O que impulsionará a Vale (VALE3) a alcançar novas alturas em 2026 após um aumento de 40% nas ações?

Estimativas de Valorização da Vale

Duas instituições financeiras projetam uma valorização de mais 10% até o final de 2026. O preço-alvo da ADR da Vale em Nova York é estimado em US$ 15,50 pelo Santander, enquanto a Ágora atribui um valor de R$ 83 ao papel no Brasil. A ADR, ou American Depositary Receipt, é um certificado que representa ações de empresas estrangeiras e é negociado nas bolsas dos Estados Unidos.

A Genial adota uma perspectiva mais conservadora, prevendo um preço de R$ 80, o que representa uma valorização de 6% em relação ao valor atual. Apesar das diferenças nas estimativas, todas as casas de análise indicam compra devido ao potencial da VALE3 em comparação com suas principais concorrentes. Historicamente, as ações da Vale têm negociado a um desconto em relação às mineradoras australianas, porém a companhia brasileira deve reduzir essa diferença com avanços significativos em governança corporativa.

“As ações da Vale sempre negociaram abaixo dos seus pares da Austrália, com desconto histórico na faixa de 20% a 25%. Considerando que a companhia já endereçou parte relevante dos riscos regulatórios e ambientais no Brasil, que justificavam um prêmio de risco maior, acreditamos que a tendência seja o fechamento desse gap (diferença)”, comenta Renato Chanes, analista de Research na Ágora.

Fim dos Dividendos Extraordinários e Impacto no Fluxo de Caixa

A Vale tem reduzido os desembolsos relacionados aos desastres de Brumadinho e Samarco, que, por meio do acordo de Mariana, impactaram sua flexibilidade financeira nos últimos anos. Em 2025, esses pagamentos ainda ocorrerão em patamares elevados, mas para 2026, e especialmente a partir de 2027, essa despesa deve reduzir de maneira significativa, possibilitando uma recuperação no fluxo de caixa livre (FCF).

“À medida que essas obrigações se dissipam, acreditamos que a companhia passará a operar com uma estrutura financeira mais limpa e uma menor assimetria de risco, além de oferecer uma maior previsibilidade de FCF, um aspecto que ainda parece subprecificado pelo mercado”, afirma Guedes da Genial.

“Essa assimetria fica evidente quando se nota que, mesmo com múltiplos mais baixos, a Vale já apresenta FCF yields (retornos) superiores aos de seus pares, com um retorno de fluxo de caixa livre (FCF yields) de 14% em comparação a 7% das concorrentes,” ressalta.

Nos níveis atuais de preço do minério de ferro, que está cotado a US$ 107, Chanes, da Ágora, acredita que a VALE3 irá gerar aproximadamente 13% de seu valor de mercado em caixa neste ano, enquanto mineradoras australianas devem alcançar cerca de 8%. “Em um cenário de redução de juros e maior busca por renda, isso parece ser um fator positivo para as ações da empresa”, avalia.

Este indicador mensura quanto a empresa consegue gerar em dinheiro após o pagamento de investimentos e despesas, comparando esse valor com seu preço na Bolsa de Valores. Atualmente, o valor de mercado da Vale é de aproximadamente R$ 343 bilhões.

Desconto Estrutural da Vale em Relação às Mineradoras Australianas

Embora a Vale tenha superado os traumas causados por Brumadinho e Mariana, continua a apresentar um desconto estrutural em relação a seus pares. Fatores como o risco Brasil, a maior distância em relação ao principal consumidor (China) e a maior volatilidade de resultados impactam a operação, uma vez que as mineradoras australianas não enfrentam esses problemas, devido à sua contabilidade dolarizada e menor distância do gigante asiático.

A Vale repaginou seu mix de vendas, diminuindo a participação de volumes de alta qualidade e aumentando a oferta de produtos de qualidade média. “Essa flexibilidade se traduz em uma vantagem competitiva concreta, que não é facilmente replicável pelos produtores australianos devido a questões geológicas,” observa Guedes.

Estimando um múltiplo de 3,8 vezes o valor da empresa em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EV/Ebitda), o Santander também aponta um desconto relevante da mineradora brasileira em relação ao consenso de mercado e aos pares globais, como a BHP, que possui um valor de mercado de 7,5 vezes em relação ao Ebitda, e Rio Tinto (8,6 vezes).

No relatório, o banco destaca a geração robusta de caixa da Vale e sua política de remuneração como fatores atraentes para acionistas.

Dividendos Elevados como Ponto Positivo para o Investimento

Para o ano de 2026, o Santander projeta que os dividendos da Vale alcançarão um mínimo de cerca de US$ 4,1 bilhões, o que corresponde a um dividend yield (rendimento de proventos) próximo de 7,5%, com espaço adicional para pagamentos extraordinários, caso a empresa opere próxima à sua meta de endividamento.

A combinação de preços sustentados do minério, eficiência operacional, mix de produtos e disciplina de capital contribui para a visão de que a Vale oferece uma das melhores relações risco-retorno do setor, segundo os analistas do banco.

Igor Guedes, analista da Genial Investimentos, observa que a companhia menos pressionada está negociando a um EV/Ebitda de cinco vezes. “Vale considerar que as ações subiram 15% em dois meses, o que ajudou a descomprimir o múltiplo. Contudo, ainda assim a empresa continua a negociar com um desconto relativo em relação à BHP e Rio Tinto”, aponta. Mesmo contemplando múltiplos mais altos, ele vê um dividend yield maior, em 9,5%, mas sem a expectativa de proventos extraordinários.

Renato Chanes reconhece que a recente valorização da mineradora reduz a margem de segurança para o investidor. Entretanto, a Ágora mantém uma visão positiva baseada no forte desempenho operacional, na redução nos custos da divisão de minério de ferro (US$ 20 por tonelada) e na resiliência do preço do produto em torno de US$ 100 por tonelada, além de uma reestruturação operacional na divisão de metais básicos (VBM).

O aumento do volume de produção da S11D, o maior projeto de mineração de minério de ferro da VALE3, localizado em Canaã dos Carajás (PA), também sustenta a visão otimista de Chanes. “Continuamos a enxergar espaço para novas valorizações nas ações,” conclui.

Expectativa em Relação à Demanda de Minério de Ferro e Impacto da China

Igor Guedes, da Genial, manifesta uma visão mais conservadora quanto ao mercado de minério de ferro, esperando uma média de US$ 95 por tonelada. Esse cenário se baseia na diminuição da demanda por aço na China, resultado da fragilidade do setor imobiliário.

“Este deve ser o pior ano da crise, que teve início em 2021,” mencionou, apontando que as siderúrgicas chinesas também estão produzindo 4% a menos em comparação anual de janeiro a novembro. “Esse cenário poderá resultar em uma redução na demanda de minério de ferro em cerca de 50 milhões de toneladas estimadas em um período de 12 meses,” completo.

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Ocorre tudo isso em um contexto de maior oferta global. Guedes admite que esses fatores já estavam presentes em 2025, com o minério cotado a US$ 110, mas que esse “descolamento” é consequência de fatores de curto prazo que não devem se repetir, como o acordo comercial assinado em novembro entre EUA e China e a valorização da taxa de câmbio chinesa, que melhora o poder de compra nas commodities.

Os analistas do Santander, no entanto, possuem uma visão divergente e defendem que a demanda por minério continuará, especialmente na China. Embora o setor imobiliário chinês represente um risco, esse efeito deve ser atenuado pelo crescente peso dos investimentos em infraestrutura, pela urbanização estrutural e pela modernização da indústria siderúrgica chinesa.

Impacto do Projeto Simandou na Oferta Global

Além disso, o banco considera o crescimento estrutural do consumo em mercados como Índia, Sudeste Asiático e Oriente Médio como importante. O relatório também menciona as “taxas elevadas de depleção das minas” (indicador de vida útil restante das jazidas) e custos marginais de produção mais altos.

Simandou, projetando uma contribuição de aproximadamente 20 milhões de toneladas em 2026. No entanto, avalia que esse volume não será suficiente para causar um desequilíbrio significativo no mercado.

O Projeto Simandou é um mega-projeto de mineração de ferro de alto teor localizado na Guiné, África Ocidental, e envolve um consórcio com a Rio Tinto, Chinalco, Baowu (China) e o governo da Guiné.

“O aumento da produção em Simandou deverá ser gradual, atingindo a capacidade nominal até o final da década. A expectativa é que o esgotamento acelerado de outras minas compense parcialmente esse impacto,” conclui o analista da Ágora.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

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