Super Quarta: Decisões sobre Juros pelo Copom e Fed
Na presente semana, a Super Quarta atrai a atenção dos investidores, uma vez que as autoridades monetárias tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos anunciarão suas novas decisões sobre a taxa de juros. Esse evento ocorre em meio a um contexto de elevada incerteza global.
No Brasil, o foco está voltado para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, programada para a próxima quarta-feira, dia 18. Atualmente, a Taxa Selic está mantida em 15% ao ano, um patamar que não era alcançado há quase duas décadas e que é considerado bastante restritivo.
A decisão do Copom acontece em um período em que dados econômicos recentes permitem calibrar as expectativas para os próximos passos da política monetária, enquanto fatores externos também influenciam a discussão. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou o preço do petróleo para além dos US$ 100 por barril, reacendendo preocupações sobre possíveis impactos inflacionários em escala global.
Conforme indicado na última comunicação do Banco Central, um ciclo de afrouxamento monetário está previsto para ter início na próxima reunião. A expectativa gira em torno de qual será a magnitude do corte: se de 0,25 pontos percentuais ou 0,50 pontos percentuais.
Inflação Acelera em Fevereiro
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficialmente reconhecido para medir a inflação no Brasil, registrou um aumento de 0,70% em fevereiro. Esse resultado representa uma aceleração em comparação à alta de 0,33% que foi verificada em janeiro. Vale ressaltar que, em fevereiro de 2025, havia sido observada uma variação de 1,31%.
No que diz respeito ao acumulado de 12 meses, a inflação atinge a marca de 3,81%, permanecendo dentro dos limites estabelecidos pela meta do Banco Central, que é de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual tanto para mais quanto para menos. O dado superou as expectativas do mercado, que, conforme a mediana das projeções coletadas pelo Broadcast, previa uma alta de 0,63% para o mês e uma inflação de 3,74% em um período de 12 meses.
Mercado de Trabalho Apresenta Resultados Positivos
Os dados mais recentes acerca do mercado de trabalho seguem apontando para uma taxa de desemprego reduzida, além da criação de novas vagas formais. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a taxa de desocupação se estabeleceu em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, apresentando estabilidade em relação ao trimestre anterior, no qual havia registrado 5,1%.
Por sua vez, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicou que o Brasil criou 112.334 novas vagas formais de trabalho apenas em janeiro de 2026. Esse número supera a expectativa de 92 mil postos, conforme a mediana das previsões obtidas pelo Broadcast. Durante o mesmo período, foram contabilizadas 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos.
Analisando o acumulado de 12 meses até janeiro, o saldo de empregos formais no Brasil atinge 1.228.483 vagas, o que demonstra uma evolução positiva no cenário de trabalho.
Crescimento Econômico em Ritmo Moderado
Em relação à atividade econômica, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou um crescimento de 0,1% no quarto trimestre de 2025, conforme indicado por dados do IBGE. No acumulado do ano, a economia demonstrou uma expansão de 2,3%, resultado que se alinha às expectativas do mercado, segundo a mediana das projeções do Broadcast.
O crescimento econômico ao longo de 2025 foi significativamente impulsionado pelo setor agropecuário, que registrou um aumento de 11,7%, seguido pelos serviços, que avançaram 1,8%, e pela indústria, que teve um crescimento de 1,4%.
Desafios Externos e Implicações no Setor de Petróleo
A crescente tensão no Oriente Médio passou a ser uma preocupação entre os investidores. O preço do petróleo, mais uma vez, disparou e superou o patamar dos US$ 100 por barril, o que se deve a ofensivas na região e ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte desse recurso.
A valorização do petróleo incrementa o risco de pressões inflacionárias em diversas partes do mundo, e no Brasil não seria diferente, uma vez que o aumento nos preços dos combustíveis impacta diretamente os valores que os consumidores pagam e os custos de transporte.
Diante deste cenário desafiador, o governo brasileiro implementou uma Medida Provisória visando conter a ascensão dos preços do diesel. O texto publicado zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre esse combustível, resultando em uma redução de R$ 0,32 por litro, além de prever uma subvenção adicional de R$ 0,32 por litro aos produtores e importadores, que deverá ser repassada aos consumidores.
Somando-se os dois benefícios, o governo estima que essas medidas poderão proporcionar um alívio de até R$ 0,64 por litro aos consumidores nos postos de gasolina. A Medida Provisória também estabelece a criação de um Imposto de Exportação, que servirá como um instrumento regulatório para incentivar o refino do petróleo em território nacional e aumentar a oferta interna do produto, além de reforçar a supervisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acerca do mercado de combustíveis.
Fonte: www.moneytimes.com.br

