Ações da Oncoclínicas Disparam Após Anúncio de Parceria com Fleury e Porto Seguro
As ações da Oncoclínicas (ONCO3) apresentaram uma alta de quase 70% no pregão desta segunda-feira, 23 de outubro. O movimento significativo no valor das ações se deu após a companhia Fleury (FLRY3) anunciar a sua adesão à Porto Seguro (PSSA3) em um acordo que pode trazer um fortalecimento financeiro para a rede de serviços oncológicos.
Desdobramentos da Parceria
Em um comunicado anterior, o Fleury informou ao mercado que formalizou sua adesão ao termo de compromisso não vinculante, que havia sido originalmente assinado entre as duas empresas e que mapeia as diretrizes para uma possível operação conjunta. Na semana passada, a Oncoclínicas e a Porto Seguro já haviam estabelecido um acordo visando a criação de uma nova empresa, anunciado em meio à pressão financeira enfrentada pela rede de serviços oncológicos.
O comunicado de hoje, 23 de outubro, informa que o Fleury assinou um aditivo ao termo previamente estabelecido. O chamado “term sheet” refere-se a um documento de natureza preliminar e não vinculante.
Desempenho das Ações
Por volta das 16h30, horário de Brasília, as ações da Oncoclínicas atingiram um aumento de 63,46%, alcançando o valor de R$ 2,55 por ação. O mercado acompanhou atentamente esse movimento.
Análise do Bradesco BBI
Analistas do Bradesco BBI destacaram duas razões principais que tornam a notícia favorável para a Oncoclínicas e que ajudam a explicar a alta das ações nesta segunda-feira. Primeiramente, a Fleury é reconhecida como uma prestadora de serviços ambulatoriais de alto nível e líder no mercado, o que pode reforçar a reputação médica da Oncoclínicas e trazer melhorias na governança, juntamente com a Porto Seguro.
Além disso, a análise aponta que o acordo reduz o risco de uma deterioração significativa na qualidade dos serviços da Oncoclínicas, uma vez que dois dos três principais pagadores da empresa, Bradesco e Porto Seguro, estão, direta ou indiretamente, investindo na companhia. Esses dois grupos respondem por aproximadamente 10% e 7% das receitas da Oncoclínicas, respectivamente.
Por outro lado, a análise observa que a redução da alavancagem, resultante de um aporte de capital de R$ 500 milhões, é relativamente modesta. A dívida líquida total da Oncoclínicas passaria de R$ 2,38 bilhões, configurando uma relação de 3,6 vezes em relação ao Ebitda anualizado do terceiro trimestre.
Estrutura da Potencial Operação
O termo proposto sugere que a Oncoclínicas contribuiria para a nova empresa com todos os ativos e operações relativos às suas clínicas oncológicas, além de endividamentos e passivos, totalizando um montante que não excederia R$ 2,5 bilhões.
Entretanto, Fleury e Porto planejam investir, em conjunto, R$ 500 milhões na nova companhia através de uma holding. Esta estruturação os tornará os únicos acionistas e permitirá que eles assumam o controle da nova empresa.
A nova empresa emitirá debêntures voluntariamente conversíveis em ações ordinárias de sua própria emissão, que serão subscritas pela holding, pela Porto ou pela Fleury. A Oncoclínicas terá o direito de subscrever debêntures conversíveis, limitadas a 30% do volume total emitido.
Essas debêntures conversíveis terão um valor total de R$ 500 milhões, com vencimento em 48 meses após o desembolso, e oferecerão uma remuneração equivalente a 110% do CDI. A conversão das debêntures poderá ser solicitada a partir do 36º mês da data de emissão ou em caso de verificação de um evento de liquidez da nova entidade.
Fatores a Serem Considerados
A estrutura da potencial operação está sujeita a algumas condições, que incluem:
- A obtenção das aprovações internas necessárias por Fleury, Porto e Oncoclínicas;
- A realização de uma auditoria na Oncoclínicas, cujos resultados devem ser satisfatórios para o Fleury e a Porto;
- A assinatura de documentos vinculantes que estabelecerão as bases definitivas da negociação.
Previsões do Itaú BBA
O Itaú BBA ressalta que a execução das negociações será um fator crucial a ser observado. Segundo os analistas, a conclusão da due diligence será um passo essencial, e a viabilidade da transação dependerá de múltiplos fatores, incluindo o alinhamento entre as partes envolvidas.
Adicionalmente, a possível transferência de clínicas de oncologia para a nova empresa pode demandar novos acordos de credenciamento com operadoras de saúde, além de potencialmente comprometer os acordos de exclusividade que a Oncoclínicas já detém atualmente.
Os especialistas do BBA destacam que essa situação pode ser um desafio, especialmente diante do contexto adverso vigente no setor da saúde.
Por fim, o BBA observa que algumas incertezas ainda existem, dificultando uma avaliação mais clara da transação. Entre esses pontos, ainda é incerto quanto do Ebitda da Oncoclínicas será transferido para a nova empresa e se esse valor poderá ser afetado pela perda de acordos de credenciamento vigentes.
Os analistas acrescentam também que a avaliação implícita da transação ainda não está clara, especialmente em relação à participação que corresponderá ao investimento conjunto de R$ 500 milhões.
Fonte: www.moneytimes.com.br