O Brasil pode voltar a enfrentar os efeitos do El Niño nos próximos meses. Meteorologistas discutem a possibilidade de um evento mais intenso, denominado ‘El Niño Godzilla‘, que é um termo utilizado para descrever episódios extremamente fortes desse fenômeno climático.
Embora ainda não haja confirmação da ocorrência de um Super El Niño em 2026/2027, modelos climáticos internacionais indicam a presença de condições favoráveis ao desenvolvimento do fenômeno no Oceano Pacífico, despertando a preocupação de especialistas.
De acordo com projeções do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (NOAA), há possibilidades de que o El Niño comece a se formar ao longo deste ano, o que poderá impactar o clima global durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.
O que é o ‘El Niño Godzilla’?
O fenômeno El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial apresentam temperaturas mais elevadas que o normal por um período prolongado. Quando esse aquecimento ultrapassa 2°C em relação à média histórica, o evento é classificado como Super El Niño, uma categoria que é raramente observada, tendo ocorrido apenas algumas vezes desde o início dos registros meteorológicos modernos.
Um dos episódios excepcionais foi registrado entre 2015 e 2016, que recebeu a denominação de ‘El Niño Godzilla’ devido à sua intensidade e aos diversos impactos que provocou em diferentes partes do mundo. Neste momento, os cientistas ainda não possuem certeza sobre a intensidade do próximo evento, uma vez que as projeções variam significativamente entre os modelos climáticos.
O que pode acontecer no Brasil?
Os efeitos do El Niño tendem a variar consideravelmente entre as diferentes regiões do Brasil. Análises do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que o Sul do Brasil, normalmente, sofre um aumento nas chuvas durante os episódios desse fenômeno. Em contrapartida, o Norte e parte do Nordeste geralmente enfrentam a diminuição das precipitações, resultando em períodos de seca prolongada.
Seca, calor e risco de incêndios
A redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste pode impactar diretamente os rios, reservatórios e a geração de energia hidrelétrica. Além disso, esse fenômeno gera preocupações relacionadas à possibilidade de intensificação das queimadas na Amazônia e no Pantanal, especialmente se ocorrer em conjunto com temperaturas acima da média.
No Sudeste e no Centro-Oeste, a tendência histórica demonstra um aumento nas temperaturas e uma frequência maior dos veranicos — que são períodos caracterizados por calor intenso e estiagem, mesmo durante a estação chuvosa. Essa mudança climática pode afetar culturas agrícolas significativas, como soja, milho e café.
O risco de enchentes no Sul
Enquanto algumas regiões enfrentam seca, o Sul do Brasil tende a experimentar o efeito oposto. Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná frequentemente apresentam um aumento na frequência e na intensidade das chuvas durante eventos de El Niño mais fortes. Essa situação eleva os riscos de enchentes, alagamentos, deslizamentos de terra e gera transtornos para a agricultura.
No Rio Grande do Sul, meteorologistas estão monitorando com atenção a possibilidade de um novo evento intenso, considerando as enchentes históricas que ocorreram nos últimos anos na região.
Ainda não há certeza
Apesar das projeções existentes, especialistas ressaltam que ainda é prematuro prever qual será a intensidade do próximo evento de El Niño. Os modelos climáticos exibem variações significativas nas estimativas, e a precisão das previsões tende a aumentar nos próximos meses. Portanto, o entendimento consensual entre os cientistas atualmente é que o fenômeno requer monitoramento contínuo, mas ainda não pode ser classificado como uma certeza.
*Sob supervisão de Renan Dantas
Fonte: www.moneytimes.com.br