Atrações no Mercado de Títulos
Os investidores ainda conseguem encontrar rendimentos atrativos no mercado de títulos atualmente, e isso pode ser alcançado sem assumir um alto nível de risco, de acordo com Celso Muñoz, da Fidelity. Muñoz é co-gerente do Fidelity Total Bond ETF (FBND), cuja equipe é considerada "melhor da categoria" pela Morningstar. Este ETF, classificado com quatro estrelas e ouro pela Morningstar, atualmente possui um rendimento de 30 dias da SEC de 4,52% e uma taxa de administração de 0,36%. Muñoz não está fazendo grandes esforços para obter essa renda, pois nos dias de hoje está focando nas Treasuries.
Desempenho das Treasuries
Recentemente, os rendimentos dos títulos do governo dos EUA aumentaram, impulsionados pelas ameaças do presidente Donald Trump relacionadas à Groelândia e temores acerca de uma guerra comercial. No entanto, esses rendimentos diminuíram na quarta-feira e permaneceram pouco alterados na quinta-feira. É importante ressaltar que os rendimentos dos títulos se movem de forma inversa aos preços. "Os rendimentos estão agora próximos aos altos dos últimos 20 anos", declarou Muñoz em entrevista ao CNBC. Além disso, os spreads em títulos corporativos de grau de investimento estão apertados, situando-se no percentil mais alto em relação aos últimos 20 anos, acrescentou.
Entendendo os Spreads
Os spreads de crédito representam o prêmio de risco, ou rendimento adicional, que os investidores recebem por assumir riscos. Quando os spreads se estreitam, os investidores recebem menos compensação por esse risco. "Dada essa grande desconexão, essa grande diferença que existe hoje entre o rendimento das Treasuries e sua história, além dos spreads e sua história, eu realmente acredito que as Treasuries oferecem algumas das melhores relações risco-retorno no mercado de renda fixa", afirmou Muñoz.
Alocação do Portfólio
Cerca de 39% do portfólio do Total Bond ETF está alocado em títulos do governo dos EUA, conforme os dados de 31 de dezembro. Este percentual é maior do que Muñoz historicamente manteve. A exposição está concentrada, em grande parte, na parte intermediária da curva de juros, entre cinco e sete anos.
Assumindo Alguns Riscos
Embora esteja adotando essa estratégia conservadora, Muñoz também está assumindo alguns riscos. Apesar dos spreads apertados, cerca de 29% do portfólio está investido em títulos corporativos, com a escolha dos papéis sendo um fator crucial. Títulos das instituições JPMorgan Chase, Bank of America e Morgan Stanley estão entre as principais participações corporativas no ETF. Muñoz prefere títulos corporativos de grau de investimento com vencimentos de curto a intermediário, pois, segundo ele, oferecem um perfil de renda interessante e não são tão sensíveis às mudanças nas taxas de juros e nos spreads.
Qualidade de Crédito
Em termos de qualidade de crédito, ele mostra preferência pelos títulos corporativos no limite inferior do grau de investimento, classificados como BBB. "Tende a haver uma maior dispersão de spreads", observou Muñoz. "Há um pouco mais de controvérsia no mercado. Alguns desses nomes são um pouco mais difíceis de entender, e eu acho que é aí que a pesquisa pode realmente agregar muito valor."
Situação Econômica
Enquanto os spreads ainda estão relativamente altos, Muñoz opina que a economia está em boa forma. Ele acrescentou que os índices de inadimplência têm sido bastante baixos nos segmentos de alto rendimento. "Quando você tem inadimplências baixas e um panorama econômico benigno, o perfil de renda dos títulos de alto rendimento acaba se tornando bastante atrativo", afirmou.
Cautela com Inteligência Artificial
Uma área onde não há muito otimismo é em relação a títulos ligados à inteligência artificial. Muñoz observou que títulos corporativos e produtos securitizados estão sendo lançados no mercado à medida que as empresas buscam financiamento para desenvolver suas tecnologias. "Muitas das emissões que estão chegando possuem preços bastante elevados… portanto, o potencial de valorização é apenas moderado", alertou. "Há muito menos motivo para entusiasmo no lado da renda fixa, quando se trata de IA, do que pode haver no mercado de ações."
Fonte: www.cnbc.com


