Os números continuam verdadeiros – Estadão E-Investidor

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by Ricardo Almeida
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Cenário Atual do Crédito no Agronegócio

Com o final do ano se aproximando, as famílias começam os preparativos para as celebrações de Natal e Ano Novo. Ao mesmo tempo, surgem notícias sobre um conjunto de desafios enfrentados pelo setor de crédito no agronegócio.

Aumento de Pedidos de Recuperação Judicial

Os veículos de comunicação têm amplamente reportado, de forma incisiva, um aumento nos pedidos de recuperação judicial dentro do setor agrícola, assim como um suposto aperto no acesso ao crédito. Esse cenário é supostamente impulsionado por default em carteiras de grandes instituições financeiras e pela não utilização de parcelas significativas do crédito rural disponível através do Plano Safra 2025/2026.

Números do Boletim de Finanças do Agronegócio

Apesar das informações que sugerem dificuldades, a análise dos dados oficiais revela um quadro mais otimista. De acordo com a edição de novembro de 2025 do Boletim de Finanças Privadas do Agro, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as operações de crédito privado no agronegócio experimentaram um crescimento significativo.

O estoque de títulos privados relacionados ao agronegócio, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CPR), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e captações do Fundo de Investimento em Agronegócio (Fiagro), aumentou de aproximadamente R$ 1,2 trilhões em agosto para cerca de R$ 1,4 trilhões ao final de outubro de 2025.

Contexto Aumentando com Desafios

Esse acréscimo de quase 17% em um curto espaço de tempo acontece em meio a circunstâncias desafiadoras, incluindo tarifas impostas por Trump, que afetaram muitos produtos agropecuários, uma taxa Selic elevada, fixada em 15%, e um ambiente de crédito que se tornou cada vez mais complicado, alimentado por uma avalanche de notícias negativas.

Indicadores de Recuperação Judicial e Endividamento

Esse resultado positivo é notável, mesmo considerando o que a Serasa Experian reporta em seu quinto boletim, que aponta que os pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário representam 73% do total registrado em 2024, além de um crescimento de 8,1% na inadimplência entre a população rural.

No que diz respeito ao crédito rural, os dados indicam uma redução de 16% na contratação de operações — ou seja, um decréscimo no volume de recursos efetivamente repassados aos produtores — no primeiro semestre de 2025.

Análise do Desempenho do Setor

Diante dessas informações, verifica-se um aumento do risco, uma queda no endividamento nos registros oficiais e, mesmo assim, um crescimento superior a R$ 200 bilhões nas operações com crédito privado no agronegócio.

Alguns balanços de instituições financeiras significativas também apontam perdas associadas à inadimplência, porém essas ocorrem de forma concentrada em determinadas regiões e culturas. Essa situação é corroborada por estudos realizados pela Serasa e por declarações recentes de executivos do Banco do Brasil, que desconsideram a possibilidade de uma crise setorial, apesar das tentativas de alguns para promover uma narrativa de dificuldades.

Tendências da Produção Agropecuária

A diminuição no uso de recursos financeiros provenientes de fontes oficiais pode indicar uma atitude cautelosa por parte dos produtores rurais, que estão mais propensos a adotar uma abordagem seletiva na busca por crédito — predominantemente privado, como constatado no Boletim de Finanças do Agro.

Em relação aos preços, pesquisas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) mostraram uma recuperação do Valor da Produção Bruta (VPB) estimada em 12%, além de expectativas de um aumento na produção de grãos e outros indicadores que sinalizam uma potencial elevação de renda no campo para 2026.

Desafios Persistentes

Entretanto, a desvalorização do câmbio pode reduzir parte do impacto positivo gerado por essa recuperação, e as taxas de juros continuação em níveis elevados não favorecem uma reconstituição sólida das margens dos produtores, que tradicionalmente necessitam de cerca de R$ 1 trilhão em crédito anualmente para suportar safras recordes.

Expectativas para a Safra de 2026/2027

O ano eleitoral é um período que geralmente traz volatilidade para a economia. O câmbio, preços, taxas futuras de juros e o clima de mercado tendem a oscilar em resposta às pesquisas eleitorais. No entanto, a dinâmica do mercado físico, a recuperação nos preços e os dados sobre financiamentos indicam um possível movimento de melhora para a safra 2026/2027. Este otimismo é reforçado pela resolução de muitas das recuperações judiciais relacionadas a elos relevantes da cadeia produtiva, como revendas.

Os pedidos de recuperação judicial por parte de agricultores permanecem relativamente baixos e localizados, considerando um universo amplo de aproximadamente 5 milhões de propriedades, conforme o último Censo Agropecuário do IBGE.

Considerações Finais

É evidente que uma recuperação mais robusta das margens depende da ocorrência de clima favorável, regulação equilibrada e de mercados menos isolados — uma situação que é reforçada pela recente diminuição das tarifas impostas sobre produtos essenciais da nossa pauta de exportação.

Além disso, barreiras não tarifárias, como o Green Deal europeu, cuja implementação foi adiada por mais um ano, somadas às eleições gerais no Brasil, contribuem para um ambiente econômico instável. Contudo, os dados referentes ao mercado e ao crédito no agronegócio, que desempenha um papel fundamental na produção nacional, apontam para um viés positivo para a safra 2026/2027, criando condições propícias para uma recuperação das margens dos produtores e das operações no setor agrícola.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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