O que ITUB4, SANB11 e BBAS3 disseram sobre o fundo e o caso Master.

Contexto da Liquidação do Master

O Master nunca foi considerado um problema sistêmico para o setor financeiro, mas sua liquidação sempre gerou preocupações devido à significativa exposição ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Desdobramentos Recentes

Nesta manhã, uma nova instituição vinculada ao banco enfrentou dificuldades: o Pleno, ligado ao banco de Daniel Vorcaro até julho de 2025. A liquidação do Pleno se soma aos R$ 40,6 bilhões referentes a investidores do Master, além dos R$ 6,3 bilhões dos clientes do Will Bank, que também serão cobertos pelo FGC.

Conforme informado pelo fundo, o Pleno possuía uma base estimada de 160 mil credores que fazem jus ao pagamento de garantia, somando um total de R$ 4,9 bilhões. Assim, já foram consumidos R$ 51,8 bilhões. Devido a essas ocorrências, toda a estrutura do sistema terá que suportar os custos envolvidos. Como ressaltou a CEO do Banco do Brasil (BBAS3), Tarciana Medeiros, o FGC funciona como um condomínio; se um morador não cumprir suas obrigações, todos os demais devem arcar com a diferença.

Ações do FGC

Até o presente momento, o Conselho do Fundo aprovou um plano de recomposição que prevê um adiantamento inicial do equivalente a cinco anos de contribuições feitas pelos bancos. Em 2027, está programada uma nova antecipação de 12 meses de repasses, acompanhada de mais 12 meses em 2028, totalizando um período de sete anos de contribuições antecipadas.

Segunda fontes informadas ao Broadcast, o plano envolve um aumento extraordinário de 30% a 60% nos valores pagos mensalmente pelas instituições ao FGC. O objetivo é assegurar que, até o fim do primeiro trimestre deste ano, o FGC tenha um caixa líquido que corresponda aos riscos do sistema financeiro.

Reações dos Principais Bancos

Durante as coletivas de resultados do quarto trimestre, os principais bancos foram amplamente questionados sobre o Master devido à gravidade e ao impacto que esse caso provocou.

Os cinco maiores bancos do Brasil — Banco do Brasil, Bradesco (BBDC4), Caixa, Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11) — respondem por cerca de 80% das contribuições ao FGC. Além das discussões sobre a recomposição do fundo, os executivos enfatizaram que um novo Master não deve ocorrer em território brasileiro, como afirmou o CEO do Santander, Mário Leão.

No entanto, ele se absteve de antecipar os diálogos sobre a recapitalização do fundo. Mário Leão mencionou que “esse diálogo é bastante frequente entre os grandes bancos, o FGC e o regulador. Estamos debatendo. Os bancos não são os únicos envolvidos, mas estão ativamente participando dessas discussões. A expectativa é que algo seja definido nas próximas semanas ou meses”.

Perspectivas e Comentários do Setor

O CEO do Itaú, Milton Maluhy, destacou que o evento preso pelo Master é de magnitude significativa, considerado um dos maiores já vistos no sistema financeiro do Brasil. Maluhy mencionou que, para compensar esse valor, os bancos precisarão investir recursos, o que levantam a possibilidade de que parte desse custo seja repassada ao consumidor por meio do aumento de tarifas e spreads.

“O aporte será realizado, não há dúvidas sobre isso. A questão central é como minimizar os custos, pois essa situação acaba, no fim das contas, impactando a sociedade, seja no custo da captação de crédito, ou ainda no aumento nos preços dos investimentos”, ressaltou o CEO do Itaú.

Ele enfatizou que será necessário encontrar métodos eficazes, já utilizados em crises anteriores, para recapitalizar o fundo enquanto se minimiza ao máximo o impacto, primeiramente para os bancos, e consequentemente, para a sociedade. Maluhy ainda observou que interesses particulares foram colocados acima dos interesses do sistema financeiro.

“Quando analisamos o montante gerado por plataformas que distribuíram esses produtos de forma expressiva, estamos lidando com bilhões de reais em receitas acumuladas dentro desses ecossistemas”, acrescentou.

Custo do Banco do Brasil

Embora os executivos do Banco do Brasil não tenham se manifestado especificamente sobre o Caso Master, o CFO, Giovanne Tobias, informou que o BB terá que arcar com um pagamento de R$ 5 bilhões em decorrência do caso.

“Busca-se recompor essa liquidez o mais rapidamente possível, pois o FGC é crucial para mantenha a solidez do sistema financeiro”, declarou o executivo durante uma coletiva de imprensa.

De acordo com Tobias, a antecipação das contribuições tem um efeito essencialmente patrimonial — ou seja, envolve a movimentação de recursos do balanço do banco para o fundo, que utilizará esses valores para honrar os depositantes cobertos.

Entretanto, essa movimentação também acarreta um custo: o dinheiro deixará de render. “Retiramos R$ 5 bilhões do caixa e perdemos a receita de oportunidade desse valor na tesouraria, que poderia render, conforme a taxa Selic”, explicou o executivo. “É fundamental que exista um FGC robusto, mas estamos abrindo mão de receita com essa operação.”

Fonte: www.moneytimes.com.br

Related posts

Best Buy (BBY) dispara em Nova Iorque após lucro acima das expectativas no primeiro trimestre

Santander (SANB11) revela fusão de sua subsidiária de programas de fidelidade

Dólar recua com avanço nas negociações entre EUA e Irã e inflação PCE abaixo das expectativas

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais