Ouro atinge recordes históricos em meio a incertezas políticas
O ouro, amplamente reconhecido como um dos ativos mais seguros no mercado financeiro global, vivenciou sua terceira alta consecutiva, renovando tanto os recordes de fechamento quanto as máximas intradia nesta terça-feira, dia 7. O movimento ocorreu em meio à paralisação (shutdown) do governo dos Estados Unidos e a crise política em curso na França.
O contrato mais líquido do ouro com vencimento em dezembro fechou em alta de 0,71%, alcançando a marca de US$ 4.004,40 por onça-troy na Comex, que é a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), nos Estados Unidos. Este valor representa um novo pico nominal de fechamento para o metal precioso. Além disso, durante a sessão de negociação, o ouro atingiu uma nova máxima histórica intradia ao alcançar a cotação de US$ 4.014,60 por onça-troy.
Fatores que influenciaram a alta do ouro
A paralisação (shutdown) do governo dos Estados Unidos já alcançou seu sétimo dia, sem que se vislumbre um consenso entre os democratas e republicanos no Congresso sobre um novo financiamento para a administração pública. Até o presente momento, o presidente norte-americano, Donald Trump, determinou o congelamento de US$ 26 bilhões destinados a estados com tendência democrata, utilizando a paralisação como uma ferramenta para impactar as prioridades democráticas.
Esse shutdown não apenas prejudica o funcionamento de órgãos públicos, mas também causa atraso na divulgação de dados cruciais, como o payroll, que estava agendado para a última sexta-feira, dia 3.
Além disso, a Europa se tornou um ponto de atenção significativa para os investidores, aumentando a aversão ao risco e, consequentemente, beneficiando a performance do ouro.
Na França, o presidente Emmanuel Macron enfrenta crescente pressão para renunciar ou convocar eleições parlamentares antecipadas, a fim de resolver a crise política que levou à renúncia de cinco primeiros-ministros em menos de dois anos. Na segunda-feira, dia 6, o novo primeiro-ministro da França, Sebastien Lecornu, e seu governo submeteram-se à renúncia. Essa decisão se deu horas após Lecornu anunciar a formação do seu gabinete, o que representa um agravamento da crise política no país.
A renúncia foi rápida e inesperada, ocorrendo após ameaças de aliados e opositores de derrubarem o novo governo. Lecornu, que assumiu como o quinto primeiro-ministro de Macron em um intervalo de dois anos, permaneceu no cargo por um período de apenas 27 dias. Seu governo teve uma duração de 14 horas, tornando-se o mais curto da história moderna da França, em um contexto onde o Parlamento encontra-se profundamente dividido e a segunda maior economia da zona do euro luta para equilibrar suas contas públicas.
Este cenário intensifica a percepção de que o momento atual é semelhante ao que se vivenciou no início da década de 1970. Especialistas destacam que o ouro se apresenta como uma proteção valiosa em tempos de desvalorização monetária e incerteza geopolítica. “O ouro é o único ativo que alguém pode possuir onde não é necessário depender de outra pessoa para sua liquidação”, comentou um analista.
Expectativas futuras para o mercado do ouro
A avaliação da TD Securities aponta que o metal precioso parece estar em uma posição excessivamente comprada, levantando preocupações acerca do risco de uma queda acentuada caso surjam fatores que comprometam o ritmo de afrouxamento monetário do Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central dos Estados Unidos.
Fonte: www.moneytimes.com.br