Ouro supera US$ 4.200 pela primeira vez na história
O ouro, reconhecido como um dos ativos mais seguros do mundo, registrou um aumento em seu valor pela quarta sessão consecutiva na quarta-feira, dia 15 de maio. O metal precioso encerrou o dia superando pela primeira vez o patamar de US$ 4.200 por onça-troy.
Fatores que influenciaram o preço do ouro
O crescimento do preço do ouro foi impulsionado pelo enfraquecimento do dólar americano, em razão das expectativas em relação à redução das taxas de juros nos Estados Unidos, além dos desdobramentos das tensões comerciais entre os EUA e a China, que também contribuíram para a valorização do ativo.
O contrato mais líquido do ouro, que tem vencimento previsto para dezembro, fechou com um aumento de 0,91%, atingindo US$ 4.201,60 por onça-troy na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA. Durante a sessão, o ouro chegou a renovar sua marca histórica intradia, alcançando uma cotação de US$ 4.235,80** por onça-troy.
Impacto das tensões comerciais sobre o mercado
A forte valorização do ouro deve-se em grande parte ao aumento da aversão ao risco entre os investidores globais. Neste mesmo dia, as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China intensificaram-se. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma taxa de 100% sobre produtos de construção naval e afins provenientes da China. Esse aumento nas tarifas será implementado a partir de 9 de novembro.
No dia anterior, 14 de maio, ambos os países começaram a aplicar taxas portuárias adicionais sobre o transporte marítimo, após um breve alívio observado no final de semana passado. A China passou a cobrar taxas especiais sobre embarcações que sejam de propriedade, operadas, construídas ou que tenham bandeira dos Estados Unidos, embora tenha esclarecido que os navios construídos no território chinês estarão isentos dessas taxas.
Vale ressaltar que na última sexta-feira, 10 de maio, Donald Trump havia ameaçado impor uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses, em resposta às restrições que Pequim decidiu implementar sobre as exportações de minerais de terras raras, os quais são essenciais para a produção de várias tecnologias de ponta.
Comentários de analistas sobre a situação econômica
Stephen Miran, diretor do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, expressou que as novas tensões comerciais entre os EUA e a China apresentam riscos negativos adicionais para as expectativas econômicas do país, reforçando a urgência de um corte nas taxas de juros. Miran afirmou: “Devemos reconhecer que há uma diferença em relação ao que pensávamos há uma semana”, referindo-se ao momento em que a China anunciou novas restrições às exportações de minerais de terras raras.
Ele acrescentou: “Agora há mais riscos negativos do que havia há uma semana, e cabe a nós, como formuladores de política, reconhecer que isso deve se refletir nas políticas. É cada vez mais urgente que cheguemos rapidamente a uma posição mais neutra na política monetária.”
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, ao fazer comentários no mesmo fórum, afirmou que os dois países continuam a manter diálogos.
Expectativas em relação ao corte de juros nos EUA
O enfraquecimento do dólar tem sido um fator crucial para o desempenho do ouro. Essa situação está atrelada à expectativa dos investidores sobre um possível corte nas taxas de juros nos Estados Unidos, que é alimentado por discursos divergentes entre os diretores do Fed.
Na tarde de quarta-feira, os operadores do mercado indicavam uma probabilidade de 97,8% de que o Fed realizasse uma redução das taxas de juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para a faixa de 3,75% a 4,00% na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) marcada para 29 de outubro. No dia anterior, a estimativa era de 97,3%, conforme demonstrado pela ferramenta FedWatch, desenvolvida pelo CME Group.
Esses eventos e expectativas mantêm a volatilidade do mercado, além de provocar reações significativas entre os investidores, demonstrando a interconexão entre a política monetária e as relações comerciais internacionais.
Fonte: www.moneytimes.com.br


