O mercado de ouro e prata enfrenta uma queda
A alta que levou o ouro e a prata a novos recordes finalmente encontrou obstáculos na última sexta-feira, quando os mercados reagiram à escolha de Donald Trump para a presidência do Federal Reserve.
A nomeação de Kevin Warsh
Kevin Warsh, um ex-governador do Fed, deve substituir Jerome Powell ainda este ano, caso sua nomeação seja confirmada pelo Senado. A notícia provocou uma queda nos preços dos metais preciosos, à medida que os investidores reavaliaram suas perspectivas para a política monetária. A chamada “negociação de depreciação”, que impulsionou a ascensão recorde do ouro, sofreu um golpe significativo.
Desempenho do ouro e da prata
Apesar da recente declínio, o ouro ainda apresenta um aumento superior a 70% no último ano, tendo tombado 7% e sendo negociado em torno de $5.000 por onça. O metal chegou a cair brevemente abaixo desse patamar antes de reduzir as perdas. Por outro lado, a prata, que teve uma impressionante valorização de mais de 200% no último ano, viu seu preço recuar até 15%, sendo comercializada por cerca de $99 a onça.
A inquietação no mercado
Os mercados estão preocupados há meses com a escolha do novo presidente do Fed por Trump. As especulações eram de que Trump nomearia alguém que implementasse cortes nas taxas de juros de forma agressiva, em apoio a sua agenda de acessibilidade econômica. Essa expectativa gerou uma desvalorização do dólar americano, um fator que tornou os metais preciosos mais atraentes no último ano.
No entanto, Warsh, que ganhou destaque nas últimas semanas como favorito para a presidência do Federal Reserve, é considerado mais conservador e propenso a manter a independência da instituição.
As implicações da nomeação de Warsh
Um dos pontos chave é a possibilidade de que Trump poderia usar seu indicado para tentar controlar o banco central, o que tem sido um grande motor da negociação de depreciação. Tal estratégia se traduziu em um aumento do preço do ouro e em uma queda do dólar nos últimos meses.
O Índice do Dólar dos Estados Unidos, que recuou 11% nos últimos 12 meses, subiu assim que Trump anunciou sua escolha para a presidência do Fed na plataforma Truth Social, levando uma alta de 0,5% na manhã de sexta-feira. A valorização do dólar parece ter gerado vendas nos mercados de metais, conforme relatos de Art Hogan, o chefe de estratégia de mercado da B. Riley Wealth Management.
Reação dos investidores
"Era previsível que haveria um gatilho que pudesse provocar uma correção técnica", afirmou Hogan, ao mencionar que os investidores estavam prontos para realizar lucros após a forte alta dos metais nos últimos 12 meses.
José Torres, economista sênior da Interactive Brokers, classificou a queda dos metais como uma "reação imediata" à escolha de Trump. Ele mencionou que uma correção nesse sentido era natural, considerando o movimento significativo para cima observado nos últimos meses, que foi impulsionado em grande parte por especulações.
"Trump busca um presidente mais favorável a taxas de juros baixas. Contudo, Warsh, historicamente, é visto como combatente da inflação. Acredito que haja uma considerável incerteza sobre o tipo de liderança que teremos no Fed", comentou Torres, ressaltando o movimento do dólar e dos metais preciosos.
"Pode ser que o banco central não opere com a mesma frouxidão que poderia ter ocorrido sob a presidência de Kevin Hassett", acrescentou, referindo-se à percepção do mercado.
O impacto sobre a negociação de depreciação
David Rosenberg, economista e fundador da Rosenberg Research, observou que a nomeação de Warsh pode ter levado alguns investidores a reconsiderar a estratégia de depreciação, que envolve a aquisição de ativos físicos como ouro e prata em resposta ao risco da desvalorização do dólar, causado por fatores macroeconômicos como inflação crescente, políticas comerciais caóticas e uma centralização política no banco.
"O que observamos até agora no mercado sugere uma expectativa de menos estímulos e uma postura mais ortodoxa, com o medo da perda de independência do Fed diminuindo gradualmente. Há uma certa diminuição da negociação de depreciação", disse Rosenberg em uma nota aos seus clientes na última sexta-feira.
O futuro das negociações
Hogan destacou que ainda é cedo para determinar se a negociação de depreciação realmente está se desmobilizando; no entanto, a reação observada na sexta-feira indicava que alguns investidores estavam se movendo nessa direção.
"É compreensível que ocorram reações abruptas quando as pressões do mercado mudam", comentou ele sobre a movimentação, especulando que os preços dos metais poderiam cair ainda mais.
Fonte: www.businessinsider.com