OMC finaliza negociações sem consenso na proposta de reforma

OMC finaliza negociações sem consenso na proposta de reforma

by Fernanda Lima
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Negociações da OMC sem acordo sobre reforma e moratória do comércio eletrônico

As negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) foram concluídas nesta segunda-feira, 30 de outubro, sem a obtenção de um acordo sobre um plano de reforma ou sobre a extensão de uma moratória relacionada ao comércio eletrônico. Esta situação aumenta a pressão sobre o órgão comercial, que enfrenta desafios crescentes devido ao crescimento do nacionalismo econômico.

Encerramento das conversas em Yaoundé

As discussões ministeriais, que se estenderam por quatro dias em Yaoundé, a capital dos Camarões, encerraram-se na manhã de ontem com o Brasil se opondo a uma proposta dos Estados Unidos e de outras nações que visava prorrogar a moratória sobre tarifas alfandegárias para transmissões eletrônicas, incluindo downloads digitais e serviços de streaming.

Impacto do bloqueio na OMC

O secretário-geral adjunto da Câmara de Comércio Internacional, Andrew Wilson, argumentou que essa situação representa mais uma fissura nos fundamentos da OMC. Ele solicitou aos delegados que renovassem a moratória antes que os Estados-membros decidissem impor novas taxas sobre serviços digitais.

A expectativa de avanço nas negociações era baixa antes da reunião; no entanto, havia esperanças de que a moratória, que vem sendo renovada anualmente desde 1998, fosse ao menos prorrogada por mais um período.

Frustração nas negociações

Os ministros de Comércio não conseguiram alcanzar um consenso sobre a extensão da moratória por um período superior a dois anos, o que não atendeu às exigências dos EUA, segundo relataram diplomatas da região. Autoridades dos Estados Unidos, assim como representantes de grupos empresariais, externaram frustração em relação ao resultado das reuniões, enquanto o secretário de Negócios e Comércio do Reino Unido, Peter Kyle, caracterizou a falta de consenso como um “grande retrocesso para o comércio global”.

Desafios enfrentados pela OMC

As negociações foram percebidas como um teste à relevância da OMC, especialmente após um ano marcado por intensa turbulência comercial e interrupções recentes decorrentes das relações entre os EUA e Israel em relação ao Irã.

Não obstante a falta de acordo, um grupo de 66 países decidiu superar obstáculos pré-existentes e iniciar o primeiro acordo global sobre regras de comércio digital entre os participantes da OMC.

Posições dos Estados Unidos e a importância da moratória

A prorrogação da moratória sobre o comércio eletrônico era vista como vital para garantir o apoio dos EUA à OMC. Durante o governo do ex-presidente Donald Trump, o país se afastou de organismos multilaterais globais.

A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, expressou que o órgão commercial ainda esperava restaurar a moratória e que o Brasil e os EUA estavam em possíveis negociações para alcançar um consenso sobre o assunto.

Avanços em propostas de reforma

A OMC informou que houve alguns progressos na elaboração de um roteiro de reforma e que as discussões sobre temas como a reformulação das regras para maior transparência no uso de subsídios e a facilitação da tomada de decisões devem continuar em Genebra. Os Estados Unidos e a União Europeia sustentam que a China, em particular, tem se beneficiado das regras em vigor.

Respostas a propostas de moratória

Diplomatas dedicaram-se a discutir durante o domingo, dia 29, para tentar encontrar um meio-termo entre a proposta inicial do Brasil, que sustentava uma moratória de dois anos, e a do EUA, que buscava uma prorrogação perpétua. Com isso, foi elaborado um plano que sugeria uma extensão de quatro anos com um período de transição de um ano.

O Brasil, por sua vez, apresentou uma proposta de quatro anos que incluía uma cláusula de revisão, mas não obteve apoio suficiente para avançar.

Argumentos contrários à prorrogação longa

Alguns países em desenvolvimento argumentaram contra a extensão da moratória, afirmando que a mesma negaria uma potencial receita tributária. Um representante dos EUA declarou que o Brasil havia rejeitado um “documento quase consensual”, enfatizando que “não é uma disputa entre os EUA e o Brasil, mas sim uma aliança do Brasil e da Turquia contra 164 membros”. Um diplomata brasileiro comentou que a estratégia dos EUA se mostrava exagerada e imprudente, dada a rápida evolução do comércio digital.

Outro diplomata revelou que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, deixou os delegados “desconfortáveis” ao insinuar que haveria “consequências naturais” na ausência de uma prorrogação de longo prazo da moratória.

Uma autoridade dos EUA destacou que Greer argumentara que a OMC se tornaria uma entidade menos relevante sem a realização deste acordo e que as discussões sobre comércio digital acabariam ocorrendo fora da organização.

Implicações futuras e novas estruturas comerciais

Keith Rockwell, analista de comércio da Hinrich Foundation e ex-diretor da OMC, mencionou que os esforços do Brasil para impulsionar o comércio eletrônico em troca de concessões na área agrícola não tiveram sucesso, pois os Estados Unidos demonstraram menor comprometimento com a OMC. Ele também apontou que esse impasse pode impulsionar a formação de estruturas alternativas, como o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífico, que abrange 12 países, incluindo Japão, Reino Unido, Canadá, México e Austrália, mas exclui os Estados Unidos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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