, resultando em uma alta de até 4% nas ações durante o pregão desta terça-feira (26).
Perfil de Fernando Soares
Fernando Soares está na Americanas há cerca de um ano, ocupando a vice-presidência de operações. Ele possui um histórico forte, tendo atuado como CEO da Domino’s Brasil e tendo uma experiência considerável na Ambev. Segundo Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp, Soares traz uma bagagem e experiência sólidas que contribuirão para a “nova fase” da companhia.
A analista ressalta que Leonardo Coelho foi fundamental na recuperação judicial da Americanas e avalia positivamente sua permanência no comitê financeiro da empresa. Para ela, a mudança demonstra que a Americanas acredita ter superado a fase mais crítica da crise e que agora se concentra na retomada das operações e na lucratividade, sob a gestão de Soares, que possui um forte histórico em operações e reestruturação.
Impacto da mudança na governança
A manutenção de Leonardo no comitê financeiro é vista como um sinal de continuidade na governança e no compromisso com credores e investidores, conforme apontado por Sanchez. Isso proporciona maior segurança aos stakeholders, garantindo que o conhecimento sobre a crise interna da Americanas permaneça presente na gestão.
Monitoramento da recuperação da Americanas
Para o futuro, Sanchez observa que é crucial acompanhar o plano de recuperação da varejista, focando na execução da transição e na saída da fase emergencial instaurada em 2023. Ela chama a atenção para a implementação de medidas voltadas ao aumento da produtividade e elevação das margens, sem perder de vista a reputação da Americanas, que ainda enfrenta desafios.
“Essa troca do comando da Americanas é mais do que uma simples mudança de cadeira; trata-se de uma transição de fase no processo de recuperação da empresa,” conclui a analista. “A companhia sai de um momento de crise aguda, onde precisava de um perfil financeiro para estabilizar a operação, para uma fase de reconstrução e ganho de eficiência, com um CEO [Soares] que possui experiência prática em operações de transformação, o que será fundamental nessa transição.”
Resultados financeiros da Americanas
No segundo trimestre de 2025, a Americanas registrou um prejuízo líquido de R$ 98 milhões, uma redução de 94,7% em comparação ao prejuízo de R$ 1,86 bilhão do ano anterior. O Ebitda ajustado aumentou 1.216%, alcançando R$ 329 milhões; desconsiderando os efeitos do IFRS 16, o Ebitda ajustado ficou positivo em R$ 94 milhões, revertendo o resultado negativo do ano passado.
O volume bruto de mercadorias (GMV) totalizou R$ 5,2 bilhões, representando um crescimento de 15,6% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelo aumento de 35,7% no GMV físico, que atingiu R$ 4,35 bilhões.
A receita líquida da Americanas subiu 24,7% na comparação anual, atingindo R$ 3,84 bilhões.
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 38 milhões, uma melhora de 97,5% em relação ao prejuízo de R$ 1,55 bilhão do segundo trimestre de 2024.