Transformação da Indústria de Fundos Imobiliários
A indústria de fundos imobiliários (FIIs) está passando por uma transformação significativa e discreta. O TRXF11, sob gestão da TRX Investimentos, representa um exemplo claro dessa nova fase.
Necessidade de Crescimento
O fenômeno se deve à necessidade de continuidade no crescimento em um cenário caracterizado por uma Selic elevada e um mercado secundário desvalorizado. Gabriel Barbosa, sócio e gestor da TRX, explica que muitos fundos estão apresentando deságio em relação ao valor patrimonial, negociando abaixo de 1 no P/VP. Consequentemente, a captação de novos recursos tem se tornado um desafio.
“A troca de cotas por imóveis é uma solução criativa e eficaz que permite ao FII adquirir ativos estratégicos e, ao mesmo tempo, preservar a estrutura de capital”, afirma Barbosa. Ele ressalta que essa abordagem tem funcionado bem para o TRXF11, pois, em vez de liquidar seus ativos, muitos proprietários escolheram se tornar cotistas do fundo.
Práticas em Outras Gestoras
Outras gestoras de FIIs, como Pátria e Zagros Capital, estão adotando abordagens semelhantes recentemente.
Sinais de Maturidade
Barbosa observa que, embora o modelo não seja exatamente novo, ele ganhou importância e escala à medida que os FIIs de tijolo consolidaram sua governança e credibilidade. “O fato de um imóvel ser aceito como forma de integralização de cotas demonstra o nível de confiança que o mercado deposita na estrutura dos fundos imobiliários”, acrescenta ele.
Funcionamento Prático
Essas operações consistem na venda de um imóvel pelo proprietário ao fundo, que efetua o pagamento com a emissão de cotas específicas para aquela negociação. Barbosa esclarece que todo o processo é aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e assegurado por laudos de avaliações independentes, que determinam o valor justo do imóvel e a equivalência patrimonial em cotas.
“No caso do TRXF11, todas as transações seguem critérios rigorosos e diligência técnica, garantindo transparência e equidade entre os cotistas e novos parceiros”, enfatiza.
Vantagens do Modelo
De acordo com o executivo, o modelo oferece vantagens bem definidas em comparação às emissões tradicionais. Ele continua: “Além do ganho de eficiência financeira, pois o FII evita manter caixa ocioso e reduz custos associados, o vendedor do imóvel se beneficia ao se tornar cotista de um fundo diversificado com gestão profissional, mantendo exposição ao imóvel dentro de uma estrutura mais segura e líquida”.
Presença de Investidores Institucionais
Esse tipo de estratégia também tem atraído a atenção de investidores institucionais. Segundo Barbosa, esses investidores buscam fundamentos sólidos, ativos de qualidade, contratos consistentes e fundos imobiliários com histórico comprovado. “Atualmente, os FIIs se mostram uma alternativa interessante para esse público, especialmente quando surgem oportunidades de entrada por meio da estruturação direta de operações, como a troca de cotas por imóveis”, completa.
A Perspectiva de Futuro
Barbosa acredita que a presença crescente de investidores institucionais traz robustez e credibilidade à indústria de fundos imobiliários. “A troca de cotas e a entrada de institucionais são indícios claros de maturidade do setor”, afirma ele. O gestor da TRX também acredita que essa tendência deve se intensificar nos próximos anos. “O mercado brasileiro de FIIs está se alinhando ao modelo dos REITs internacionais, com transações cada vez mais sofisticadas e um ecossistema de investidores mais diversificado.”
Os REITs, comuns nos Estados Unidos e Canadá, são um tipo de investimento que proporciona aos investidores acesso a ativos imobiliários de maneira simplificada, sendo a sigla a abreviação de Real Estate Investment Trusts.
Fonte: www.moneytimes.com.br


