O que esperar da prévia do 1T26? Desempenho robusto na produção e metais básicos em alta podem mitigar a pressão dos custos.

O que esperar da prévia do 1T26? Desempenho robusto na produção e metais básicos em alta podem mitigar a pressão dos custos.

by Ricardo Almeida
0 comentários

Prévia Operacional da Vale (VALE3)

A Vale (VALE3) anuncia nesta quinta-feira (16), após o fechamento do mercado, a prévia operacional do primeiro trimestre de 2026. As expectativas indicam um trimestre sólido em termos de volumes e preços, embora sobrecarregado por custos elevados.

Produção de Minério de Ferro

As estimativas de instituições financeiras, como Citi e Santander, projetam uma produção de minério de ferro na faixa de 68 a 69 milhões de toneladas. Essa produção se mantém praticamente estável em comparação ao mesmo período do ano anterior, mesmo considerando os efeitos sazonais do período chuvoso no Brasil.

De acordo com análise do Citi, liderada por Alexander Hacking, o trimestre deverá apresentar "produção e embarques resilientes", com preço realizado próximo de US$ 96 por tonelada. A equipe modelou produção e embarques entre 68 a 69 milhões de toneladas, indicando um desempenho operacional robusto para o período, apesar das condições sazonais típicas.

O Santander, sob a liderança de Yuri Pereira, prevê embarques de 67,6 milhões de toneladas, representando um crescimento de 2% em relação ao ano anterior. Este aumento é sustentado pelo ramp-up de ativos como Capanema e Vargem Grande, embora seja parcialmente compensado por interrupções e fatores sazonais.

Custos Elevados

Embora a estabilidade operacional seja notável, a principal preocupação recai sob os custos. O Citi enfatiza que a empresa enfrentará uma pressão significativa a cada trimestre, impulsionada por fatores como câmbio, combustível e outras variáveis. As previsões indicam que os custos deverão ser mais elevados em comparação ao trimestre anterior, afetados por taxas cambiais (aproximadamente US$ 1,5 por tonelada), custos de produção (cerca de US$ 1 por tonelada) e despesas com combustíveis, além da exposição relevante ao bunker fuel no curto prazo.

O Santander corroborou essa avaliação, estimando um aumento no custo caixa (C1) para US$ 23,7 por tonelada, em comparação com US$ 21,3 por tonelada no 4T25. Essa alta é atribuída a maiores custos de produção, influência cambial e um aumento nos gastos com fornecedores, o que terá impacto na rentabilidade na comparação trimestral.

Desempenho da Divisão de Metais para Transição Energética

Um ponto de destaque para o trimestre é a divisão de metais voltados para a transição energética (ETM), que deve registrar um desempenho expressivo em cobre e níquel. O Citi indicou que os resultados dessa divisão devem ser "fortes", impulsionados por preços favoráveis e produção consistente.

A análise aponta para um trimestre particularmente robusto em metais básicos, com ênfase no cobre, que será impulsionado por preços mais elevados e uma produção sólida, além da contribuição de subprodutos. O Santander projeta uma produção de cobre de 96,8 mil toneladas, um aumento de 6% em relação ao ano anterior, e produção de níquel de 48,6 mil toneladas, representando um crescimento de 11%, mesmo que com queda sequencial devido à sazonalidade. Os analistas ressaltam que, embora tenha havido um recuo trimestral, o desempenho anual continua a confirmar a evolução estrutural dessa divisão.

Além disso, o Santander prevê um aumento significativo na contribuição da divisão, com EBITDA estimado em US$ 1,33 bilhão, um incremento de 140% na comparação anual. Este valor deverá representar aproximadamente 33% do EBITDA consolidado da empresa. Os analistas observam que a divisão de metais para transição energética continua a se tornar estruturalmente mais relevante, apresentando margens elevadas e crescimento sólido no ano, refletindo favoravelmente tanto nos preços quanto nos volumes.

Expectativa de Geração de Caixa

No contexto geral, as expectativas são de um trimestre robusto em termos de geração de caixa. O Citi estima um EBITDA de US$ 4,0 bilhões. Apesar da pressão nos custos, a combinação de volumes resilientes e preços elevados deve permitir a manutenção de um nível sólido de EBITDA. O Santander prevê um valor similar de US$ 4,08 bilhões, representando um crescimento de 27% em relação ao ano anterior.

De acordo com os analistas do Citi, a Vale se mantém relativamente protegida no setor. A empresa está em uma posição diferenciada em relação a outras mineradoras, devido ao seu foco em geração de caixa e menor exposição a projetos greenfield. Ademais, o minério de ferro tende a ser menos suscetível a oscilações do mercado do que metais básicos e preciosos, fator que reforça sua resiliência.

Recomendação dos Analistas

O Citi mantém sua recomendação de compra para a Vale, sustentada pela forte geração de fluxo de caixa livre e disciplina de capital. O Santander também apresenta uma visão otimista, classificando a empresa como outperform, com um preço-alvo de US$ 15,50 para as American Depositary Receipts (ADRs), destacando a melhoria estrutural da divisão de metais para a transição energética como um dos principais vetores de valor.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy